27 fevereiro 2014

Site novo!




Oi! Tem alguém aí?
Aí vão o endereço do meu site e página do facebook! 
Consultório novo, ideias novas... ;)
Passa lá!


quem dera houvesse destino, e eu não precisasse lidar com a responsabilidade das minhas escolhas. quem dera eu pudesse separar os bons dos maus, e pudesse me posicionar confortavelmente entre os primeiros e com eles apontar dedos sem culpa. quem dera houvesse o diabo, houvesse o inferno, houvesse a maldade, como uma entidade independente que ronda os corações. 
mas não há. existimos nós, existe o agora, existem nossas escolhas, e constantes e infinitas frustrações que nos fazem pensar e pensar e pensar…


05 novembro 2012

sobre crescer II




Crescer é o tema da vez pra mim.
Porque tenho reformulado este conceito de uma forma que me tem feito produzir muito, simplificar as coisas e fazer acontecer. Porque a vida pede isso!
Tenho preferido crescer para dentro. Mas sem alimentar fantasias ou imaginações férteis demais. Somente decantar. E não há nada que represente melhor: separar e reconhecer o sólido e concreto em mim. Me permitir ser. Deixar vir. Mas sem alvoroço. Just let it be.
E neste processo de decantação, não é só o lado de dentro que se define. O lado de fora também vai tomando forma: desidealiza-se o outro. 
Mas não sei ao certo qual dos processos começa primeiro. Nem sei ao certo se há um começo. Só sei que chega um dia em que a vida pede resolutividade. E a realidade exige pés no chão e cabeça em cima do pescoço.


Então quando eu digo que "dentro da gente, o bom e o ruim se confundem e crescer envolve aceitar certas coisas, se conformar com o que se tem de pequeno para então visar a alguma coisa maior", eu também quero dizer que crescer envolve aceitar a realidade de fora também, o outro como ele é. "A vida como ela é". Mas talvez menos Nelson Rodrigues, o eterno menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Porque ser por inteiro e se abrir pro mundo, nada mais é que abrir a porta para amores verdadeiros.

20 outubro 2012

sobre crescer


A gente não devia buscar evolução. A gente devia tentar crescer e se tornar de fato adulto. Dentro da gente, o bom e o ruim se confundem e crescer envolve aceitar certas coisas, se conformar com o que se tem de pequeno para então visar a alguma coisa maior. Penso que acreditar nalgum tipo de transcendência ainda faz parte da onipotência infantil, e tem muita gente assim longe de alcançar a própria altura. O principal objetivo da gente devia ser ser do tamanho da gente mesmo, simples assim! O que, acredite, já dá um trabalhão.

28 setembro 2012


Desconfio de que eu ainda não tenha assimilado de todo a partida da minha vozinha. Não porque esteja negando e evitando enfrentar, mas porque ela ainda está tão viva dentro de mim que, se eu não parar pra pensar, é como se ela não tivesse ido e a gente logo fosse se encontrar.

E ela tinha mesmo disso, de ter presença forte e não passar despercebida na vida de ninguém. Por mais doce e delicada que fosse. Na verdade, exatamente por ser assim.
Tenho as mais vívidas lembranças da voz, do olhar, do sorriso, do abraço quentinho, do cheirinho doce de vó... Que saudade! 
Não queria escrever nada sobre ela. Não quero traduzir nada em palavras porque é reduzir demais uma relação que formou a base do que eu sou e definiu muito do que ainda vou ser. E sempre pude dizer muito do meu amor e gratidão diretamente a ela.
Mas quero registrar esta data porque hoje Vó Maria completaria 79 anos, e, apesar da dor, eu vejo beleza neste dia, e uma parte de mim fica feliz e agradecida, e comemora! 




03 julho 2012

sobre a inveja

Tenho algumas inquietações sobre este assunto, e por isso gostaria de falar um pouco aqui sobre a inveja. 
Até pouco tempo, compreendia pouco sobre as definições do termo e talvez por isso não compreendia também o mistério que as pessoas faziam em torno deste sentimento. Dos sete pecados capitais, este parece ser o mais temido nos outros e menos admissível em si. Eu, particularmente, costumava temer mais a ira dos outros sobre mim que a inveja...
Em francês a palavra inveja também é traduzida como desejo, no Google a inveja é definida como "um sentimento de aversão ao que o outro tem, e a própria pessoa não tem...". São muitos os paradoxos. 
Como inveja pode significar ao mesmo tempo desejo e aversão ao que o outro tem, se estas características se opõem entre si?
Pensava eu que sentir inveja era somente "desejar o que o outro tem e eu não". Mas não é! Talvez, desejar o que o outro tenha, seja simplesmente desejar, mas a inveja vai além.
A origem latina da palavra inveja é "invidere" que significa "não ver", e apesar deste significado ter perdido sua força, a meu ver, ele explica muito.
À medida que percebo e reconheço, ou seja: vejo, minhas próprias capacidades, qualidades e forças, me torno capaz de suportar minhas incapacidades, defeitos e fraquezas. Reconhecer a própria falta e precariedade depende desta suportabilidade. 
Assim, a inveja nasce da incapacidade de suportar a própria  falta diante da completude do outro. Sem este recurso, a dor pode ser tão intensa que se transforma num sentimento raivoso de destruição e ataque ao outro e ao que ele tem. 
Talvez venha daí também a expressão "cego de inveja". Muitas vezes, o invejoso tem a oportunidade de conquistar aquilo que deseja, mas nega ou adia a possibilidade, tamanha sua autodestruição. Aqui passo a entender a contradição entre "aversão" e "desejo". 
Na inveja os sentimentos mais avessos se encontram. Uma transformação de Eros em Tanatos que aponta uma das mais importantes contradições do ser humano. Não é mesmo à toa que este seja um tema tão difícil de se falar, reconhecer e elaborar.


"abre los ojos"

21 junho 2012

assoprando velas e desejando

Ser ou não ser é, realmente, o maior conflito de se ser humano, e de se ser o que quer que seja.
Minha irmã sempre zomba da minha angústia de estar envelhecendo. Todo aniversário reclamo de estar ficando velha mesmo. Mas longe de não querer envelhecer, o que me angustia é a sensação de não ser ainda o que deveria ser. E não falo de alcançar objetivos fora de mim, mas de me sintonizar com o que desejo, e com tudo de bom e ruim que isso possa trazer. É uma batalha, e pede muita coragem. É combater o bom combate, ser seu próprio salvador. Implica perdas e ganhos, um terrível paradoxo: ser alguma coisa, significa deixar de ser todas as outras. É assim ou teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos, como diz Fernando Pessoa. 
Mas não somos encorajados a ser, e a consistir. E a maioria de nós acredita viver de acordo com o que esperam de nós. Acontece que o outro não quer de nós o quanto queremos que ele queira. Em outras palavras: o outro não se importa realmente! É mesmo solitário essa coisa de ser.
Com a proximidade dos 30 anos estas questões têm se imposto. Não quero adiar mais. 
Que o combate seja bom, que minha busca seja honesta, que eu consista e que o amor vença!

05 junho 2012


Diante da maior crueza de se ser humano, da impotência frente à morte e a vida, falar de uma vontade Superior é se conformar demais. E nesse caso, pra mim, se acomodar é o pior dos desesperos.
Que não se perca a razão, mas que também não se negue o sentimento.

01 junho 2012

da sintonia

Sinto que depois de um tempo estou retomando algum equilíbrio interno na vida. Depois de buscar uma mudança profunda em determinados aspectos, acabei me transformando no oposto. Virando do avesso mesmo. A gente muda, é possível, é de verdade, é pra valer! (Salve a psicanálise!) Mas antes de encontrar o nível mais adequado, corre-se esse risco, de se alcançar extremos, mas de também não se adaptar por lá, até ir aos poucos encontrando a frequência certa, sintonizando-se consigo, com o melhor de si.
Eu posso generalizar, e afirmar que todo mundo passa por isso. Desde que a gente sai do útero da mãe e é lançado neste mundo, se lança também na busca por uma vida que represente o estado ótimo de onde viemos, o equilíbrio perfeito entre segurança e liberdade, com temperatura, nutrição e conforto na medida mais adequada. Não encontra, claro! E ainda bem, já que alguma ansiedade e desconforto são bem-vindos porque sem eles não há construção, criatividade, sonho. A busca não para! Eu não paro! Nessa eterna mania de reparar tudo.

10 maio 2012

20 abril 2012

Má-formação


Fiquei intrigada com alguns fatos e reações na semana passada sobre a decisão do STF na legalização do aborto de anencéfalos.
A legalização, a discussão toda e o aborto em si já criam uma situação muito complexa, difícil e sofrida, mas mais do que isso fiquei chocada com as reações e fundamentos que algumas pessoas usaram para defender suas opiniões.
O mais chato disso, quando a gente tenta ouvir as opiniões e tentar formar a nossa é perceber que a maioria absoluta das pessoas que se envolvem nessas discussões são pessoas radicais. Eu tenho pânico disso! De um lado, religiosos e, de outro, feministas. Claro que não é todo mundo, tem muita gente de bom senso, mesmo dentro desses grupos. Mas na maioria ninguém quer discutir, ou pensar, refletindo todos os lados da situação.
Eu ainda não tenho uma opinião, talvez nunca venha a ter. Acho que cada caso é um caso e é muito difícil generalizar. Mas tenho sim minhas tendências. Eu penso na criança! E não consigo considerar outros pontos de vista acima deste. Penso na criança, na sua incapacidade de se defender e decidir o que é melhor pra ela, na sua inocência diante desses fatos e diante da vida.
Eu penso no corpinho que está se formando e nas possíveis dores e sofrimentos dessa vida que já existe. E é por isso tudo que não sei se o melhor é deixar esta criança passar pelo sofrimento de um estado terminal sem nem ter consciência do que se passa e sem poder expressar suas dores. Eu não tenho certeza se deixar de realizar o aborto é poupar a criança. 
Nesses dias também vi um vídeo muito emocionante de um casal com uma filha anencéfala, a Vitória, mas também fiquei pensando que pouquíssimos, e muito raros mesmo, pais seriam assim como este casal, com condições de dar tanto amor, atenção e cuidados de que esta criança vai precisar. Por outro lado também penso no aborto em si. Não sei muito bem como são realizados, e com quantos meses de gestação isso se daria. No final, quanto mais eu penso, menos concluo, e sigo angustiada. Mas definitivamente não penso pelas vias que tenho acompanhado por aí. Infelizmente, ou felizmente (fazer o quê?) são essas pessoas que movem alguma coisa e que fazem acontecer. As decisões mais importantes já tomadas na história da humanidade, muitas vezes, podem estar baseadas em fundamentos ridículos, mas no final o resultado pode ser construtivo, ou, pelo menos,  menos desastroso.

19 fevereiro 2012

Quando o obscuro lampeja

Não é nada grave, mas minha polaridade maníaca tem vindo à tona com força total! Alguns chamam de transtorno, outros de estresse, mas hoje eu vou chamar de força de vida. Quando as coisas não vão bem, e elas não andam mesmo lá aquelas coisas, a vida sempre me surpreende. Uma força de vida que eu nunca me lembro de ter guardada, brota de mim com tamanha força que é um espanto! É como ter uma bateria reserva mil vezes mais potente que a usual.
Todo mundo deve ter uma reserva de vida em algum lugar recôndito dentro de si. Que não é acessada por palavras mágicas, códigos secretos, pensamentos positivos nem nada dessas coisas que encontramos em livros de auto-ajuda. Embora escondida, esta força está tão conectada com a gente mesmo que sabe a hora certa de surgir e se por em ação. E pra mim não há nada mais bonito que isso! É o encontro harmônico entre natureza e humanidade a favor da vida. 
Alguns chamam de transtorno, outros de estresse, mas hoje eu vou chamar de força de vida. Quem sabe um dia eu chame de Deus!

sophia compeagá



05 fevereiro 2012

do Real


debaixo da pele, 
por dentro e do avesso, 
sou a natureza insuportável. 
puro sangue e realidade.
e que coração não sangra?


sem título


sempre tive mania com nomes. meus livros e cadernos, mesmo os mais antigos, estão cheios de rascunhinhos nas bordas com nomes dos mais diversos.
assim que ouço um nome novo e sinto que soa bonito no ouvido, fico por um tempo rabiscando seus rascunhos. se a escrita fica bonita, daí me apaixono mesmo!
tive meu preferido: Laura! e a maioria é mesmo nomes femininos.
são nomes para futuros filhos sim, mas mesmo antes de desejar os filhos, eu já desejava seus nomes.
agora que desejo e planejo os filhos, tenho me preocupado um pouco se a importância que tenho dado aos nomes não se tornará um peso pros meus pequenos.
hoje adoro o meu nome, mas quando criança era ruim ter um nome tão diferente e ainda por cima com "ph". 
o que eu menos quero quando penso num nome para meus filhos é o que eu mais queria para mim quando criança: um nome comum e literalmente descolado. 
tenho pensado em não tomar nenhuma decisão quanto ao nome até bem perto de a criança nascer. e também de não saber seu sexo até que tenha amado suficientemente o "ser humano" que evolui na minha barriga (pois é, tá ficando sério esse papo de ser mãe!) para depois então amar o meninô ou a meniná que vai nascer. 
é, bem provavelmente eu faça mesmo isso...
pensando nisso, me lembrei agora daquela música do Renato Russo que diz "meu filho vai ter nome de saaaantoooo. queeeero o nome maaaais bonitoooo..." mas tive que rir! fala sério, combinação impossível né!
mas tudo isso ainda é pra um certo futuro e está sendo gerado só no campo das ideias... um dia nasce uma decisão! mesmo que seja num susto, tudo bem...

19 janeiro 2012

do verde, amarelo e azul...

aqui o verde é mais verde e desmancha a minha pressa. 
aqui o céu é mais azul, de muitos pássaros gigantes.
e os ventos mais violentos também, é verdade.
aqui falta luz, e demoooora a voltar. aqui a gente brinca no escuro (...) é!
aqui é porto. aqui é a chegada. aqui é espera. 
aqui tem janela aberta, vento no rosto e pão quentinho.
aqui a gente cresce e vira adulto pra só então aprender a brincar. de viver, de sonhar, de ser feliz.

sophia compeagá


Há um vilarejo ali...

21 dezembro 2011



a angústia segue. instável e imprevisível, mas permanente.
os dramas são outros, novos, renovados! ah, essa minha criatividade...
as necessidades também outras.
entre elas a vontade de calar.


17 outubro 2011

seja tolo!

Já falei aqui sobre isso. Às vezes certas ideias me acompanham por um tempo e rondam minha cabeça. Ora passeiam, ora circulam rápido e intenso, lapidando-se e tomando forma. Às vezes se escapa e se ausenta por um tempo. Depois volta. Num susto, numa surpresa, numa identificação. E retoma seu trabalho de me controverter.
"Seja tolo!" Assisti nesta semana ao discurso do Steve Jobs em que ele finaliza com as palavras "tenha fome, seja tolo" e me lembrei do quanto eu pensava nisso há um tempo atrás, e do quanto isso me ajudou, mas que por algum motivo eu acabei me esquecendo.
Seja tolo! é a frase mais genial que já ouvi! Na verdade, não sei bem o que Steve Jobs quis dizer com ela, mas a ideia que vem há tempos é a de que já somos tolos. Ou numa outra expressão que também me agrada: somos ridículos!
Somos ridículos por esperarmos tanto, por nos cobrarmos tanto, por complicarmos demais, por sermos complexos e dramáticos demasiadamente.
A melhor função do autoconhecimento, ao meu ver e por experiência própria, é a de poder rir de si mesmo. Porque autoconhecer-se implica o risco de não se gostar nadinha do que se descobre. Mas também de só então poder se levar menos a sério.
Admitir a própria tolice é uma libertação!
Sejamos firmes, mas sejamos leves! sejamos simples! sejamos tolos legítimos! 
Pronto, criei meu próprio mantra!

s. compeagá

aqui jaz

A escrita é o que sobra, é resto. O contorno de pó que desenha um móvel que depois de muito tempo muda de lugar.
Minha escrita é mentirosa. Não com a intenção de ser, ou de fugir de alguma verdade, mas o que se deixa escrevendo é o que se foi.
A gente escreve é pra abandonar e deixar de ser.
Talvez por isso não gosto de reler o que escrevi. Também porque me critico, e quase sempre quero mudar,
mas principalmente porque não sinto que aquilo faz mais parte de mim.
A gente escreve pra renascer, e renasce. Mas o que fica é o velho, o antigo, o passado.
E que também é bonito, por assim dizer...

s. compeagá

06 outubro 2011

do meu des-espero


Decidi, por um tempo, não me obrigar a fazer "a coisa certa". No fundo, eu sempre soube que as melhores coisas que me aconteceram se deram durante períodos assim. 
Eu insisto nas coisas, não desisto fácil. mas o que eu realmente considero como "realizações" na minha vida nunca foram resultados dessas tentativas. Eu também sei que se não fosse essas buscas, as coisas também não teriam acontecido. Foi preciso um período anterior de inquietação e trabalho. Mas o que me dou conta agora é que as melhores coisas que me aconteceram não foram resultados, mas coisas inesperadas. 
Eu não vou cruzar os braços, nem tampouco correr atrás. Também não vou esperar ou deixar de esperar, e muito menos desesperar.

Se é que isso é concebível, por um tempo eu quero inesperar!

s. compeagá

26 setembro 2011

contorcionismo

eu sou o avesso do meu avesso.
mas só há encontro, e ainda assim um rápido encontro -
como um susto, depois do desdobramento.

(sophia compeagá)

08 agosto 2011

intenso




"Vive a vida o mais intensamente que puderes. Escreve essa intensidade o mais calmamente que puderes. E ela será ainda mais intensa no absoluto do imaginário de quem lê".

Por Vergílio Ferreira, encontrado no blog Na Intensidade da Thami Silva.



22 julho 2011

das histórias em circulinhos

pra mim, têm as histórias em quadrinhos e as histórias em circulinhos. as histórias em circulinhos, ao contrário dos quadrinhos, não têm início, meio e fim. elas dão a volta em torno de si e retornam muitas vezes, repetindo-se incansavelmente a fim de um final que às vezes nunca acontece. as histórias em circulinhos são as histórias reais, já as histórias em quadrinhos são imitações das histórias reais. as histórias em quadrinhos são mais fáceis de entender e talvez até melhores, já que normalmente são mais justas e têm os personagens muito bem definidos.
eu pensei nessa coisa toda porque eu parei pra pensar que nas minhas histórias em circulinhos, os super-heróis são sempre os mesmos. essas pessoinhas lindas. vô e vó!




amo vocês!!!!

17 junho 2011

vertigem




o sucesso sucede, vem depois, separa, exclui. para se assegurar o sucesso, é preciso muito mais raça do que se imagina a princípio. não é só superar os outros, mas principalmente a gente mesmo. é uma escolha difícil de se sustentar. 
e quando a gente diz que quer "voar alto", "subir na vida" e sobe, enquanto alça voo experimenta a estranha sensação de perceber as coisas de outro ângulo... lá de cima o particular não tem sentido, lá de cima só o todo importa. e o sucesso faz isso, causa a impressão de se estar fora do todo.
é quando alguém diz "não olha pra baixo" mas você olha. e de repente a gravidade parece maior que antes. porque o sucesso pesa e se você não cuidar, pode mesmo cair. 

s. compeagá

01 abril 2011

divagando um pouco...

Desde que nos mudamos pra casa nova, tenho estado envolvida com a organização das coisas e isso me tornou muitíssimo obsessiva. Tenho estado mais silenciosa também, e sozinha, naturalmente, já que moro longe de tudo e de todos agora. (E ainda estou sem internet!)
Hoje na arrumação resolvi dar uma olhada na malinha de cartas que guardo comigo há alguns anos. Separei, organizei as cartas, e adicionei as mais atuais que estavam espalhadas. Quando resolvi ler algumas, quase desabei! Que nostalgia! Reli cartas tão queridas, de pessoas tão queridas, mas muitas que já se afastaram por um motivo ou outro... Me entristeci por isso! Mas fiquei profundamente agradecida por ter vivido experiências tão significativas.
Entristeci também por perceber que depois que a internet entrou de vez na minha vida, estas coisas esfriaram... e muitas relações também.
Claro que não foi só isso, teve a correria do cotidiano com trabalho e facul, minhas mudanças de casa, e as mudanças internas também. Melhorei muito como pessoa, mas não sei se me tornei mais agradável. Na verdade acho que não.
Pensei sobre as perdas e ganhos de se amadurecer. E questionei se isso é mesmo amadurecimento, ou se é somente outro tipo de experimentação do viver.
Não consegui pensar muito além, ainda estou com esse aperto nostálgico no peito. Uma vontade de entrar em contato com todas essas pessoas, do mesmo jeito de antes, sem internet, sem telefone, sem meios rápidos e superficiais.
Eu quero a intensidade de antes que, talvez por um problema meu (muito provavelmente acentuado por um problema meu sim...), eu não consiga através desses meios de que dispomos hoje...

18 fevereiro 2011


quando eu vejo uma criança, bichinho ou qualquer serzinho abandonado, me dói cortante lá dentro o peito. latejante, pulsante o coração comprimido, reaviva lembranças dos próprios abandonos não cicatrizados. cheios de histórias e silêncios que o tempo fingiu apagar.

s. compeagá



11 fevereiro 2011

paranóia. eu, narciso.


aos olhos invisíveis que sobre ela repousavam, disse adeus.
depois de passar a maior parte da vida tentando alcançar as expectativas que acreditava ter depositadas sobre si por outros, decidiu quebrar os espelhos e seguir uma vida própria. 
passara o tempo todo numa grande ansiedade por ser aceita e bem quista, por quem quer que fosse.
mal sabia diferenciar uma companhia agradável de uma negativa. 
não tinha inimigos, e talvez nem amigos, todos eram metas a serem conquistadas.
neste dia desistiu de tudo, pegou estrada e seguiu adiante. rapidamente. afim de recuperar o tempo perdido.
acontece que nunca havia existido realmente tais olhos e tais expectativas. ambos eram frutos de seu desejo e imaginação.
lançou rápidas olhadelas pelo retrovisor, esperando estar sendo seguida. 
ninguém vinha.
uma mistura de perda e liberdade. mais tarde soube: estava se libertando era de si mesma. 

S. Compeagá

25 janeiro 2011

O dia mais feliz!



"Não sei se você se apercebeu do vínculo oculto entre 'Análise Leiga' e 'Ilusão'. No primeiro livro, quero proteger a psicanálise dos médicos e, no segundo, dos padres. Quero confiá-la a uma profissão que não existe, uma profissão de pastores seculares de almas, que não têm por que ser médicos e não devem ser sacerdotes"
(S. Freud-'Cartas para Pfister'. 1909-1939)

Freud, eis-me aqui! =) 

06 janeiro 2011

Feliz ano novo!!!








‎"Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo. 
Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre." 


Carlos Drummond de Andrade

13 dezembro 2010

ahh...


ah eu vou morrer de saudades das minhas gurias queridas, da intensidade de tudo que vivemos juntas, da família que nos tornamos...
vou morrer de saudades da minha casa, minha rotina, meu quintal, minha vida construída aqui.
do clima, dos passarinhos tão simpáticos, das pessoas, e tudo aquilo que me pareceu tão estranho no início e que agora também faz morada em mim. jeitos, costumes, sotaques, e estranhices em geral...
e também vou morrer de saudades do que não poderei viver, das pessoas que não pude conhecer tanto quanto gostaria, dos lugares que não pude explorar suficientemente, das experiências que não pude viver na intensidade em que mereciam.
eu infelizmente sei que não será a mesma coisa estando longe, mas eu também sei que, com toda certeza, tudo isso ficará em mim, já faz parte de mim, do que eu sou hoje, e jamais deixará de fazer. e tendo compreendido isto poderei acreditar que talvez esta separação, em essência, não exista.





O MAPA



Olho o mapa da cidade 

Como quem examinasse 
A anatomia de um corpo... 
(É nem que fosse meu corpo!) 
Sinto uma dor esquisita 
Das ruas de Porto Alegre 
Onde jamais passarei... 
Há tanta esquina esquisita 
Tanta nuança de paredes 
Há tanta moça bonita 
Nas ruas que não andei 
(E há uma rua encantada 
Que nem em sonhos sonhei...) 
Quando eu for, um dia desses, 
Poeira ou folha levada 
No vento da madrugada, 
Serei um pouco do nada 
Invisível, delicioso 
Que faz com que o teu ar 
Pareça mais um olhar 
Suave mistério amoroso 
Cidade de meu andar 
(Deste já tão longo andar!) 
E talvez de meu repouso... 


(Mário Quintana)

17 novembro 2010

se é preciso ir embora, então a gente tem que partir por inteiro. porque senão a parte que fica, vê ao longe a outra metade ir diminuindo, até sumir no horizonte. e por medo de sumir, a metade que fica nunca consegue seguir seu caminho. 
mas ninguém é capaz de enxergar além do horizonte, por isso é preciso ir... simplesmente seguir apesar da dúvida.
para alguns é a própria dúvida que impulsiona.
mas é bem verdade que a dúvida já não me impulsiona mais.
quem parte inteiro, parte grande, porque também parte cheio de tudo que conquistou pelo caminho. 
tenho aprendido a partir inteira. e ao invés de só deixar pedacinhos de coração em cada mão da qual me despeço, agora tenho criado coragem pra pedir um pedacinho de coração em troca também. 

"vai doer só um pouquinho, mas passa...às vezes lateja um pouco, isso é, mas a gente aprende a conviver com a saudade."


sophia compeagá


28 outubro 2010

descosturas


não sabia se despedir. 
não sabia romper, dar fim ou encerrar nada que fosse. 
simplesmente fugia sem pingar o ponto final do fim da história.
era incapaz de suportar a dor da constatação de uma separação e preferia fingir que não acontecera. 
se afastava acreditando que o tempo daria conta de curar as feridas sozinho.
mas sem um ponto final que arrematasse a costura, os fios se esvaíam aos poucos, desfazendo-a ponto a ponto 
até não haver mais costura, ou história. apenas uma lembrança vaga, rasa, inconsistente e vazia.
sem memória e sem história, não teria perdas pelas quais chorar. mas chorava. as vezes. sem saber por que.
não sabia que a cada esquecimento, anulava também uma parte de si, apagando parte do que havia construído de si mesma junto ao outro e no outro que guardava dentro de si.
sem encerrar uma vivência não podia iniciar outras. pensava que iniciava. mas na verdade seguia a mesma e única história que era capaz de viver. 
vivia sem existir. 

sophia compeagá

23 outubro 2010

eu, apêndice

começou com um passo atrás, em seguida outro e outro.
quanto mais se afastava, mais desejava afastar, e assim fazia.
não intentava fugir, mas a nova imagem que descobria à sua frente a cada passo era irresistível e queria experimentar mais.
ao contrário do que parecia, quanto mais recuava, mais se sentia dentro, mais se sentia parte.
pela primeira vez sentia que existia, pela primeira vez estava perto de reconhecer o próprio valor. 
reconheceu-se na falta de sua presença. através do corpo invisível que sua ausência contornava.  
nunca antes fora capaz de reconhecer-se parte. era um apêndice.
quando enfim sentiu-se inteira, depois de ter recuado tantos passos e deslumbrado um mundo enorme do qual fazia parte e no qual fazia falta, podia então retornar. 
mas não retornou.


sophia compeagá

06 outubro 2010

25 agosto 2010

"sou onde não penso"







quanto mais me procuro menos me acho. e definitivamente, o lugar onde menos sou é em mim mesma. porque é quando eu me esqueço de mim e me entrego seja lá para o que for que descubro minhas formas mais autênticas. e aquela vontade de ficar quieta num canto, sabe? não é pra ficar sozinha comigo mesma nada, é pra me concentrar com força no lugar mais longe e mais alto que eu puder imaginar, e de lá de cima olhar pra tudo e me lembrar de que sou um pedaço do mundo. porque só me sinto mesmo inteira quando sou parte.

sophia compeagá

15 agosto 2010

Enfim, o começo...

Com fracasso tenho tentado acordar cedo e me adaptar a uma nova rotina (de formanda!!!). Todos os dias levantei com atrasos de pelo menos 15 minutos. Ao menos não faltei a nenhum compromisso! Vontade não faltou. Aliás, falta de vontade não faltou! Enfim, o que quero dizer, com revolta, é que, hoje, só por ser domingo e vou ter o dia todo livre, estou aqui, às sete e meia da manhã com os olhos arregalados, sem vontade de dormir. 
Daí fiz uma garrafa (inteira, só pra mim) de café, e acabo de dar meus primeiros goles. Já que é pra acordar, então vamos fazer isso pra valer!
Ao lado da minha garrafa de café, tenho 3 livros. Um deles acaba de me dar um baita cutucão na costela me lembrando que tenho que terminá-lo ainda hoje. 
Entre eles tem um livro muito legal que estou lendo, sobre obituários publicados no New York Times. São histórias de pessoas conhecidas, ou não, que os autores retratam de um jeito muito peculiar, dando sentido às experiências mais corriqueiras ou desconhecidas do falecido em questão. Com muita habilidade, e uma dose de afeto, os autores elaboram os obituários, não como se costuma ver: contando dos feitos e conquistas da pessoa, mas abordando detalhes outros que refletem o jeito de viver daquele que já não vive mais.
Entre outros insights o livro faz com que nos demos conta de que é justamente o fim da vida que a torna com sentido, ou que a possibilita ter um. O livro é "O Livro das Vidas" de Matinas Suzuki Jr. Recomendo!
E, tendo finalmente chegado ao assunto FINALIDADES (adoro essa palavra!), ao que parece, estou finalizando meu curso de Psicologia (pausa para o grito). Me dá uma coisa só de pensar. Parece brincadeira... Quero dizer, parecia brincadeira antes. E parece que só agora estou entendendo que quem faz Psicologia se torna psicólogo. Ahhhh, entendii!
Foram tantas idas e vindas, faculdades diferentes, desafios acadêmicos, culturais e outros mais, nessa formação maluca, praticamente de trás pra frente. 
Mas, enfim, o começo! Vou ser psicóloga!!!! E essa enrolação toda era só pra dar a notícia! =)
Melhor suspender o café né...




21 julho 2010

férias...

hoje eu tirei o dia pra ver filmes melosos, ficar de pijama e meia, ler poesias, escrever cartas de saudade.
mas meu vizinho insiste com esse samba que cutuca (não cutuca?) a alegria que hoje resolvi esconder. 
meu corpo vibra e quase bato com os pés. 
ninguém pode com a alegria de um samba, mesmo nesses dias hibernosos de chuva.



20 julho 2010

afins

Até os mais extremamente opostos
estão ligados pelos aspectos em que se opõem.
Quanto mais forem os aspectos,
mais afinidades terão.

12 julho 2010

Hello, Stranger!


"Intimacy is a lie we tell ourselves. If you believe in love at first sight, you'll never stop looking."

do filme Closer - Perto Demais (que eu não canso de assistir...)




08 julho 2010

eu sinto muito.


Estou tentando, juro que estou, transcrever em palavras doces e legíveis (digeríveis?) os sentimentos atravessados no meu peito. Sinto que (e eu sinto tanto, eu sinto muito...) preciso dar nome à tudo isso e também sinto, meio intuitivamente, que, por tamanha força, jorrarão palavras por todos os lados e será um trabalho árduo organizá-las no papel. Mas nem digeríveis, nem mastigáveis, daqui só saem palavrões. 
Há muito nó por desatar...e os nós são a base dos laços. Quando um laço se desfaz sempre ainda sobra um nó. 
Acabo de cometer um ato falho, por pouco não escrevo dó ao invés de nó. Me faz pensar...
E o dó seria de quem? Quem estou poupando quando seguro estas palavras entre os dentes impedindo que escapem boca afora? 
Não seria esta a razão de haver tanta coisa atravessada e acumulada, por talvez nunca terem tido vazão? 
Por que será que a gente tende à pensar que quem dá vazão perde a razão? 
Talvez não haja mesmo palavras ou nomes, talvez seja só ele: o grito. 

Sophia Compeagá

03 julho 2010

pensava eu

pensava eu que todo abraço era bom.
não penso mais.
tem abraço que acolhe. mas tem abraço que sufoca sentimento.
tem beijo que substitui palavras. mas tem beijo que cala a expressão.
às vezes o silêncio é a melhor forma de intimidade.
não o silêncio pela ausência de palavras somente, mas o silêncio da entrega.
é preciso uma certa distância para olhar olhos alheios e ser refletida por eles.

sophia compeagá

29 junho 2010

ócios do ofício

estive bastante agitada. comecei um trabalho e saí, comecei a escrever o tcc e desisti, comecei a curtir a nova casa e soube que vamos nos mudar.
de todos, o menos frustrante foi a mudança. talvez porque já esteja acostumada, talvez porque a ficha não tenha caído ainda, pois a mudança será somente no final do ano. muito provavelmente seja mesmo este último!
além disso tem a formatura se aproximando. tudo caminhando pra que também seja no final deste ano! outra ficha que está por cair...
nessa agitação, parece que tenho pensado muito pra fora, sentido pra fora e vivido pra fora. é bom, produzo também, mas falta esse tempo de voltar para o casulo e recuperar as energias.
e não sei escrever sem esse tempo. preciso de um mínimo de ócio para me conectar comigo, e mesmo pra elaborar estas vivências tão externas, trazendo-as pra mais dentro de mim. 
sem isso as fichas não caem mesmo. não há preparo para acolher mais fatos. 
acho necessário contar o vivido. para a gente mesmo. pra poder assentar estas coisas dentro da gente, dar nome e lugar para cada uma delas. e meus últimos vividos tem sido bastante intensos. aliás, pouco me lembro de ter tido algum período de calmaria na vida. nem minha infância se salvou disso.
às vezes escrevo para dar sentido às coisas, às vezes para despi-las de significado. às vezes para encaixar as peças, às vezes pra partir tudo em miúdos, e reconstruí-las do meu jeito depois.
quando conto, brinco com a realidade. com toda a seriedade que isso merece e exige. mas muitas vezes sem me dar conta de que o que eu conto muda o conto no final das contas.

sophia compeagá



"mas é que também não sei dar forma ao que me aconteceu. e sem dar uma forma, nada me existe."
(Clarice Lispector in A paixão segundo G.H)

15 junho 2010

pausa

tenho andado um pouco ausente. na verdade tenho rascunhado muito, mas não postando nada. é que postar, pra mim, passou a ter o efeito de "ato", enquanto rascunhar tem me oferecido a elaboração de qualquer coisa que não precise ser editada.
estou nos bastidores. na escrita sem compromisso. não que o blog tenha se tornado um compromisso, mas de repente deixou de ter  a função organizadora de antes.
não vou parar de postar, logo estarei de volta.
é só um tempo. precioso e preciso.

26 maio 2010

um doce, uma dança, paixão, dormir cedo

Na eterna propaganda da rede de supermercados Pão de Açúcar, Arnaldo Antunes canta aquela musiquinha do Seu Jorge "o que faz você feliz?". Enquanto morei em Fortaleza e ia ao supermercado, esta musiquinha tocava todo-santo-dia-toda-santa-hora. Era quase insuportável. Ficava imaginando que cada funcionário deveria usar aqueles protetores auditivos, e deviam odiar Os Tribalistas. Cada um lida com as frustrações de um jeito. Bruno por sua vez inventava paródias engraçadas. Eu, ria.
Hoje achei a musiquinha no youtube. A propaganda toda, com videozinho e imagens fofinhas. Deu saudade. E parei pra pensar no que realmente era insuportável. Talvez fosse não ter a resposta para a pergunta que insistia: O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? 




No princípio era o Verbo...

Foi meio de repente que decidi fazer minha tatuagem. Saí de casa para tatuar um tornado com pequenas borboletinhas em volta, voltei com uma borboleta apenas e uma frase. Gostei demais! O tornado vai ficar pra outra hora...
Quis registrar aqui porque tem muito a ver com as elucubrações desse meu mundo fantástico e lilás.
E por hoje é só...


"Por hoje é só
Vou deixar passar a ventania
talvez amanhã
vento, vela e velocidade"

(Pouca Vogal)

28 abril 2010

mais uma sobre miopia


sou uma míope que resiste às lentes. prefere andar aos tropeços, não reconhecer as pessoas e se passar por mal-educada, não conseguir ler a tempo os itinerários e perder alguns ônibus à ter de carregar o peso dos óculos sobre o nariz.

queria mesmo era poder diminuir o grau da lente. assim, apenas para sobreviver sem ter que enxergar muito mais do que já vejo.
é estranho enxergar demais... quando boto os óculos penso que assim então estou enxergando como todo mundo, como deve ser, como dita a normalidade.
não quero enxergar como todo mundo. não que esteja evitando a realidade, não é isso. e ninguém garante que a melhor das visões humanas não seja limitada e deixe muito por escapar.
é que sempre reservei a mim uma discreta anormalidade no observar. porque o modo de perceber define o que eu sou, quem eu sou. e quando deixo de ver o que todo mundo vê, reparo o detalhe, não raro, essencial.




sophia compeagá








obs.: caros pedestres de Canoas e Porto Alegre, cabe observar que, embora não conste na minha habilitação que devo fazer uso das lentes quando ao volante, sim, eu uso óculos quando dirijo!



02 abril 2010

da maturidade

o problema não é a idade não, doutor! não é disso que estou reclamando.
as rugas contam histórias e elas são até bem-vindas.
o problema é que tenho notado que elas só têm aparecido aqui nestas listras da testa, vê!? como quem viveu uma vida de preocupações.
não doutor, não é botox que eu quero, me deixe explicar! eu preciso que o senhor encontre aqui no canto dos olhos pelo menos um pezinho de galinha que também conte dos sorrisos e momentos de alegria.
eles deveriam estar aqui em algum lugar...

sophia compeagá

21 março 2010

Mais uma primavera

E o blog completou 3 anos de letrinhas e insights...
É engraçado, mas eu nunca li uma definição teórica para o que é insight. Esta que criei para o blog é a minha forma particular de compreender, que acredito não se distanciar muito da forma teórica oficial.
Ter um insight é como acender uma chama que pode se manter acesa ou não. O que mantém uma chama acesa é o que chamamos de combustível, e existem combustíveis dos mais diversos tipos. Para os insights também... Existem combustíveis para insights que são como a palha, fazem um fogaréu no começo, mas se apagam rapidamente... Penso que o melhor combustível para o insight é a dúvida, e a motivação para se seguir questionando. 

Ontem revi O Guia do Mochileiro das Galáxias. Já tinha assistido mas não me lembrava de alguns detalhes como a cômica resposta para a "pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais", que era um simples número. Engraçado mesmo foi terem de esperar milhões de anos para que o computador tivesse esta resposta. Diante da frustração do povo, o "pensador profundo", como é chamado o computador, justifica então que não lhe haviam feito realmente uma pergunta. A partir daí o filme se desenrola na busca pela pergunta que resolveria a "questão fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais" cuja resposta era o número 42.

As vezes eu acho que a questão crucial da nossa vida, a pergunta maior da qual a resposta resolveria nossos conflitos interiores é aquela que nunca ousaremos fazer. Vem daí minha desconfiança de que as perguntas que tanto me rodeiam, que insisto em repetir mesmo sem esperanças de respostas, sejam na verdade formas de evitar a pergunta maior. Mas acho também que as perguntas menores possam ser pequenos ensaios, ainda que defensivos.
A resposta talvez seja simples, não tão simples quanto 42, mas a dificuldade reside mesmo em se saber qual é a pergunta certa e se ter a coragem de fazê-la.

Sempre achei a dúvida mais produtiva que a certeza e a resposta dada. Prefiro conversas abertas do que combates intelectuais estéreis. Fujo de diálogos assim, que nem diálogos são, mas monólogos paralelos. Infelizmente, poucos entendem esta diferença. Me apaixonei pelo psicanalista Contardo Calligaris quando numa entrevista ele disse que não gosta de ter nem manifestar opiniões, pois não suporta a idéia de induzir alguém a pensar como ele. Calligaris é o máximo!

Então o que eu quero mesmo é que o blog seja como um jardim. De dúvidas, insights, contradições e idéias em construção. Que mesmo que murchem e morram, nasçam de novo quantas vezes forem necessárias, conduzindo sempre a desafios maiores.
E que aconteçam muitas mais primaveras por aqui...

Sophia Compeagá


05 março 2010

da memória







o fim é relativo 
quando eternizar é-ter-na-mente 
aquilo que pode durar para sempre 
dentro da gente 
mesmo que acabe. 



sophia compeagá







24 fevereiro 2010

Uma porção de eus


Foi desde que eu entendi que ser humano não evolui que eu me decidi por buscar, ao invés de evoluir, expandir.
Eu não sei viver sem aspirar alguma coisa, ainda não aprendi a aceitar as coisas como são e a não querer mudar o mundo...
Quem sabe repetindo isso algumas vezes eu entenda.
Eu sei, pessoas não são como pokemons ou como os digimons que "digivoluem". Pessoas vivem, crescem, reproduzem (ou não) e morrem. Tão simples...
E entre uma coisa e outra criam. 
Nestas descobertas eu também abandonei esta busca desenfreada pelo auto-conhecimento, pelo menos da forma como fazia. É, porque essa coisa de buscar a si passou a me parecer tão retrógrada, como caminhar pra trás em busca de alguma coisa que foi perdida. Eu não quero encontrar o perdido, eu quero criar o novo, reinventar a vida, quantas vezes for preciso. 
Renascendo todos os dias vou ter uma porção de eus. E no final vou morrer de verdade, pois já terei vivido tanto que não vou caber em mim, que nem vou caber no mundo. 


Sophia Compeagá

"Todas as formas de vida são igualmente espantosas e miraculosas,
e não há tendência em direção a formas superiores" (Jacques Lacan).

14 fevereiro 2010

Born to be uai


A gente só entende o que é cultura quando se distancia da sua, quando sai do território conhecido e sente falta daquilo que nem tem nome ou consistência mas que te faz ser mais você. Fica dentro de cada um, mas não individualmente. É o plural que fica dentro da gente quando a gente se faz singular. É a sensação de se ter sempre pra onde voltar, mesmo que seja pra um lugar que só exista na lembrança...

Impossível se ensinar sobre cultura, definir ou descrever sem experimentar e sem se falar através da sua própria cultura.
Cultura é linguagem, e linguagem é tudo. Mesmo que haja muitos universos além desse "tudo". A linguagem é o nosso universo. E é a forma com que descobrimos e damos sentido e signicado ao próprio existir.

Conheço uma pessoa que ensinava sobre folclore contando lendas e historinhas do povo antigo. Não vejo melhor forma que esta. É um pouco como Lacan falava a respeito da psicanálise: ela não se ensina, se transmite!

Acabo de voltar das férias em Minas. Fui rever os familiares que há muitos meses não via. Foi daí que tirei essa coisa toda sobre cultura na qual tenho pensado...
Estava cheia de saudades das pessoas, do clima, do sotaque, do sabor das comidas típicas, do cheirinho de fogão à lenha, do feijão vermelho e de muitas outras coisas... Impossível enumerar a lista, sinto saudades de coisas estranhas tipo um velho portão que tinha na casa da minha mãe, da textura, do cheiro de madeira úmida, do barulho que fazia quando, empenado, se arrastava no chão... Eu sei, sou mesmo - estranhamente - nostálgica. 

Talvez por ter ficado um tempo razoável sem voltar, estava me sentido meio sem pátria. O sotaque já virou uma mistura danada, e eu estou mesmo cada dia mais apaixonada pelo Rio Grande do Sul, assim como também me apaixonei por outros lugares onde morei. E é impossível não carregar pelo menos um pouquinho conosco de cada lugar e de cada gente...
Mas foi só voltar pras Gerais que me encontrei de novo com o 'uai' perdido do meu vocabulário.

É muito bom voltar pra casa, é muito bom sentir que ainda se tem um cantinho reservado no coração invisível de um lugar que já foi seu.
Acho que agora entendo quando alguém pergunta de onde a gente é.
Um dia questionei: como assim o lugar é dono da gente? Que se sabe são as pessoas que compram e possuem as terras e lugares, não o contrário...
Mas agora eu sei. A gente só é mesmo feliz quando possui aquilo que já nos possuiu primeiro, e não há preço que pague o pertencer.

D'Oncosô? Sô di Minas, uai!


Sophia Compeagá









"mineiro tem um quê de passageiro, tem um tudo de inteiro e um certo charme pra escrever..."



Aos leitores, um beijo e um queijo, com carinho! =)