25 Novembro 2009

Rita Apoena

Me encanto profundamente com o que Rita Apoena escreve. Mal tenho palavras... mas ela tem! E são palavras que vão tão direto ao coração que a gente lê quase que com todos os sentidos e não somente a visão. Toca na gente como um carinho, soa como música, tem cheirinho de infância e gosto de descobertas. E aguça essa curiosidade infantil de sempre se ler mais de Rita.


"Eu sei que quando um paizinho dorme para sempre, ele não atende mais o telefone, não aparece mais no portão. Não adianta chamá-lo pelo nome ou dizer que é dia de futebol. É que quando um paizinho dorme para sempre, ele fica assim, espalhado no mundo, em todas as coisas pequeninas, e a gente precisa de muita delicadeza para encontrá-lo de volta.

No começo, a gente só o encontra nos suspiros da mãe, nos olhos do cachorro esperando no portão, na cadeira vazia, no remendo dos armários, nos pregos segurando os quadros, na garrafa de vinho, pela metade. Aos pouquinhos e devagar, a gente começa a encontrá-lo nas alegrias do mundo, no vôo das cotovias, no desenho das nuvens formando barquinhos e caravelas, numa pessoa sem mágoa, nas toalhas sem nódoa, e até quando felizes nossos olhos vão se enchendo d'água... "

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18 Novembro 2009

Duvido de quem não alimenta dúvidas...



"Duvido de quem não alimenta dúvidas,
de quem nunca quis fugir,
dos que não se escondem,
dos que sempre dão a cara pra bater.
Há algo profundamente triste
em não sentir falta
de alguém que não vai voltar...".

(Mário Bortolotto)

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13 Novembro 2009

Sobre andanças e mudanças

Nesta semana comemoramos o aniversário do Zeca.
Faz tempo que não posto nada sobre ele aqui, e relendo a última postagem, dei algumas risadas. Tamanha era minha ansiedade com a história de levá-lo comigo no voo. Tamanho meu engano querendo atribuir um medo meu à ele.
Não estou “curada”, nem estou tocando neste assunto novamente por estar prestes a tomar um avião - embora minhas férias estejam se aproximando e seja fato que eu vá ter de voar em poucos dias. Também não sei dizer exatamente porque estou escrevendo sobre isso, mas sei que muita coisa mudou, sim.
Nenhuma boa e concreta mudança acontece de uma hora para a outra. É preciso tempo, um tempo interno para vivências, um tempo para a elaboração dessas vivências, um tempo para ir se permitindo, aos poucos, renascer. É mesmo como uma gestação, e um parto... um doloroso parto.
E certas mudanças têm disso, mesmo as mais evidentes. Não se sabe bem onde ela está, onde começou, como ou quando, mas sabe-se muito bem que ela aconteceu.
Eu mudei! E não foi através de propostas milagrosas, revoluções espirituais, ou qualquer outro tipo de pressão. Pelo contrário, mudei justamente quando aprendi a ceder e me dei conta de que quando a luta é interna não há vencedores.
Muito se fala em psicanálise sobre não ceder do próprio desejo, e bancá-lo, confrontando os obstáculos necessários para isso, inclusive os medos.
O que talvez eu tenha aprendido seja, não a ceder DO desejo, mas AO desejo.
Acredito que aquilo que nos causa medo esconde muito do nosso desejo, e não deve ser à toa que “elegemos” certas coisas para temer.
Esse tal medo de voar me obrigou a refletir sobre seus significados e sentidos e pude concluir, não há bater de asas que sustente o peso do medo de sair do ninho. O que eu não sabia era que ao invés de tentar enfrentar o medo, precisava antes, entender o que era criar asas e alçar voo. Precisava saber do meu desejo.

Sophia Compeagá









Zeca fez aniversário dia 10, no mesmo dia em que o 'avô', meu pai.
Claro, com o 'avô' paraquedista e o 'pai' piloto, achar que ele teria qualquer medo ao embarcar no avião só poderia ser neurose de 'mãe'...

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30 Outubro 2009

silêncio con-sentido



deve haver dois tipos de silêncios. eu, pelo menos, assim os separo. o primeiro representa o vazio real e improdutivo da falta de sentido. faz-se silêncio porque realmente não há o que ser dito. e existe o segundo. o que evita a banalização do sentido através da palavra. longe da falta de racionalidade ou de capacidade de simbolizaçao, mas um desejo puro de não arriscar o que cuidadosamente se construiu e hoje se acomoda carinhosamente nas melhores recordações.
transformar o indizível em palavras é arriscar reduzi-lo ao tamanho da nossa ignorância. às vezes há que se aquietar as palavras para não emudecer o coração.

sophia compeagá

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23 Outubro 2009

we're all in the dance




Até que enfim assisti Paris, Je t'aime. Simplesmente lindo! Simples e lindo. Daqueles que nos chacoalha praquelas coisas simples da vida que, talvez justamente por serem fugazes, sejam tão especiais.
O filme apresenta várias histórias curtas -mas de infinitos significados- do cotidiano de pessoas que moram em Paris, e nos revela a cidade de um jeito diferente do que se está acostumado, muito singular, desprovido de fantasia e nostalgia, mas sem deixar de falar de amor.
Penso que muitas vezes tentamos dar sentido à nossa vida esperando um fato grandioso e surpreendente como se este fosse imprescindível para se sentir que valeu a pena viver. E muita coisa é sacrificada em função desta espera que às vezes se faz em vão. Claro que existem os sonhos, e sonhar nunca é em vão, mas quando falo dos sacrifícios falo de como nos cegamos para o que está perto, e às vezes para o que está dentro, e deixamos de viver pequenos grandes momentos.
Nossa vida é feita de pequenas histórias, e não adianta tentar encaixá-las na história maior enquanto elas acontecem. A amarração e atribuição de sentido só é possível depois. Por isso de nada adianta controlar os fatos, a única garantia de estarmos na história certa é atentarmos para o que sentimos. Acredito que, tendo o coração como norteador, qualquer história valerá a pena ser vivida. Mesmo que doa.
Mas acima de tudo acredito que as histórias ainda estão sendo escritas, e no final estaremos todos "dans la même histoire". Na mesma história.

Sophia Compeagá





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18 Outubro 2009

A antipalavra



"Jantaram, subiram para o quarto, fizeram amor. Em seguida, no limiar do sono, as idéias começaram a se embaralhar na cabeça de Franz. Lembrou-se da música barulhenta do restaurante e pensou: "O barulho tem uma vantagem. No meio dele não se ouvem as palavras". Desde sua mocidade, não fazia outra coisa senão falar, escrever, dar cursos, inventar frases, procurar fórmulas, corrigi-las, de maneira que as palavras nada mais tinham de exato, o sentido delas se apagava, perdiam seu conteúdo sobrando apenas migalhas, partículas, poeira, areia, que flutuava no seu cérebro dando-lhe enxaqueca, e que era sua insônia, sua doença. Teve então a vontade confusa e irresistível de uma música enorme, de um barulho absoluto, uma bela e alegre algazarra, que englobaria, inundaria, esmagaria todas as coisas, que anularia para sempre a dor, a vaidade, a mesquinharia das palavras. A música era a negação das frases, a música era a antipalavra. Tinha vontade de ficar com Sabina num longo abraço, de calar-se, nunca mais pronunciar uma só frase, deixar o prazer confluir com o clamor orgiástico da música. Dormiu nessa bem-aventurada algazarra imaginária."



(Milan Kundera in 'A insustentável leveza do ser')

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10 Outubro 2009

Ensaio sobre a miopia

Hoje estive ausente de mim.
Não consegui me concentrar em nenhuma tarefa a que me propus.
Estive alheia o tempo todo, num mundo paralelo. Mas um mundo de nada.
Fuga de não sei o quê, ou talvez saiba, mas não queira lembrar.
Fuga de mim.

Quando me sinto assim parece que a qualquer momento vou me desintegrar, partir em pedaços, desaparecer...
Por um lado o desejo da fuga, dessa desaparição. Por outro o desespero.
É quando vem a necessidade de escrever. Numa tentativa talvez de me estruturar, de me refazer, de existir, de não d'existir.
Penso que escrever é, não uma espécie de loucura, mas fruto dela.

De todas as minhas formas de salvação, a escrita é a mais verdadeira.
Porque é o que realmente me aproxima de mim. Sou eu estendendo os braços para mim mesma.
De outro modo estaria ligando para amigos, marcando sessão extra de análise, abrindo uma garrafa de vinho.
Escrever me ajuda a enxergar-me melhor mas de modo que eu vá me apresentando aos poucos, sem sustos. Talvez com surpresas, mas na medida e tempo equivalentes ao que eu possa suportar e que me sejam necessários enxergar.

Hoje me esforcei por enxergar.
Nunca os uso dentro de casa, mas hoje decidi colocar os óculos.
Um recurso prático (já que a pauta aqui é a objetividade), na tentativa de me aproximar um pouco mais da realidade.
Realidade, a partir do meu míope ponto de vista, é aquilo que a maioria das pessoas diz que é, mesmo que cada um nem sempre a veja como diz, mas acredita que os outros a vejam, e portanto a adota como verdade.
Já a miopia, por sua vez, é aquela cegueira (leve, severa ou moderada a depender da necessidade) para o que é externo e está fora, e longe; é a tendência inconsciente à introspecção, a olhar para dentro de si, e a ignorar todo o resto.

Não sei ao certo se a realidade é objetiva ou subjetiva, talvez existam várias realidades, talvez não exista nenhuma.
Descobrir esta resposta não vai fazer diferença... E já nem sei mais se quero respostas. Vou manter meu silêncio. Hoje, além de muda, estou cega e surda
.

Sophia Compeagá

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07 Outubro 2009

o luxo de meu silêncio



"Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas – escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."



Clarice Lispector in 'Água Viva'

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01 Outubro 2009

(in)quietude

Silenciosa mas inquieta, assim tenho estado. Sem palavras mas com muito o que dizer.
Nunca o silêncio me falou tanto como agora.
Estranho ter que conter para me sentir inteira, consistente. Como se a palavra tivesse peso. Como se precisasse segurá-la para não perdê-la para sempre de mim. Para que eu não me esvaia junto dela escorrendo por entre a fala, sobrando o vazio.
Sempre acreditei no contrário, que para existir precisasse dizer, contradizer e traduzir, por acreditar que 'aquilo que chamo de eu' fosse essencialmente pensamento e linguagem.
De repente me dou conta: tenho um corpo! E descubro nele um mundo de linguagens e símbolos comunicando vida!
E não podia ser diferente, foi através dessa mesma linguagem que o insight se deu.
Tudo faz sentido agora, "no princípio era o verbo" não no sentido de palavra, mas no sentido de ação.


Sophia Compeagá





"Tenho um corpo, e tudo que eu fizer é continuação do meu começo"
(Clarice Lispector)

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22 Setembro 2009

Desconhecidos íntimos

Amo Clarice, amo a simplicidade com que escreve que como ela mesma diz é uma simplicidade conquistada através de muito trabalho.
Seu jeito de escrever, que ao mesmo tempo questiona a própria linguagem, nos convida a fazer os mesmos questionamentos e aos poucos nos vai introduzindo na leitura como se nós mesmos a tivéssemos produzido.
Às vezes ler Clarice é quase terapêutico. Recorro a ela quando não compreendo algumas coisas, como quando algum intruso e desconhecido sentimento me invade e não consigo compreendê-lo, quando faltam-me os insights.
Existem mistérios que teimam em seguir sendo mistérios. Difícil pra mim que sempre quero resposta pra tudo.
Às vezes a resposta é o próprio silêncio. E frequentemente a resposta é a própria pergunta, sem o ponto de interrogação no final.





"Estou desorganizada {…}
É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira que vivo.
{…}Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?”

(Clarice Lispector - 'A Paixão Segundo G.H.')


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13 Setembro 2009

Mais do mesmo

Tinha dado um tempo. Tinha desistido de insistir em falar, estudar, tentar entender, me questionar, provocar, me intrigar com a morte e tudo que a rodeia: perdas, luto, sofrimento, superações e principalmente vida! Vãs tentativas...
Tinha decidido que não era um assunto que me interess
ava realmente, mas que era antes uma intimidade 'herdada' com relação ao tema.
Aprendi com meu pai a respeitar a morte, a estar consciente dela, a falar livremente sobre ela, e que a morte dói. Graças à Deus nunca m
e obrigaram a ser forte, a ignorar qualquer perda, a tocar em frente quando o mundo desabava. As pessoas mais importantes da minha vida, aquelas com quem eu contei, quando precisei se doeram comigo, choraram comigo e me ajudaram a reconstruir respeitando meu ritmo.
Por estas e outras razões, o tema da morte sempre me foi muito presente, e interessante. Por um tempo achei que fosse uma questão
mal elaborada justificando a insistência e curiosidade. Talvez tenha sido, mas já não é mais.
De qualquer forma não adianta fingir desinteresse se a coisa lateja.
O que acontece é que novamente me vi diante dessas questões, num contexto mais formal, mas ainda assim diante, defronte, sem me deixar proteger pelo ilusório escudo da teoria, ou do jaleco branco.
Acredito que hoje esteja mais madura pra lidar com isso. Mas minha confiança vem mais da humildade e simplicidade conquistadas do q
ue do conhecimento adquirido. Afinal, nunca se está totalmente preparado pra enfrentar tais coisas, assim como o sol, a morte nos impede de olhá-la fixamente e decifrar sua beleza. Sim, beleza...

Sophia Compeagá

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27 Agosto 2009

27 de agosto, dia do psi!

Hoje é o dia do Psicólogo! Venho comemorando esta data há vários anos, e a cada ano que passa sinto que me aproprio de um novo sentido para a profissão.
Ontem saí com as colegas da faculdade pra comemorar a data e quase não consegui chegar até o lugar marcado. Me perdi em Porto Alegre (o que tem se tornado frequente nos últimos meses), mas ao final, com as mil e uma coordenadas recebidas pelo celular encontrei o bendito lugar. Aliás, "Santíssimo" lugar, esse era o nome do pub.
E acabei por concluir: psicólogo é aquele que vai na contra-mão, literalmente!

De presente o novo samba da Zélia, "Tô". Perfeito pra ocasião!
Beijos e abraços para meus futuros colegas de profissão!



"Tô estudando pra saber ignorar...
Eu tô te explicando pra te confundir,
Tô te confundindo pra te esclarecer
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar...
Suavemente para poder rasgar
Olho fechado pra te ver melhor..."

(Tom Zé)

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22 Agosto 2009

Quando passei a respeitar o que sentia




Odeio me confundir,
preciso sempre me iludir com a crença
de que entendo o que se passa,
como se fosse possível absorver tudo por inteiro.
Crio teorias, analiso situações,
pessoas, atitudes, falas.
Fantasiosamente controlo todos,
desejando, sem saber, controlar a mim mesma.
Quando passei a respeitar o que sentia,
nada mais importava.
Eu que sempre me importei em ser compreendida
e não suportava ser mal interpretada.
Quando se aprende a respeitar os próprios sentimentos
é mais fácil conduzi-los.
E pensar que era só uma questão de silêncio e entrega...
tão mais simples!




Sophia Compeagá

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19 Agosto 2009

TCC




Estou decidindo meu tema de TCC, e não estou achando nada fácil. Sempre preferi pensar que nossas escolhas deviam se basear no que realmente nos interessa, num tema com o qual nos identifiquemos e que faça sentido debruçar-se a estudá-lo.
Quero que seja assim, visceral. Quero me lançar no desbravamento de teorias e me deparar várias vezes comigo mesma. Quero que mexa comigo, que confronte minhas idéias, quero criar uma coisa realmente nova, nem que seja apenas dentro de mim.
Meio dramático, eu sei, mas sempre sonhei com esse momento na minha formação. Mesmo que ainda não tenha decidido o tema.
Não sei me interessar pelo desinteressante. Preciso sempre encontrar um sentido naquilo que faço.
Tem gente que prefere o contrário. Escolhe um tema neutro, e consegue se dar muito bem. Justamente porque não se envolveu emocionalmente. E tem gente que sugere mesmo isso!
Já tentei, não vai!
Estou dividida entre dois temas que sempre foram presentes na minha formação, ou além dela, na minha vida.
Talvez eu precise acalmar os ânimos, lembrar que isso é só mais um trabalho de faculdade, e com esse olhar menos deslumbrado conseguir escolher o que me agrade mas não esteja tão latejante.
Mesmo que eu saiba que aquilo que lateja aponta o latente, o urgente, escondido dentro da gente.



Sophia Compeagá

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desabafo

Hoje uma coisa me aborreceu um pouco. Mas só um pouco. Ou talvez não tão pouco, mas por pouco tempo.
Notei que alguns textos meus estavam sendo exibidos no orkut como sendo de outra pessoa. Então investi na pesquisa para tentar entender melhor o que estava acontecendo.
"Criaram" um texto com três parágrafos, entre eles usaram um texto meu mas assinaram como se quem o tivesse escrito fosse uma pessoa que desconheço. Encontrei o blog da tal pessoa e notei que ela não tinha copiado nada, mas que realmente parte daquela montagem era do blog dela.
Menos mal. Mas ainda assim é chato ver uma coisa sua ser publicada com nome de outra pessoa. Já vi diversas vezes pessoas usarem textos meus daqui do blog em suas páginas na internet. A maioria respeita os créditos, bota lá um 'Sophia com PH', 'Sophia Vieira', às vezes 'Sofia Sempeagá' mesmo, mas nem todo mundo credita, alguns deixam em branco por tentarem fazer se passar por seus ou, sei lá, de repente por não saberem que ao citar um trecho escrito por outra pessoa têm que se respeitar algumas regrinhas...
Sinceramente, nesses casos eu não me importo muito, isso aqui para mim é um passatempo, um desabafo.
Ninguém nunca vai saber de fato o que sinto enquanto escrevo. À essência disso aqui só eu tenho acesso.
E fico realmente feliz quando vejo alguém citar os textos. De alguma forma se identificaram, e de alguma forma devo ter me feito entender.
Não pretendo publicar livros (não sobre o que escrevo aqui), não pretendo ganhar dinheiro (com isso, repito!), não vou registrar nada - contrariando os conselhos que recebi, e muito menos reclamar com as pessoas que estão fazendo circular por aí os textos sem os devidos créditos, embora não tenha sido agradável ver, entre pessoas próximas a mim, meus textos com autoria de outros.
Como tudo que posto aqui, isto foi só mais um desabafo. E já passou...




"Escrevo porque é a maneira mais barata, mais divertida e mais impune de ser clandestino."
(Alan Pauls)

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18 Agosto 2009

Selo

Tirando o atraso dos selos e memes, tô eu aqui de novo pra postar sobre um selinho que recebi da Janaína.
O selo se trata de uma homenagem para os blogs que gostamos e, além de repassá-lo, temos que apontar 5 coisas que adoramos, o que não é fácil.
Nunca acho essas tarefas fáceis... a gente acaba se expondo mais do que em postagens de cinco páginas. Diferente das postagens livres, os memes nos obrigam a dar respostas curtas e objetivas, nos dão um limite, literalmente. Mas eu topo o desafio! E esse é bem rápido.


As 5 coisas que mais gosto são:

estar com pessoas divertidas e engraçadas
sentir que estou em dia com meus afazeres (o que é muito raro)
descobrir novas possibilidades quando as coisas não estão bem
ajudar alguém a enxergar estas mesmas novas possibilidades
aprender coisas novas que me confrontem e me façam rever tudo de novo e lembrar que a vida é esse mistério infinito.

Repasso para eles:

Amanda Soares
Márcio Beckman
Bruna Matos
Dani Cabrera
Sara
Vanessa

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13 Agosto 2009

por um triz...

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora".

(O Teatro Mágico)

Recebi há uns dias um meme da Vanessa com perguntas e respostas e estou respondendo agora...



Regras:

1) Responder a verdade.
2) Repassar aos blogueiros que conhece.
3) Não esquecer do recadinho para quem te convidou.




Perguntas:

1) Onde está seu celular? não sei. mesmo! pela casa...

2) E o [marido] namorado? no trabalho.

3) Cor do seu cabelo? loiro com luzes e um pouco natural. (deixei as mesmas palavras da vanessa, só que o meu natural é preto, muito preto).

4) O que mais gosta de fazer? me divertir de alguma forma, mesmo com coisas sérias. realizar uma tarefa com prazer pra mim é diversão.

5) O que você sonhou na noite passada? não lembro, mas muito provavelmente com algum tornado ou tempestade... é o que mais acontece.

6) Onde você está agora? em casa, curtindo as férias forçadas em função da gripe. tá tudo parado por aqui.

7) Onde você gostaria de estar agora? hoje saiu um solzinho... me lembrou a praia. gostaria de estar em fortaleza, na praia do futuro, na barraca vira verão, numa mesa que fique tão pertinho da água que no final da tarde tenha que recuar por causa da maré. bem ali.

8) Onde você gostaria de estar em seis anos? aqui.

9) Onde você estava há seis anos? em minas, começando a faculdade.

10) Onde você estava na noite passada? num pub com amigos.

11) O que você não é? o que não sou agora posso ser daqui há pouco.

12) O que você é? um monte de coisa junto e misturado.

13) Objeto do desejo? tá ficando muito difícil isso aqui... seria um desejo material? quero uma mini-academia pra começar a malhar. mas não hoje! quem sabe amanhã... ou depois.

14) O que vai comprar hoje? nada. no máximo alugar um filme.

15) Qual sua última compra? uma jarra de clericot!

16) A última coisa que você fez? um sanduíche.

17) O que você está usando? pijama. haha. claro! e pantufas!

18) Quem está com você agora? ninguém.

19) Seu cachorro? o zeca, tá pela casa.

20) Seu computador? sei lá, sei q funciona.

21) Seu humor hoje? tô com o humor: "sei lá". mas até que feliz porque comecei a ler um livro muito legal e isso mexeu muito comigo de manhã.

22) Com saudades de alguém? ô!

23) Seu carro? esse tem histórias... já andou em dunas e atravesou o país. guerreiro!

24) Perfume que está usando? um creme de vinho que ganhei de aniver.

25) Última coisa que comeu? o tal do sanduíche que falei.

26) Fome de quê? de nada. absolutamente.

27) Preguiça de… ? de tudo. absolutamente.

28) Próxima coisa que pretende comprar? que questionário consumista! sei lá, uma passagem de trem.

29) Seu verão? ah, o verão...

30) Ama alguém? pra caramba.

31) Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? agora há pouco no msn.

32) Quando chorou pela última vez? sei lá. no meu aniver semana passada eu acho, com algumas mensagens.


Repasso para os blogueiros vizinhos que queiram se aventurar:




"Onde estou não é sempre e o que sou é por um triz"

(Cleonice Braz)


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11 Agosto 2009

requintadas harmonias


Estou cheia de sentimentos não elaborados e momentos não terminados. Eu mesma sou uma pessoa inacabada, indefinida. De infinitos 'ins'.
É possível a própria indefinição definir a pessoa?
Sou o retrato do instante agora, e quando me defino sou apenas uma pessoa que se define. É sempre movimento, e mesmo aquele milésimo de segundo que a câmera registra, é movimento.
Sou um conjunto de retratos antigos, mofados e revirados, mas que agora descansa numa caixa qualquer que eu embalei com cuidado no canto da sala. E que só é lembrada quando é preciso tirar o pó. Não, nunca tiro a poeira da caixa pela caixa em si, como se ela tivesse uma importância maior que os outros objetos da sala. Tiro a poeira da caixa quando os outros objetos requerem limpeza e organização, e então a caixa se beneficia da faxina para harmonizar-se com todo o resto.
O passado não me diz quem sou ou quem posso ser. Nem o presente. Por isso não há definições nem previsões.
Definir é delimitar, e dar fim, e eu sou feita de recomeços.

Sophia Compeagá


"mas não é difícil congelar a cena,
é quando as folhas não pousam no chão,
e os braços ficam suspensos no ar,
num abraço que ela não terminou".
(Rita Apoena)

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08 Agosto 2009

equilíbrio distante



toda força que coopera para o desequilíbrio traz consigo a proporção necessária, ainda que potencialmente, para seu reverso. a doença e sua cura, o trauma e sua superação, o enigma e seu segredo, o problema e sua solução, a dúvida e sua resposta. mas é preciso atuar sobre todos eles, repassá-los, tocá-los, explorá-los para que se dissolvam e desapareçam. e então, quem sabe, deixem atrás de si algum aprendizado.
mas há experiências a partir das quais nunca mais se volta ao estado anterior. elas te expõem a tantas verdades antes escondidas, que o equilíbrio anterior se torna muito distante, quase inalcançável. é quando a realidade mais assustadora vem à tona. quem se é.

sophia compeagá

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03 Agosto 2009

do que cala

às vezes as palavras falham mas o silêncio não basta.
é o coração que aponta a inutilidade de se nomear
o que nem ao menos se pode descrever.

sophia compeagá


'tem certas coisas que eu não sei dizer...'

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27 Julho 2009

26th

aniversário chegando. o vigésimo sexto.
aquela idade em que saímos dos 'vinte e poucos' e saltamos pros 'vinte e tantos'.
ou 'quase trinta'...
e tudo que mais desejo é manter viva em mim a capacidade de me surpreender. especialmente com o que é mais lógico e banal das coisas diárias. o que talvez seja um grande desafio.
se conseguir enxergar os novos detalhes de cada momento então vivenciarei a travessia do tempo e saberei conceber o presente como tal, um presente.

sophia compeagá



"eu gosto de viver.
já me senti ferozmente, desesperadamente,
agudamente feliz,
dilacerada pelo sofrimento,
mas através de tudo ainda sei,
com absoluta certeza, que estar viva é sensacional."

(agatha christie)

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14 Julho 2009

há muitas distâncias em mim

"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas".
(Rita Apoena)

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06 Julho 2009

decola... dê-colo?



passagens compradas. zeca vacinado (sim, ele vai). malas idealizadas.
é que eu monto a mala na minha cabeça antes de começar a arrumá-la de verdade...
coleiras do zeca, shampoozinhos, ração, bifinhos, remédios (ele enjoa na viagem).
e eu tô realmente preocupada por ter de deixar ele no porão do avião. se fosse pela outra empresa aérea, ele poderia vir comigo no colo, mas nessa é proibido. tadinho...

hoje vou na análise. claro, também me preocupo comigo.
além disso já fui no psiquiatra também. semana passada. pela primeira vez.
porque tive que me deparar com uma coisa que parece absurda, mas é real. meu medo de voar que eu nem sabia que tinha.

provavelmente hoje na análise eu não faça como na outra sessão em que falei do zeca, dos medos do zeca, dos enjoos do zeca, das consultas do zeca, da nova case do zeca que é uma graça.
e só depois de me enrolar, no final, tocar no assunto emergente, esse medo de voar...

na verdade adoro voar, e acho o máximo ver daqui de baixo os aviões pousando e decolando, mas adoro a vista lá de cima também. meu maior problema é o pouso.
a trepidação, o chão chegando, a incerteza da desaceleração, o barulho do reverso... pânico total!

semana passada, assim que saí da análise entrei no ônibus (e em Porto Alegre os ônibus são interessantes, eles têm várias poesias pelas janelas, algumas conhecidas, mas a maioria não), e me deparei com esta:

"biruta: a intensidade dos ventos se mede pela vontade de ficar". (de paulo madureira)

minha paranóia quase me permitiu achar que a minha analista tinha ido lá mais cedo colar aquele cartaz, bem em cima do meu assento, onde meus olhos não podiam evitar ver.

já contei que tenho (pavor e) paixão por tornados? na verdade qualquer vento ameaçador me amedronta. e fascina... é coisa de gente biruta mesmo.
mas dessa vez não é o vento, é o pouso...

demorei mas entendi a pergunta que ela me fez pouco antes do final de uma das últimas sessões... qual é mesmo o nome da cidade pra onde você está indo?
é Pouso Alegre, Minas...


sophia compeagá





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03 Julho 2009

2 inteiros



não quero metade nem resto,
quero o todo, quero tudo.
teu riso, tua lágrima,
teu choro e gargalhada,
teu silêncio, sussuro e grito
qualidades e defeitos...
tua doçura e até o humor mais rude,
tuas manias e loucuras,
tuas obsessões e teu lado avesso, travesso...
tuas dúvidas, e mesmo aquilo onde você menos está:
nas tuas certezas.
e quero caminhar contigo,
mesmo que às vezes um vá na frente,
as mãos se separem, voltem a se entrelaçar,
um se enrosque, o outro se atrase,
um desande, o outro se perca,
um cambaleie, o outro siga ziguezagueando...
linhas paralelas nunca se cruzam.


por sophia compeagá



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30 Junho 2009

Lista dos desejos





Este selinho, oferecido pela Janaína do Mais Um , é como uma corrente entre os blogs e quem recebe deve passar adiante...

As regras dele são:
1) A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer até o fim da vida;
2) É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas e é necessário que a pessoa explique as regras do jogo;
3) Ao finalizar, devemos convidar oito blogs;
4) Deixar um comentário para quem nos convidou.

Então vamos lá com a lista...
Parece simples mas não é, principalmente pra mim que não sou de fazer planos.

Acho que o primeiro deles é terminar bem minha faculdade, tendo aproveitado tudo que ainda está por vir na minha formação, os estágios, as aulas, toda e qualquer experiência;

Segundo é curtir muito a região sul, onde moro agora. Sabe-se lá, nessa nossa vida nômade, até quando vamos ficar por aqui. Mas espero que por uns bons anos ainda;

Em terceiro, e à longo prazo, é ter um filho. E tempo pra cuidar dele;

Em quarto, trabalhar. Muito! E continuar meus estudos sempre;

Em quinto, e bem subjetivamente falando, quero me sentir útil. Não só no trabalho, mas em qualquer atividade ou relação. Quero, no final de tudo, sentir que vivi intensamente. E acredito que isso se valha mais das pequenas coisas do dia a dia do que de um grande feito;

Em sexto quero conhecer alguns países. Sei que não vai dar pra dar a volta ao mundo, mas um que tenho certo como escolha é a França;

Em sétimo desejo longa vida aos meus;

Em oitavo quero uma bota nova e um chinelo, porque o Zeca destruiu todos...

Os blogueiros para quem repasso o selo são:
Amanda Soares
Márcio Beckman
Bruna Matos
Dani Cabrera
Sara
Vanessa

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26 Junho 2009

bem concreta e verde...

estou feliz. uma alegria mansa, clara, calma, quase um suspiro.
não uma alegria eufórica, gritante, confusa, advinda das coisas que surpreendem e desorganizam, mesmo em função de um grande acontecimento!
mas sim, estou vivenciando um grande momento. e sinto a alegria de alguém que fez por merecer, de alguém que construiu aos poucos a obra que agora observa ao longe. e reconhece.
buscar reconhecimento demais fora de si, é ter falta de reconhecimento dentro. pois então é chegada minha vez de contemplar...
e estar feliz por saber que o melhor ainda está por vir, e que toda a paciência que cultivei será recompensada.
estou feliz. quieta, cá, no meu canto. mas feliz. (assim, sem exclamações...)




sophia compeagá


p.s.: uma de minhas violetas floresceu esta semana... depois de 1 ano, agora que o sol voltou a nascer na janela da cozinha e bater nelas de manhã. não é uma graça?

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"aqui em casa pousou uma esperança. não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. mas a outra, bem concreta e verde: o inseto"
(clarice lispector em 'felicidae clandestina').

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16 Junho 2009

dos laços

Existe um termo que ouço muito na faculdade e acho interessante, "amarração", que significa a capacidade de união de dois conceitos ou ainda, a união do conceito à prática. Uma coisa está amarrada quando o conceito se completa e se esclarece, principalmente conceitos que vão se complementando aos poucos até que se chegue a uma compreensão mais global do assunto, o que é comum nas disciplinas. Claro, essa é a minha amarração a respeito do termo!
De tanto ouvir e pensar sobre a estranheza da expressão, lembrei de quando era criança e de quando aprendi a amarrar meus próprios sapatos. Parecia uma coisa tão absurda na sua complexidade, e minha mãe era capaz de fazer aquele laço - que vinha depois do nó e era formado por dois outros semi-laços - numa velocidade incrível! Enfim aprendi! Mas o valor à nova habilidade não durou muito, logo passei a esconder o cadarço do tênis embaixo da palmilha, como faço até hoje, e o encanto do laço no sapato se perdeu!
Hoje penso que, mais difícil que aprender a amarrar os próprios sapatos, é aprender a desamarrá-los. No mundo subjetivo os sapatos não só deixam de servir por estarem menores que nossos pés, mas também por estarem maiores e pesados demais. E as desamarrações então se fazem necessárias.
Estou aprendendo a desamarrar os meus. Talvez com um pouco de atraso, talvez no tempo certo das minhas necessidades.
Mas aprender a desamarrar e abandonar velhos calçados é imprescindível para que se possa caminhar com os próprios pés e escolher os próprios caminhos.


Sophia Compeagá

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10 Junho 2009

das constatações


Deve haver um tempo certo para tudo. E não falo de destino nem nada parecido, falo sobre a gente não se dar conta de certas coisas - mesmo aquelas que estão no nosso nariz com uma seta verde-fosforescente enoooorme e piscante - até que estejamos preparados para tal.
A aceitação de uma idéia desagradável, a constatação de um fracasso ou a admissão de uma culpa só se dão quando de alguma forma a gente se sente protegido o suficiente para acolher a nova informação.
Mas há casos em que essa regra não se aplica, é quando vem a vida e nos empurra para certas situações em que somos obrigados a aceitar algumas verdades, goela a baixo, à seco, insípidas.
Como um tapa na cara a realidade se apresenta sem nenhuma sutileza.
Então a ficha cai, a casa cai, a gente cai.
'A pior queda é cair em si mesmo'.


Sophia Compeagá

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27 Maio 2009

do estranho

tantas vezes a gente finge ser normal sem se lembrar de que normal mesmo é ser diferente.
e finge com tamanha força que acredita na própria mentira e também a espera dos outros.
vou criando meus dias, me recriando entre os dias,
dia sou, dia não sou, às vezes estou onde não sou.
quase nunca estou onde sou.
às vezes há encontro.
estranha essa coisa de existir.

sophia compeagá

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14 Maio 2009

In-sights

"Ele gostava tanto dessas palavras começadas por ininvisível, inviolável, incompreensível - que querem dizer o contrário do que deveriam. Ele próprio era inteiro o oposto do que deveria ser. A tal ponto que, quando o percebia intratável, para usar uma palavra que ele gostaria, suspeitava-o ao contrário: molhado de carinho. Pensava às vezes em tratá-lo dessa forma, pelo avesso, para que fôssemos mais felizes juntos. Nunca me atrevi. E, agora que se foi, é tarde demais para tentar requintadas harmonias".

(Caio F. Abreu em “Os Dragões não Conhecem o paraíso”)

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06 Maio 2009

Com-tradições

Falei tanto sobre felicidade e infelicidade nos últimos posts mas, noto agora, acabei por não concluir muita coisa. Disse, desdisse e contradisse-me um punhado de vezes, sem fazer-me compreender.
E é assim mesmo, as palavras nunca se esgotam e o desejo de se entender nunca é totalmente satisfeito. Afinal, quem pode tocar palavras?
No final, tudo acaba parecendo uma grande hipocrisia. E talvez seja mesmo. Mas achar todo mundo hipócrita é outra forma de ser.
Eu acho. E sou!
Se hipocrisia for ter em desarmonia o que se diz, pensa e faz, então sou a própria personificação da palavra. Além do mais, todo mundo sabe que quem repete demais as mesmas coisas, ainda não tem claro para si o que quer dizer. Cá estou novamente!
Mas, voltando à questão da felicidade, acho que a dificuldade em defini-la está na necessidade que temos em dicotomizar tudo, separando as palavras sempre em pares de opostos. Só que a vida não é assim, e nos prova todos os dias que os opostos se encontram e se complementam.
O sofrimento faz parte da vida e o ser humano precisa desta tensão que o perpassa continuamente, desta insatisfação que nos leva à algum lugar. O que nos move é o desejo, e o desejo nasce da falta.
Naturalmente este tema mobiliza. Como dizer que a felicidade, universalmente considerada como o horizonte da vida, não existe?
Acho que no final o grande aprendizado da vida consiste em simplificar os problemas, e simplificar-se a si mesmo. O que mais nos faz sofrer é achar que somos especiais demais, diferentes demais, tanto inferior quanto superiormente. Não que eu tenha alcançado este estado de compreensão e desapego dos meus problemas... devo estar bem longe disso. Ainda dou muita importância às minhas dores e conflitos e este blog é a prova viva disso. Mas já me dei conta desta minha desfunção, e este já é um grande passo!

Enfim, só sei falar de mim.
Eis aqui um blog egoísta e hipócrita de um ser humano estranho e confuso com um tremendo desejo de explorar as contradições do viver.







Sophia Compeagá








"- O que é que se consegue quando se fica feliz?, sua voz era uma seta clara e fina.
A professora olhou para Joana.- Repita a pergunta...?
Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros.
- Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi.
- Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? - repetiu a menina com obstinação.
A mulher encarava-a com surpresa.
- Ser feliz é para se conseguir o quê?
(Um dia - Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector)

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26 Abril 2009

Super Zeca




"(...)Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana. Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais agradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis antigos como Aquiles e Heitor..." (Freud, 1926)





É, Zeca não é lá um nome de grandes origens...
Mas meu Zeca se torna herói nas tantas vezes em que me salva... especialmente de mim!
Com suas peraltices fora de hora está sempre me lembrando de não levar a vida tão à serio.
E acabo me dando conta de que talvez eu também ME leve à sério demais...
E é atribuindo tanto valor à coisas tão simples, como o reencontro do final do dia,
que ele me aponta a urgência de viver!

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09 Abril 2009

da repetição



Já não sei mais se realmente nossa evolução se dá por fases e fases que se sobrepõem e cada vez nos expõem a desafios maiores ao mesmo tempo que nos preparam para enfrentá-los.
.
Fatalmente tenho constatado que o que realmente nos move (ou estagna, mas nos mantém em pé) seja um estranha força gravitacional que nos atrai para um mesmo ponto e funciona enquanto nos mantemos engrenados no seu eixo, mas que, por alguma razão, pode deixar de funcionar e nos fazer, em vão, girar soltos sobre uma mesma energia que não se altera, que não se modifica, e nos faz fatigamente repetir os mesmos erros.

Mas que crescimento haveria nisso, mesmo que a engrenagem funcionasse?
Talvez estejamos falando de um espiral ascendente onde, embora esteja cada pessoa pré-destinada a girar no mesmo ângulo, de alguma forma esta energia nos eleve, e nos leve a alguma evolução.

Ignore qualquer teoria, a única certeza que tenho é de que saí do eixo. E que gradualmente tenho tentado retornar (se é que algum dia eu já estive no meu total equilíbrio e funcionamento). E já não sei dizer se há, sequer, força gravitacional alguma sustentando e integrando meus sentimentos, pensamentos e ações.
Não sei onde parei, e talvez seja esse deslocamento que me faça repetir e repetir a mesma história na tentativa de integrar alguma coisa e me tornar UMA.

Mas quem sabe Clarice esteja certa quando diz que na repetição acaba-se cavando pouco a pouco.
Quem sabe eu esteja sim no caminho certo e seja este apenas mais um momento de desafio, daqueles que nos põem em cheque e nos obrigam a enfrentar os riscos para depois nos fortalecermos com a experiência.

Talvez esteja eu, como Dorothy, trilhando a estrada de tijolos amarelos que me levam a Oz. Ou talvez esteja já em vias de me encontrar com o Mágico que me indicará o verdadeiro caminho de casa. Ou talvez esteja ainda dentro do tornado...

Acabo de me dar conta, os tornados também têm a forma de espirais...
.
Por Sophia Compeagá




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08 Abril 2009

Da sublimação (desta vez da 'sublimação química' mesmo)


Desisti de tentar ser feliz e escolhi viver.
A felicidade me soava como uma estagnação, e a obstinação em ser feliz me exigia um controle absoluto sobre atos e escolhas, e eu já não sei mais se quero fazer sempre as escolhas certas. Sem falar que quanto mais se tenta controlar alguma coisa, qualquer coisa, mais esta lhe escapa, inevitavelmente.
Por isso eu digo, felicidade mesmo, em estado sólido não existe. Felicidade é líquido, que não se vende em frascos...
O que eu quero e decido agora é viver da forma mais consciente possível.
Afinal, ser feliz é ouvir o anjinho ou o diabinho dentro de mim?

Eu escolhi viver, e escolhi impor respeito pelas minhas escolhas.
Pode até ser que a felicidade bata na minha porta em decorrência disso, mas que eu saiba que ela é passageira, e não tem morada.
Não que eu queira a infelicidade, ou que eu viva colecionando cicatrizes, só não quero me acomodar, até porque felicidade é coisa tal com a qual ninguém se acomoda. Como água, adquire a forma do seu receptório e, se a tentamos prender, nos escorre pelos dedos...
Talvez felicidade exista, mas tenha vida própria, e vague por aí visitando pessoas distraídas.

Com tudo isso o que eu quero dizer é muito simples, não quero me distrair, mas também não quero controlar. Só quero sentir que estou vivendo minha história ativamente. Para que no fim eu saiba que vivi à minha maneira, e se valer a pena, foi porque eu fiz ser assim.
.
Por Sophia Compeagá

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03 Abril 2009

Sobre cartas, irmãs e saudades...

Por Clarice Lispector


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo.
Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...
Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força.
Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver.
Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer.
Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão.
Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige.
Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

(Carta escrita por Clarice à irmã em 1947 quando em Berna - Suiça se dizia com saudades do Brasil)





Por falar em carta à irmã e saudades, hoje a Leilane faz 20 anos!
Aff... o tempo passa! Ainda guardo viva a lembrança daquele toquinho de gente que descascava a cara das minhas bonecas.
Mas esses traumas a gente nunca esquece mesmo! =D

Querida ir, é muito bom poder contar com sua amizade que, independente do laço familiar, é sincera e incondicional. Amo e admiro sua espontaneidade, sua honestidade (isso tivemos onde aprender), sua franqueza (bota franqueza nisso) e dedicação em tudo que faz e com as pessoas à sua volta. Ser sua amiga é um privilégio, ser sua irmã é uma bênção!


Te amo muito, Nanyka!
Parabéns pelo seu dia!
Morro de saudades...

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27 Março 2009

Que ninguém se engane...


De todas as coisas do mundo o que realmente importa é o que realmente importa.
Ser a pessoa ideal e ter a vida "perfeita" agrada a todos menos a nós mesmos.
Não interessa se você casou virgem, torce pro mesmo time de futebol desde pequenininho e cursou a faculdade dos sonhos do seu pai se estes valores não forem realmente os seus, ou se nunca ousou questionar-se sobre eles.
O melhor da vida é reconhecer que é impossível agradar a todos, e a partir disso se abrir pro que há de vir. Porque quando se é flexível e espontâneo, se aprende a reconhecer e aproveitar as melhores oportunidades.
Quem vai fundo na vida aprende que o impossível acontece, e que se tivermos fé as coisas podem vir a melhorar. E que fé não é a crença em algo maior fora de nós, mas dentro. É aquilo que não nos deixa desistir de nós, mesmo que a realidade não aponte muitas saídas. É essa força lá no fundo que insiste em insistir.
Sejamos mais que insistentes, sejamos teimosos diante da vida, mas pacientes com nós mesmos.
Sejamos qualquer coisa mas nunca uma coisa só.
Vive bem quem desenvolve a capacidade de recomeçar.
Cada um tem um conceito de felicidade, o meu é que felicidade não existe. Perfeição muito menos.


Sophia Compeagá




"Que ninguém se engane,

só se consegue simplicidade

através de muito trabalho".

(Clarice Lispector)

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11 Março 2009

da tentativa de entender a fé


Tem fé quem aprendeu a reconhecer e aceitar a própria solidão e a ser sua melhor companhia. Tem fé quem confia que, na adversidade, terá sabedoria e leveza suficientes para escolher entre desafiar o destino ou submeter-se a ele. Tem fé quem tem coragem, e coragem se conquista.
Fé não é confiança cega de que tudo ocorrerá a seu favor. Fé é seguir adiante apesar da dúvida.



Sophia Compeagá

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25 Fevereiro 2009

Dizemos

'Dizemos aos confusos: Conhece-te a ti mesmo,
como se conhecer-se a si mesmo
não fosse a quinta e mais difícil
operação das aritméticas humanas.
Dizemos aos abúlicos: Querer é poder,
como se as realidades bestiais do mundo
não se divertissem a inverter todos os dias
a posição relativa dos verbos.
Dizemos aos indecisos: Começar pelo princípio,
como se esse princípio fosse a ponta sempre visível
de um fio mal enrolado que bastasse puxar
e ir puxando até chegarmos à outra ponta,
a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda,
tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa
e contínua em que não havia sido preciso
desfazer nós nem desenredar emanharados,
coisa impossível de acontecer na vida dos novelos,
e, se uma outra frase de efeito é permitida,
nos novelos da vida'.


Por José Saramago
.
.

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23 Fevereiro 2009

Sobre cães, aniversários e rimas estranhas...



Este blog vai fazer 2 anos!
Embora eu não tenha "comemorado" seu aniversário de 1 ano, vasculhando as postagens antigas, notei que foi justamente no primeiro aniversário que comecei a escrever. Até então eram apenas citações, textos de outras pessoas, já que a proposta inicial da postagem de apresentação era justamente essa.

Timidamente passei a publicar minhas próprias coisas. E eu as chamo assim, de coisas, porque prefiro não nomear essas palavras soltas como poesia ou dar qualquer outra descrição. Não me acho nenhuma escritora ou poeta (apesar de ter encontrado no dicionário "aquele que devaneia" como um dos significados de poeta e ter me identificado muito).


Nem sei se comunico alguma coisa, não sei se me faço entender. Na verdade me preocupo pouco com isso.

Refletindo sobre o sentido deste espaço pra mim, percebi que escrever aqui proporciona aquilo que eu já citava na minha
primeira postagem, de que publicar poderia vir a ser uma forma de organizar pensamentos, idéias e sentimentos.
Mas o diálogo que se dá aqui é sobretudo interno e não uma idéia pronta para ser anunciada. É, antes, algo em andamento e construção, e neste caso novamente fujo às exigências literárias, já que a principal descrição para escritor que encontrei é: autor de obras. Acontece que o que escrevo fica sempre inacabado... e talvez por isso também seja sempre angustiante.
Houve produções sim, mas num outro plano. E descobertas!

A exemplo disso, me ocorreu hoje um fato interessante. Já comentei aqui que o filme 'Mágico de Oz' tem um significado especial na minha história. E como se não bastassem os tornados invadindo meus sonhos, minhas manias com sapatos e pés, as idas e vindas que me apontam uma verdadeira jornada a ser percorrida dentro de mim, e os tantos outros símbolos deste filme que me fazem tanto sentido, me dei conta hoje da semelhança entre
Toto (o cachorrinho da Dorothy no filme) e o Zeca, meu novo cãozinho. Segue a história:

Quando meu marido e eu decidimos ter um cachorro, a intenção era adotar uma fêmea. O nome há muito tempo já havia sido decidido: Dorothy, e assim que soubemos que uma ninhada estava pronta fomos lá escolhê-la. Foi então que um sapequinha minúsculo nos escolheu primeiro: um machinho, uma bolinha de pelo que pulava na gente sem parar, lambia os nossos dedos do pé e era a coisa mais fofa. Depois dessa recepção não foi preciso pensar muito pra decidir quem levaríamos.

O Zeca chegou tem quase 1 mês, mas só hoje me dei conta da semelhança com o Toto. Talvez seja exagero meu, mas duvido. A raça nem é a mesma e a semelhança ainda é grande ao meu ver.

Não há nada demais nisso mas a cada dia descubro uma nova “coincidência”, um novo detalhe do filme me influenciando.
Acabei me lembrando também de quando era criança e inventava umas musiquinhas muito sem ritmo que incluíam um cachorrinho que chamava Toto... Nelas eu rimava ‘revólver’ com ‘cadeia’ e ‘Toto’ com "garda-rôpa". Vai entender...

E o que isso tem a ver com o aniversário do blog? Tudo! É por estes “detalhes” tão gostosos (e as vezes sofridos) de serem descobertos (ou paridos) sobre a gente mesmo, e que só vêm à tona quando se põe a investigá-los através da narrativa, que vale a pena continuar a escrever, a buscar e a me encher de coragem para fazer as perguntas certas.



Por Sophia Compeagá


*Este é o Zequinha! Malucão, morde tudo que vê, se aperfeiçoa a cada dia em escalar móveis e tem feito a alegria dos nossos dias!

Aproveitando a ocasião quero agradecer as visitas que recebo! Vocês sempre serão muito bem-vindos por aqui, assim como qualquer crítica ou comentário que possam ser sementes ou frutos de qualquer insight! Beijos à todos!


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10 Fevereiro 2009

Metalinguagem


De uns tempos pra cá, passei a me preocupar muito com a origem de tudo que eu leio, quem é o autor, sua formação, motivos que o levaram a escrever sobre o assunto... Claro que nem sempre consigo me informar sobre tudo isso, mas entender a história da criação da obra é tão importante quanto propriamente lê-la.

Tive um professor que sempre nos dizia para que selecionássemos muito bem aquilo que líamos, e hoje acredito mesmo nisso... Por mais que tenhamos um olhar severamente crítico sobre tudo, muita coisa passa despercebida e somos influenciados por aquilo que captam nossos olhos.

Muitas vezes começo a escrever (aqui mesmo neste espaço) e raramente sei no que vai dar. Começo com uma idéia vaga, um insight pobre, que vai evoluindo e terminando numa coisa totalmente diferente. Às vezes até duvido de que quem escreva realmente seja eu.

Mas o motivo mesmo de eu estar falando isso é que tenho me impressionado ao notar as coisas que acontecem neste processo. Sinto que escrever é como prever o futuro, envolve uma intuição que o próprio autor desconhece e não tem o menor domínio.

Quando leio coisas passadas (neste caso também envolvem minhas "antiguidades", que não constam aqui) vejo que muitas coisas que eu escrevia falavam de coisas que ainda viriam a acontecer. Textos que pareciam pobres e quase sem sentido, depois de um tempo, ganhavam todo o sentido do mundo e saíam do papel flutuando, vindo pousar sobre minha história real.

Minha vida sempre esteve envolvida em algum tema, e estes às vezes duram anos. E é preciso explorá-los muito, falar deles, questionar e escrever para que se dissolvam, e outro tema venha ocupar meus dias.

É interessante notar que estes temas se sobrepõem, como se um fosse complemento do outro. E mais interessante ainda é ver que não são só pensamentos, mas fatos, pessoas, leituras, que surgem do nada, trazendo algo desta mesma natureza para que eu possa experienciar... contracenar tornando-me a protagonista de um filme perfeito, com começo, meio e fim.

Justificando novamente, escrevo isso porque acho que acabo de encerrar um ciclo, que me proporcionou intensas experiências e grandes aprendizados, assim como noites insones, duros questionamentos e dolorosas constatações.

Se não fosse pelo meu prazer em ouvir pessoas, em solucionar problemas, em entender as coisas e sobretudo minha capacidade de empatia, eu desconfiaria de que fiz Psicologia para me auto-analisar porque estou o tempo todo questionando meus atos, palavras e sentimentos. Se isso é legal ou não já não sei dizer, talvez leve para a próxima sessão de terapia... Mas que faz minha vida mais interessante, isso faz!

Por Sophia Compeagá



"Na minha cabeça é assim:
pensamentos enfileirados
por ordem de tamanho,
obedientes e organizados,
cada um esperando sua vez.
Enquanto o da frente não avança,
os de trás não se adiantam.
Mas há dias em que saltam para fora
de mãos dadas, juntos, muitos,
de uma só vez.
- Com cautela pequeninos! Demais assim é suicídio!
A razão só nasce bem por conta gotas!"

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09 Fevereiro 2009

se desejas escrever sobre humanos...


“Meu jovem, se desejas escrever sobre seres humanos,

a melhor coisa é ter um casal de gatos.”

( Aldous Huxley )
* Na foto: Zequinha

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08 Fevereiro 2009

Rótulos são para geléias


Algumas verdades são duras de se aceitar, e, mesmo consciente delas, demora-se um pouco para permitir que elas façam parte da gente, sejam digeridas, interiorizadas. Para a maioria das pessoas nunca é!

Recentes leituras e experiências me fizeram rever muito de meus conceitos e valores sobre mim mesma e tudo a minha volta, e, chegar a algumas conclusões sobre o sentido da vida (que, passei a crer, é não ter sentido mesmo).
Não quero ser hipócrita, ainda não internalizei muito destas coisas, mas eis algumas das, simples mas indigestas, afirmações de que falo:

Você não vai mudar o mundo! Você não é mais importante ou especial que o resto das pessoas. Você é mais um!
Você pode fazer o que você quiser! Pode ir atrás de seus sonhos, realizar seus desejos. Ninguém define sua vida, seus valores... a não ser que você permita!
Você tem o direito de ser respeitado e pode brigar por isso!
VOCÊ É LIVRE!

Entrar em contato com nossos verdadeiros desejos impõe-nos a responsabilidade por nossos próprios atos e experiências. Mas na maioria das vezes nos vemos tentando colocar a culpa de nossos fracassos e dores em alguém ou alguma coisa fora de nós.

Sigo vendo as pessoas se consolarem ou estimularem umas às outras com alguns adjetivos contraditórios: "você é insubstituível", "você é especial" ... Como se fosse mesmo trazer algum benefício.

Para mim, nos sentirmos insubstituíveis só nos faz tentar nos manter no mesmo padrão. Nos implica numa obrigatoriedade, num dever, numa imagem fixa de si mesmo, num sintoma.

O que eu preciso é me livrar dos rótulos "positivos" assim como me livrei dos negativos.

Depois de um tempo adquirimos maturidade para questionar se o que foi aprendido durante a vida é realmente a nossa opção. É chegada a hora das grandes escolhas... e talvez seja preciso fazer algumas mudanças.

Toda mudança é complicada e sofrida, mas mudar permite refazer sua história à sua maneira.
Já dizia Lacan "na recusa nasce o sujeito".
E ao final você saberá que viveu uma vida de verdade.

Por Sophia Compeagá




"Cuidado com os seus pensamentos, eles se transformam em palavras.
Cuidado com suas palavras, elas se transformam em ações.
Cuidado com suas ações, elas se transformam em hábitos.
Cuidado com seus hábitos, eles moldam seu caráter.
Cuidado com o seu caráter, ele controla seu destino"

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04 Fevereiro 2009

Nuance



Ando querendo escrever algo alegre, querendo registrar as marcas coloridas das últimas vivências, mas não consigo.
Alegria é combustível para pés, porque na alegria há música e dança. O que movem minhas mãos são mesmo melancolia e confusão. Na maioria das vezes é por eles que me ponho a escrever, dedilhando teclados, decifrando dores e dúvidas.
Enquanto a tristeza questiona, a alegria não vê necessidade de entendimento. A alegria não precisa ser traduzida, tem poucas letras, é isenta de mistérios, não tem segredos.
Alegria é porta aberta, coração escancarado, sorriso largo. É cor, é imagem, enquanto a tristeza é palavra, é linguagem.
Alegria é ventre, é entrega, é liberdade. É estar, é presente! Tristeza é passado e futuro, ausentes...
A alegria É, a tristeza processa.
Alegria é excesso, tristeza é falta...
E eu me pergunto: O que seria de uma sem a outra?
Mas não quero questionar... a alegria está em mim, pura e leve, e não sei até quando. Por enquanto vou ouvir esta música desprovida de letra.
E talvez amanhã quando acordar eu possa falar dessa mágica sensação de não saber, e quase nem ser.


Por Sophia Compeagá




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09 Janeiro 2009

Do direito ao grito


Algumas pessoas não aceitam a felicidade, ainda que passageira. Rejeitam qualquer alegria não porque suas tristezas sejam maiores, mas porque não se sentem dignas. Preferem adotar a postura de vítima que acaba por mantê-las na dor e que, embora seja estranho, parece mais confortável do que lutar pelos próprios desejos e realmente viver.
Foi assim que aprenderam a ser, e cresceram acreditando que é isso que merecem, ou que esta é a única oportunidade que lhes cabe. Fecham os olhos para os tantos estímulos do mundo à sua volta. Morrem lentamente.
Narcisistas. Suas histórias são as MAIS dramáticas, suas vidas as MAIS sofridas.
Não se sentem amadas e por consequência não amam a si mesmas, se culpam e se punem.
Eu gostaria de saber... é possível mostrar a elas que há sim o direito à vida, ao amor, à realização dos desejos, dos sonhos? Que há a chance de construir e viver uma vida à sua maneira, que falar alto e dar gargalhadas é permitido!?
E ainda... que se tornando assim, espontâneas e verdadeiras haverá ainda mais (muito mais) chance de serem aceitas e amadas, mas que, ao mesmo tempo, não é isso que deve realmente importar?
No fundo, se colocar nesta posição desfavorável também é uma forma de se sentir especial, e de ser notado, ainda que a partir da pena do outro.

Por Sophia Compeagá


"porque há o direito ao grito, então eu grito!"

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23 Dezembro 2008

Crisálida

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares...
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos."

(Fernando Pessoa)
.
.
É incrível como as mudanças acontecem...
Às vezes me sinto descrente delas, mas quando olho para trás vejo o quanto minha história é um tanto emocionante, cheia de mudanças e andanças.
E a gente se transforma mesmo... começa por uma pequena decisão que vai devagar crescendo e dando nova forma à maneira de viver, de ver as coisas e acaba por mudar completamente nosso destino e nossa pessoa.
Ainda bem que houveram mudanças, ainda bem que tenho essa força dentro de mim que me faz romper com meus próprios limites e medos, e crescer.
Por sorte minhas mudanças só me fizeram evoluir, porque sei que nem sempre é assim.
Mas há um momento em que a alma se aquieta, e pede sossego. Talvez porque descobre o que realmente deseja e vê que não é preciso ir tão longe para alcançar. E foca!
Ou talvez porque tenha se deparado com a mudança mais necessária, aquela que vai realmente desnudar a pessoa que se é e dar sentido a todas as mudanças anteriores, toda a história... Ou banalizar toda ela, não se sabe! E esta incerteza é mesmo paralisante...
Talvez esta paralisia, que se disfarça sob um desejo de quietude, seja covardia. Ou talvez seja somente uma exigência da alma para que a decisão da travessia seja o mais consciente possível.
Talvez...

Por Sophia Compeagá

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16 Dezembro 2008

do que me escapa...


Não sei fingir emoções, não sei esconder o que sinto,
não sei falar do que não me toca,
não sei NÃO falar do que me toca...
Sou toda histérica, tenho um corpo que fala por mim.
Não sei me fazer de forte, não sei estancar ferida.
Minha carne grita, minha dor vaza, meu olhar implora.
Me esparramo pelos olhos, impossível não me ler.
Mas tem sempre um ponto onde me escapo,
alguma coisa de ilegível e inalcançável,
estranho e misterioso que me faz desconfiar
de que seja justamente neste estranho encontro
com o desconhecido de mim
que eu surja de verdade.


Por Sophia Compeagá

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02 Dezembro 2008

dos caminhos que nos trazem a nós...


Há pouco tempo fiz uma grande descoberta sobre parte da minha história. Foi um dos maiores insights que já tive, mas ainda não entendi por completo sua influência na minha vida porque a cada dia descubro um detalhe novo.
Não quero criar muitas expectativas porque certamente este valor todo a que atribuo à descoberta cabe somente a mim!

Sempre tive um verdadeiro encanto por tornados. Sim, estes funis de vento que giram, destróem tudo por onde passam deixando claro que ninguém pode com a força da natureza. Gostaria de me lembrar neste momento qual o psicanalista que afirmou que SE TENS UM MEDO, EIS AÍ SEU DESEJO ou coisa assim... (quando me lembrar, reedito a postagem). Enfim... este encanto, admiração, medo (sei lá como nomear isto) sempre esteve presente em mim... Quando mais nova pesquisava sobre o efeito e as causas dos fortes ventos, assistia a vídeos, buscava por fotos... já nem sei mais quantas vezes assisti ao filme Twister.
E sempre me foi assim mesmo, um medo misturado com uma admiração tremenda!
Foi então que, assistindo a um vídeo do Youtube, encontrei uma cena do filme O Mágico de Oz que já havia assistido quando muito pequena mas não lembrava mais. A cena mostrava a parte em que um tornado invadia a vila e Dorothy era sugada junto com a casa em que estava, ficando suspensos e girando dentro do funil gigante.
Na hora me veio o insight! Quando muito criança assisti a este filme e me lembro de ter me causado grande medo... mas também (suponho) grande interesse já que a cena do tornado acontece no início e me lembro de detalhes que acontecem no meio e no final do filme como por exemplo dos sapatos mágicos de Dorothy que (ao final descobre-se) lhe davam o poder de voltar para casa.
Mais um insight (e um sintoma) sou fanática por pés e sapatos!

Embora este seja um filme infantil, a mensagem que tiramos aponta um conteúdo muito maduro. Três fortes personagens, além de Dorothy, contribuem para as lições da história: o espantalho que desejava ter um cérebro, mas que era inteligente e conseguia dar grandes soluções que salvavam os personagens; o homem de lata que desejava ter um coração, mas era o mais sensível de todos; e o leão que desejava coragem mas que na verdade não conseguia lidar com a coragem que já possuía, e confundia covardia com prudência.
Dorothy por sua vez tinha o desejo de voltar para casa, e junto de seus três amigos passam todo o filme em busca do mágico que lhes realizaria os pedidos.
Juntos, os quatro ilustram a dinâmica humana e os centros de força que mobilizam as pessoas. Pensamento (cérebro), sentimento (coração) e instinto (coragem) são 3 instâncias que, em equilíbrio, permitem a harmonia do corpo na dinâmica do viver. Mas há uma quarta instância tão presente quanto as outras: a tão humana e eterna vontade de voltar pra casa.

Desde o ventre de nossas mães cumprimos o destino de romper barreiras e crescer. E ainda que seja um destino humano e independente da vontade, crescer é um desafio... há que se confrontar com a própria vida e consigo mesmo.
Há em nós, acredito, um impulso de voar, mas também um forte impulso de ficar no ninho. E essas duas pulsões se conflitam continuamente.
A sucessão de enfrentamentos vai depender do contexto e da história de cada um, mas há situações que são bem comuns a todos nós. São elas: o próprio parto, a entrada na escola, nascimento de irmãos, as crises da adolescência, as responsabilidades da vida adulta, o trabalho, os rompimentos, os lutos pelos entes queridos, as enfermidades, a entrada na faculdade, promoções, mudanças, a velhice, etc...
Considero enfrentamento toda situação que altera o funcionamento normal da pessoa e que a faz sair desta fase diferente de antes (seja para melhor ou pior). É um caminho desconhecido, imposto pela vida (ou que nos impomos a nós mesmos) em que precisamos percorrer para que o equilíbrio anterior seja retomado.
Estes enfrentamentos nos exigem um sincero encontro consigo mesmo, pois nos põe em contato com o limite de nossas forças e muitas vezes nos obrigam a ir além.
É interessante notar que, embora pareça que a necessidade de enfrentamento se dê à partir da pulsão que nos põe adiante (que nos põe a voar), ela também se dá devido à necessidade de retornar ao ninho, de retomar o equilíbrio, de voltar para casa.
Muitas vezes o caminho do enfrentamento é longo e árduo e ao final descobre-se que a resolução do problema, o Santo Graal, estava mesmo lá atrás, na linha de partida. Talvez já na bagagem do peregrino antes deste iniciar sua jornada em procura de sabedoria. Mas era preciso correr todo o percurso para adquirir a capacidade de percebê-lo. Foi assim com O Alquimista, é assim com todos nós.
No fundo essa eterna vontade de ir pra casa é a voz do nosso desejo se fazendo ouvir.
As duas pulsões, apesar dos conflitos, estão indicando o mesmo caminho, o da descoberta de si mesmo através das experiências.

Tavez o Mágico de Oz seja meu grande conto de fadas! Certamente haverá muito mais ainda por descobrir da aventura de Dorothy... e de mim.



Por Sophia Compeagá

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30 Novembro 2008

do que me surge...


Quando escrevo, surge em mim
uma fala solta, autônoma, independente,
como se nem fosse minha.
Que fala à partir de mim
sobre coisas que nem eu sei,
e que muitas vezes nem quero saber.
São impotências, dores que não posso suportar
e coisas nas quais não quero pensar.
E acabo por falar do que me surge
mas que não entendo.
Quando escrevo,
meus dedos sabem mais de mim que eu mesma.
E emprestando minha dor,
me devolvem a tradução da minha angústia,
em palavras.
São frases, idéias e dúvidas
tomando vida e dando sentido
à confusos sentimentos.
Ao escrever vou me criando,
me descobrindo, me inventando.
Nada me surpreende mais
que minha própria capacidade de surpreender.



Por Sophia Compeagá

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23 Novembro 2008

da finitude...


Quis escrever um novo post sobre o mesmo assunto que o anterior, mas desta vez com minhas próprias palavras porque este é um tema que, de algum tempo pra cá, tem me intrigado muito.

A vida tem me empurrado para conclusões estranhas sobre ela mesma. Tenho me surpreendido muito com as contradições a que se submetem nossas idéias para alcançar algum amadurecimento.
Tantas vezes temos que rever conceitos, desdizer ditos, mudar pontos de vista… é como se o aprendizado exigisse que experimentássemos vários pontos de vista na ânsia de encontrar uma verdade absoluta, mas no final descobríssemos que a verdade é a soma de todas as coisas.
Isso é arriscado porque tendemos a não nos envolver com afirmações e a duvidar de tudo.

E o tema do post anterior, eternidade, mexe mesmo comigo me fazendo rever antigos conceitos sobre vida e morte e sobre o valor das coisas.
Concordo com Clarice quando associa a eternidade com o sabor do chiclete que se acaba. Clarice sempre questiona, indiretamente, o que é realmente felicidade.
E no meu ver, todas estas coisas estão interligadas.

Acredito mesmo que a finitude das coisas é o que verdadeiramente lhes atribue valor. E a felicidade é um estado passageiro.
Somos incompletos, insatisfeitos e dinâmicos, e é esta insatisfação que nos mobiliza.

A vida é essa montanha russa, que ora nos coloca lá em cima gozando da maior felicidade, e ora nos põe pra baixo e nos faz querer desesperadamente subir novamente, e para isso, empreender esforços, produzir, mobilizar-nos, até que novamente se alcance o topo...
Clarice se pergunta "... queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois?"

Nossa maior constatação de incompletude é o próprio amor. Ama-se justamente porque é impossível ser feliz por si só. Amar é buscar no outro a resposta da própria angústia.
E um bom relacionamento é aquele desobrigado. Onde não haja garantias de eternidade ou felicidade. E isto é tão verdade que tiveram que inventar dois juramentos para uniões religiosas "na alegria e na tristeza" e "até que a morte nos separe".

Sei que estou misturando as coisas, mas é que para mim elas estão juntas realmente.
Eternidade, assim como felicidade absoluta seriam a maior desgraça dos seres humanos, por mais estranho que isso possa parecer. Viver não teria o menor sentido.
É a finitude das coisas que lhes empresta "eternidade" e valor.
A maior dificuldade está em conseguir enxergar neste vazio a própria plenitude.

Em
"da eternidade das coisas findas" , uma postagem antiga, tentei expressar algumas idéias sobre o papel da morte como fundamental para o sentido da vida. Nela quis ressaltar o tempo como resultado da própria finitude dizendo que esta nos coloca diante de um futuro incerto e valioso. Também citei a ausência (morte) como constituinte da própria vida, já que penso que parte da personalidade se cria na tentativa de nos eternizarmos através de nossos feitos. E ao fim, incluí uma frase que, pra mim faz todo sentido neste (con)texto: "Eternos são aqueles que se sabem mortais!"

De lá pra cá me questionei algumas vezes sobre até que ponto essas afirmações eram mesmo válidas para mim. E de tanto pensar à respeito, percebi que minha própria vida estava sendo afetada por estas reflexões.
Tornar-se totalmente consciente da própria finitude é praticamente impossível. Freud já dizia que o inconsciente não "admite" o próprio fim. Mas, me aproximar destas questões me fizeram, aos poucos, rever minhas prioridades, valorizar minha vida e as pessoas que fazem parte dela, assim como desfazer-me de coisas que não me traziam nenhum benefício.
Não, não estou dizendo que resolvi todos os meus problemas. Mas ainda que fosse dolorido pensar nestas coisas, sem perceber, trouxe mais VIDA para minha vida.


"É quando ela, a mais carente de sentido,
dá sentido a todas as coisas.
A mais carente de vida,
dá vida a todas as coisas.
Afinal, não é preciso morrer
para nascer-se de novo."




por Sophia Compeagá




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19 Novembro 2008

da eternidade...

De Clarice Lispector

"Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim."

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31 Outubro 2008

do discurso...


Definitivamente, falo pelos cotovelos. Falo sozinha, falo com minhas plantas, puxo conversa com estranhos, falo sem pensar, falo pensando, penso falando.
Tenho dificuldades para conceber um raciocínio mudo.
Também adoro ouvir, aprecio sotaques, reconheço aptidões musicais, ADORO ouvir histórias. Reais ou não. Talvez eu seja mesmo muito "auditiva".
Da mesma forma, as coisas mais irritantes pra mim são as que me chegam pelo som, pela voz, ruídos que tiram o sono, palavras cortantes, músicas ruins...
Falar, pra mim, assim como escrever (e, sim, eu escrevo e leio imaginando vozes) é uma forma de me organizar, me expressar, me construir juntando os fragmentos dos pensamentos que flutuam no meu mundinho aqui dentro.
Nesse sentido, falar é descobrir, desvendar, conhecer... a mim, o mundo, as pessoas.
Acho que falo perguntando.
Inclusive acho que passo a imagem de uma certa insegurança, porque raramente duvido ou discordo das pessoas e dificilmente afirmo uma coisa com ares de certeza. E se digo alguma coisa num tom de muita imposição, logo desconfio de mim mesma.
Não que não tenha meu próprio modo de pensar, ou que mude-o de acordo com o que ouço por aí. Mas acredito e respeito a lógica interna das pessoas. Assim como sou muito grata à quem me critica.
Porque aí está uma das coisas que menos aprecio nas pessoas: a mania de querer impor seu modo de pensar aos outros, seja por prazer ou por necessidade. O mais (ou menos) interessante é que, normalmente, estas pessoas discordam de tudo. Até de quem concorda com elas, porque não param para ouvir a opinião do outro. Falam sozinhas, mas não falam para elas mesmas. Falam somente para (se) afirmar.
Quando disse que desconfiava de mim mesma ao passar perto de ter uma atitude destas, é porque acredito que, afirmar demais uma coisa, é uma forma de apontar o quão frágil me coloco diante daquela questão. Do quanto aquilo me incomoda, e da INcerteza destas afirmações.
O nível de agressividade expressado é equivalente ao grau de ameaça a que se acredita estar submetido.
Pessoas assim têm dois destinos, ou ficam sozinhas - porque não constroem relações de crescimento, aceitação e troca - ou ficam rodeados de gente insegura que mal entendem do que falam, mas lhe dão ouvidos.
Minto, gente assim também atrai gente semelhante... Posso imaginar (ouvindo as vozes, claro) como seria um diálogo desse tipo. Dois monólogos completamente desencontrados, assuntos de naturezas diferentes, como se falassem de política e jardinagem ao mesmo tempo. Ruídos...
Gente assim eu descarto. Mas aprendo com elas.
Acho que acabo de criar minha teoria das grandes discussões. Não acredito em discussões, não gosto de me envolver em grandes debates... a não ser como ouvinte, claro! Porque é impossível chegar a grandes conclusões tendo que mudar de posição sem repetir e repassar a idéia por algumas vezes na cabeça. E isto não acontece num único dia. Envolve descontruir e reconstruir idéias.
E nossas convicções são importantes para nós. Não parece, mas SIM, eu penso desta forma! Só não aceito tomar posse de uma idéia que no final vai tomar posse de mim.
Por isso admito que, embora esteja aqui justamente criticando, eu mesma muitas vezes defendi idéias com unhas e dentes, quase que literalmente. Mas depois de um tempo percebi que estava deixando de ser eu, com minha inteligência e capacidade crítica, para adotar uma idéia pronta sem a chance – ou pior, a permissão - de questioná-la ou contrui-la a meu modo.
Hoje procuro ouvir, não só o que as pessoas dizem mas também aquilo que não dizem (não estou falando de analisar e interpretar... coisa de psicólogo, credo! rsrs). Falo de ouvir a emoção que a pessoa traz através do que fala, e, sobretudo, de respeitar seu modo de expressar e pensar.
Porque há uma lógica em cada discurso e uma razão pela qual falam.



By Sophia Compeagá
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"Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim"
(Clarice Lispector)

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18 Outubro 2008

Simplificar-se


Para a psicanálise, quanto mais complexo for o aparelho psíquico, mais condições se terá de enfrentar situações difíceis. Ou seja, quanto mais problemas você vivenciar, sobretudo na infância, mais capacidade você terá de enfrentar novas situações problemáticas na vida adulta.

Não teme o fogo quem desceu ao inferno. Não teme a chuva quem carrega dentro de si a marca de grandes tempestades.

Claro que há casos em que o efeito se dá de outra forma, traumática, quando a pessoa não consegue dar sentido a certas vivências e integrá-las a sua história de vida. E ao invés de promover maturidade, impede a pessoa de evoluir em alguns aspectos.

Mas a vivência de complexidades nos dá recursos para simplificá-las posteriormente. Entender um problema é o primeiro passo para resolvê-lo.

E entender é uma arte que envolve reduzir o problema ao tamanho de nossa cabeça para que ele possa circular por ali sem entraves. Entender é reduzir, e simplificar.

A arte de viver bem se encontra na capacidade de simplificarmos as coisas, a vida e a nós mesmos.

A maior das dificuldades está no excesso de valor que damos à tudo. Quanto maior o desamparo, maior a carência e a necessidade de se apegar às coisas.

Não parece contraditório? Quanto mais valor damos a nós mesmos, maior nosso desamparo. E vice-versa. Enquanto vemos pregar por aí que é preciso dar mais valor a si mesmo, que cada pessoa é insubstituível, e fazendo parecer que, se nos dermos mais valor, seremos mais felizes. Eu confesso, também me confundo nesses discursos...

Pra mim, ser feliz é ter menos necessidades. E dizer que todas as pessoas são especiais é uma outra forma de dizer que ninguém é.

Para ser inteiro, seja vazio! Nossas necessidades verdadeiras estão nas coisas simples e não nas grandes complicações que embaraçam nossas vidas.

E é somente acalmando as grandes tormentas do nosso coração que poderemos ouvir claramente a voz do nosso desejo.

Pra mim, "amar a si" é ter bem definido o que se ama "fora de si". É aprender a desfazer-se das pequenas paixões e vícios que nos tiram o foco do desejo maior. É jogar fora pequenas bagagens em função de uma grande conquista. É ter coragem de ouvir a voz do próprio coração e seguir os valores que ditam a nossa consciência. É esvaziar-se de egoísmo e encher-se de vida. É abrir-se para o novo. É simplificar-se!



Sophia Compeagá

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14 Outubro 2008

O Vazio




"A vida precisa do vazio: a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta. A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida. Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito. E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas. A maioria acha o contrário; pensa que o bom é ser cheio. Essas são as pessoas que se acham cheias de verdades e sabedoria e falam sem parar. São umas chatas quando não são autoritárias. Bonitas são as pessoas que falam pouco e sabem escutar. A essas pessoas é fácil amar. Elas estão cheias de vazio. E é no vazio da distância que vive a saudade..."



(Rubem Alves)

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05 Outubro 2008

dos espelhos...

Às vezes acho que a pergunta mais difícil de ser respondida seja talvez a mais importante de todas: Quem somos nós. "Quem" somos é diferente "do que" somos. A segunda pode ser respondida pela ciência ou pela religião, mas a primeira quem haverá de responder?

Nosso mundo é todo marcado por incertezas. A disputa entre ciência e religião arrasou nossas verdades, e hoje ninguém mais a possui. A ciência, ao contrário, tem feito justamente desmentir todas suas próprias leis, e, a religião, esta, para resgatar alguma importância, teria de ir de encontro com o capitalismo vigente e todos os valores trazidos por este - facilmente adotados por nós. Ironicamente, "só Deus mesmo"!

Ao fim, acabamos tendo que reinventar nossa fé... costurando os retalhos que sobraram dos valores que se arrastaram até aqui ou dos que inventamos a partir de nossas experiências individuais.

Há quem diga que nossa geração passa por uma crise de valores, e há quem diga que esta crise não é tão ruim assim. Mas ninguém pode negar que as relações humanas têm se modificado.

Já percebeu como os sonhos das pessoas estão, na maioria das vezes, direcionados para um ganho ou uma causa individual? Compromissos, cumplicidade e sonhos compartilhados são cada vez mais raros. Tudo se dá a um nível muito restrito e as pessoas precisam cada vez mais de espaço.

Dar um pouco de si gratuitamente é também receber um pouco do outro. Vida repartida, vida envolvida e vida dividida é vida extendida!
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Acredito que, pela ausência de ideais em comum, os relacionamentos tenham se transformado em competições, e as pessoas têm servido umas às outras, muitas vezes, como objetos, e o que é pior, descartáveis!
Não sei se cabe aqui, mas vale citar também a grande banalização das relações- no sentido da falta de delimitação dos papéis- sejam elas de qualquer nível: namoro, amizades, família, etc. Ficando, estes mesmos papéis, misturados e confundidos.
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Nossa identidade se sustenta através do laço com o outro. Só me reconheço como um, diante de outro, diferente de mim. Me relacionando reconheço minhas individualidades, meus limites, minha força... me faço, aperfeiçôo e desvendo o mistério primeiro: quem sou!

Tenho pra mim que a solidão, ainda que saudável e muito necessária, deva ser passageira. O ser humano carece de convivência pois é dotado de um vazio que o impulsiona em direção ao outro. É através das relações que as pessoas amadurecem, se desafiam, se conhecem, se reconhecem.

Mas qualquer tipo de relacionamento oferece grande complexidade porque envolve pessoas diferentes com costumes diferentes e expectativas diferentes sobre a própria relação.
O outro funciona como um espelho, refletindo aquilo que queremos ver mas também o que não queremos.

Em primeiro lugar, envolver-se, exige limites. Aquela velha história de que meu direito acaba quando começa o do outro. Todo relacionamento requer esta prática. E é o respeito, a pedra angular que sustenta os laços sociais.

Em segundo lugar, o outro pode carregar consigo aquilo que mais condenamos. Claro, tendo valores diferentes dos meus, o outro pode agir de maneiras que eu não aprovo, mas este aspecto vai além:
Há mais ou menos 2000 anos atrás um homem extremamente sábio disse que devíamos amar os nossos inimigos, mas nem todas as pessoas entenderam qual era a real mensagem daquele sábio. O que o homem queria dizer era que estabelecemos nossas inimizades a partir do reflexo de nossas almas e que aquilo que mais nos incomodava no outro era o que mais pulsava dentro de nós. Mais do que nossos amigos, nossos inimigos refletiam nossos pecados e ofereciam a chance de rever nossos erros e de evoluir como seres humanos.
Quase 2000 anos depois, outro sábio homem nomeou isto: projeção!

Em terceiro lugar, envolver-se nos dá a chance de encontrar no outro aquilo que falta em nós. Isto pressupõe um vazio, mas oferece a aventura de descobrir o novo, uma nova forma de olhar o mundo, de compreender nossos problemas, de vivermos nossas vidas e, sobretudo, oferece a chance de recebermos amor.
A ausência de reflexo padece, assim como a ausência de luz faz morrer a flor.

Não sugiro aqui uma relação de dependência do olhar e da aprovação do outro. Ao contrário, ninguém é igual a ninguém, e se há algo a ser sugerido aqui, são relações onde se possa expressar individualidades e haja aceitação do outro no que este traz também de diferente, porque assim são as relações que nos fazem crescer e nos possibilitam encontrar fora de nós a continuidade do nosso ser.

Lançando-nos na aventura do desconhecido estaremos mergulhando em oceanos nunca navegados do nosso próprio coração.

É preciso repetir: Somos todos anjos de uma asa só.

Sophia Compeagá







"Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa,verdadeira, pura... enquanto durar".



(Cora Coralina)

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02 Outubro 2008

Dar à luz pensamentos...



Na minha cabeça é assim:
pensamentos enfileirados
por ordem de tamanho,
obedientes e organizados,
cada um esperando sua vez.
Enquanto o da frente não avança,
os de trás não se adiantam.
Mas há dias em que saltam para fora
de mãos dadas, juntos, muitos,
de uma só vez.



- Com cautela pequeninos! Demais assim é suicídio!
A razão só nasce bem por conta gotas!





Sophia Compeagá






"A nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra"
(Goethe)

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E viveram felizes para sempre...

...porque nossos momentos
são tão incríveis e intensos
que cada segundo é eterno
mesmo que acabe!
E, já que nada é certo,
fico com a única certeza
que me resta: o que sinto:
Amor!
.

prá vc BB!

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25 Setembro 2008

Ausência


"Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim".


(Carlos Drummond de Andrade)

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21 Setembro 2008

sobre o envelhecer...

O envelhecer não acontece de uma hora para outra, nem mesmo depois de muitos anos de vida. Envelhecemos diariamente desde o dia em que fomos concebidos. Envelhecer, amadurecer e crescer nos possibilitou sermos o que somos hoje e nos oferece, todos os dias, oportunidades de aprendizagens, conhecimentos e experiências.
Ser idoso é ter soma de vida, é ter desenvolvido paciência, sabedoria e humildade, ou não! Mas fazer parte da sociedade da forma mais digna possível.
As estatísticas nos surpreendem a cada ano quando apontam o grande crescimento da população idosa em todo o mundo e principalmente em nosso país. E isso nos faz pensar na nossa propria velhice.
Não caberia a nós, então, repensar o lugar do idoso hoje na sociedade e na nossa vida em particular para que quando for a nossa vez possamos gozar da dignidade de uma vida ativa, respeitada, onde se possa desfrutar de tudo que conquistamos durante os anos vividos, usando das ferramentas já citadas (experiências e sabedoria acumuladas) para também ter espaço e a chance de contribuir com um mundo melhor à nossa maneira?
Sophia Compeagá
.
"A cada dia que vivo,
mais me convenço de que
o desperdício da vida está
no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta
que nada arrisca, e que,
esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade"
.
(Carlos Drummond de Andrade)

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15 Setembro 2008

alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no meio do caminho...

E foi então ela se rendendo
pouco a pouco aos costumes locais,
se misturando ao que via,
se perdendo,
desfazendo-se...
até que um olhar familiar se lhe apresentou!
E lhe acolheu,
num carinho sincero,
do qual realmente estava habituada
- mas havia esquecido.
E seu coração se lembrou
de quem verdadeiramente era.
Estava salva!

Sophia Compeagá
.

♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável.(...) Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem sequer precisar me procurar".
(Clarice Lispector)

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07 Setembro 2008

do amor e de todas as coisas...


Fui apresentada a um blog esta semana em que todas as postagens se referiam ao amor.
Encantada com os textos, primeiramente me perguntei como alguém conseguia falar de um só assunto tantas vezes...
E foi então que percebi: todo ser que fala, fala sempre de amor. Porque é por amar que se fala! E foi o Amor Primeiro que possibilitou todas as coisas.
O amor é a raiz de todos os sentimentos. Há amor inclusive no ódio... principalmente no ódio! Contrário ao amor é a indiferença, a ausência de sentimentos.
Todos os sentimentos e ações remetem ao amor, partem do amor e se mantém pelo amor.
Amar é a única razão pela qual se vive. Quando o amor acaba deixa-se de viver por um tempo até que o coração parte denovo em busca de aventura.
Amar é viver, é esta entrega sem certeza de retorno. É saber que a vida é finita e por isso mergulhar de cabeça nos próprios sonhos. E aproveitar a festa. Antes que a música acabe. E a banda pare de tocar.
Lindas palavras as que se referiam ao amor. Mais sábias são as palavras que vêm do coração. Verdades inquestionáveis.
Amar é reconhecer-se incompleto, escrever é fazer-se infinito.

Sophia Compeagá





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27 Agosto 2008

Nasce mais alto!



"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para
estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver"
(Amyr Klink)

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23 Agosto 2008

Tristeza doce

Na alma de todo artista deve morar uma tristeza doce e
uma saudade de não se sabe o que, ou quem (ou se sabe...).
Uma tristeza mansa que às vezes vira angústia intensa,
mas que normalmente é lilás e de águas tranquilas.
Por vezes me sinto atingida por este sentimento
que me acomete normalmente em momentos desacompanhados,
mas nem por isso solitários.
Tristeza doce parece ser a falta daquilo que logo vem,
ou talvez daquilo que já se foi.
Lembrança ou esperança que se traduz num sentimento de gratidão.
Permitir-se inundar de tristeza doce é apropriar-se
da condição de solitário e incompleto mas não fechar os olhos
para o mundo e a vida em suas infinitas possibilidades!
Ao contrário, nestes raros momentos contactamos nossa essência e
nos sentimos parte de Tudo. Plenos!


Sophia Compeagá
εϊз...

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30 Julho 2008

25th...


É do processo natural das coisas: aprende-se a viver vivendo! E, à medida em que os anos passam, novas lições nos são apresentadas, muitas delas vindo de encontro com os nossos primeiros valores e impressões!

À medida em que minha vida foi passando, passei a me esforçar menos para agradar as pessoas à minha volta e fui percebendo que desta forma elas gostavam mais de mim.
E, apesar de saber que nem sempre o que vem de dentro é bom e adequado, me tornei uma pessoa mais espontânea! E é disso mesmo que as pessoas gostam: espontaneidade tem sabor de verdade!
Hoje ressinto-me menos, porque passei a expressar meus sentimentos na hora certa e para a pessoa certa! Mesmo que ela não saiba! Isto me evitou muitas outras brigas desnecessárias com pessoas não merecedoras do meu mau humor venenoso, principalmente eu mesma!
Dizendo essas coisas faço parecer que fui uma pessoa que guardava muitas mágoas, e que era infeliz! Não! Mas quem é que não passa por essas coisinhas e se vê chateado por uma palavra torta, pela omissão de um cumprimento, ou por coisas que nem se sabe o quê!?

Na verdade, de todas, minha principal lição foi perceber que sempre terei coisas a aprender! E que a verdade estará sempre mudando! E que quanto mais aberta eu for para aceitar isto e aprender as novas lições, mais viva me sentirei e menos sofrerei!

Também aprendi que as pessoas se vão, e só neste momento você saberá o real valor delas! Algumas, as que você achava que sentiria a maior falta, se descobrem sem o menor valor, e outras, talvez aquelas que de tão presentes em nossas vidas nos permitem nos acomodar com sua presença a ponto de esquecermos sua importância, poderão fazer uma falta enorrrrme!!!
Aprendi que tempo não significa muito... Algumas pessoas chegam, apaixonam seu coração e em pouco tempo você sabe, com uma certeza quase mágica, que esta pessoa veio para ficar!

Aprendi que família é a coisa mais louca deste mundo! E que nunca se é totalmente capaz de julgar a sua, assim como não é possível observar um objeto muito perto dos olhos, você está tão dentro dela que não pode entendê-la. E o melhor caminho para isso tudo é o amor! E, se preciso, um psicólogo que não faça parte do grupo!

Aprendi que algumas pessoas são viciantes e deixam marcas para o resto da vida, e que outras são esquecidas ao virar a primeira esquina... mas que pessoas são a melhor invenção, a melhor companhia, a melhor escola!

E os amigos, estes são bênçãos divinas, e vêm de graça! Com eles você não têm laços consanguíneos, não precisa assinar nenhum papel e por isto mesmo eles se tornam tão especiais! Porque qualquer laço criado é sinal de afinidade espontânea, de sentimento puro, e isso faz de nós seres humanos de verdade, capazes de aceitação e entrega!

Aprendi que fé independe de religião! Já passei por várias, mas é justamente hoje, quando estou fora de qualquer uma delas, onde encontro mais fé! É... talvez eu realmente tenha um olhar diferente sobre o que é ter fé. Mas sou muito mais feliz hoje na minha espiritualidade! Claro que existem outros caminhos espirituais válidos, e defendo todos eles, desde que sejam da vontade da própria pessoa. Mas para mim, foi preciso ser assim!

Gostaria de poder falar da minha profissão, do quanto ela dá sentido à minha vida, mas ainda não a tenho... Sim, estou em vias de tê-la, e por isso só posso dizer que a Psicologia me salvou muitas vezes (não estou falando do seu conteúdo, poderia ser Biologia, Filosofia, Veterinária...), e, como ouvi um dia: "estudo é um bem que você nunca perde!". É nele onde encontro meu maior prazer e realização!

Aprendi que não posso resolver os problemas dos outros! Que posso indicar caminhos, dar exemplos, que posso fazê-las olhar para si mesmas, mas não posso fazer por elas. E isso é frustrante! Principalmente quando descubro que ajudá-las é uma forma de esquecer que também tenho problemas mal resolvidos! Ai...

Aprendi que tem horas que a tristeza vem, não tem jeito! E você pode negá-la, brigar com ela, disfarçar, se drogar... mas o melhor é encará-la e tentar entendê-la. Quando ela der seu recado e cumprir sua missão, irá embora, naturalmente... porque é isso que ela é: parte da sua natureza!

E aprendi que às vezes é preciso abandonar coisas em função de outras, ou em função de nada mesmo! Que perder nem sempre significa perder! E que é preciso ter sempre fé no processo da vida e em si mesmo!

Para finalizar queria compartilhar uma frase do Caetano Veloso que muito me fez refletir nos últimos tempos: "Respeito muito minhas lágrimas, mas ainda mais minhas risadas". Porque deixar de ser vítima da própria vida e da própria história é essencial para o amadurecimento! E aprendi que é preferível, se necessário, sentir culpa do que se viveu do que perder a oportunidade de fazer a vida acontecer e poder assinar seu nome embaixo!


Sophia Compeagá

εϊз...

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15 Julho 2008

Pertencer

Por Clarice Lispector
"Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"

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10 Julho 2008

dos laços...


Quem disse que relacionamento é coisa que deve durar pra sempre?
As pessoas se vão, de um jeito ou de outro. Algumas se vão antes mesmo de irem de fato!
Estar junto ou separado vai muito além do sacramento, do papel, da lei (que aliás tem percebido a grande complexidade das relações).

Casamento eterno é tratado religioso, que tinha como principal finalidade o acúmulo de bens. Aliás, o casamento passou por uma história interessante ao longo dos anos, sem contar as mudanças que os papéis "marido" e "mulher" sofreram e tem sofrido diante da sociedade.
Sei que com o capitalismo, a contemporaneidade vem marcada por instituições falidas: igreja, estado, família, escola, casamento. Ao contrário do que parece, este texto não vem cooperar com este fenômeno. Não quero apoiar este enorme salto estatístico das separações e divórcios dos últimos anos. Longe de mim MESMO...

Mas sou realista, as coisas nem sempre seguem como desejamos, queremos ou idealizamos.

Casamento não prende ninguém, filho não prende ninguém! "Prende", que termo estranho...
Já dizia a música: "a nossa liberdade é o que nos prende". Pra mim, casamento ideal é este! A liberdade concedida garante que o parceiro esteja com você realmente por opção!

Nem sempre funciona, mas pra mim o importante da relação é a história que a sustenta. A paixão não dura para sempre mesmo, isso é fato comprovado c-i-e-n-t-i-f-i-c-a-m-e-n-t-e! Mas o que eu também acredito e a ciência não diz é que podemos nos reapaixonar... por um gesto, por uma palavra, por alguma novidade vindo da mesma velha pessoa. Há muito ainda por nos apaixonarmos e relacionar-se exige constante criatividade!

Outra coisa que nem sempre funciona, mas pra mim se faz importante, é a, já dita, liberdade! Dar liberdade e espaço para o outro ser ele mesmo é essencial para que a relação seja verdadeiramente uma relação. Quando conhecemos uma pessoa e nos apaixonamos, quer aceitemos ou não, nós nos apaixonamos por aquilo que ACHAMOS que ela é. Antes de conhecermos o objeto de amor, já o temos idealizado, e cabe a nós depois encaixá-lo ao máximo de características possíveis da pessoa real.
O problema é que acreditamos que a pessoa é mesmo aquilo que nossas primeiras impressões apontaram. E tendemos a negar o restante que nos vai sendo apresentado pouco a pouco. E em pouco tempo estaremos acusando os pobres coitados de nos decepcionarem por não serem os mesmos de quando os conhecemos. O amor é mesmo cego...

Relacionar-se de verdade envolve aceitação e entrega. Relacionar-se de verdade proporciona autoconhecimento e evolução da alma.
E quando nos relacionamos de verdade a paixão constante é possível porque o outro será sempre outro, e estará sempre mudando, como nós também.
Mas colocar tudo isso em prática exige muito esforço... que cabe a cada um julgar se vale a pena ou não! Como tudo na vida, e como a própria vida, relacionar-se intensamente oferece perdas e ganhos. O importante é estar consciente de nossas escolhas. E investigar seus reais motivos...
Sophia Compeagá
εϊз...
"Nao precisa ser para sempre, mas precisa ser ate o fim!"
(Rosana Braga)

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30 Junho 2008

As palavras têm vida



As coisas não existem, as palavras existem!

Palavra é "só" representação, mas a necessidade de haver palavras para nomear as coisas significa que as coisas são inatingíveis por elas mesmas.

E a gente vive é mesmo assim... representando... vivendo e convivendo através de imagens irreais... e sem saber! Ainda bem! Afinal, saber, muitas vezes tira o encanto das coisas...

Mas escrevê-las lhes devolve um encanto especial!

Saber é absorver. Por isso leio, para que as coisas passem a existir dentro de mim.

E eu escrevo mesmo é sobre coisas que não sei. Só sei falar do que não entendo. Porque o que entendo já não importa, o que já entendo não move nada em mim! É o desconhecido que me instiga!

Viver é isso... as coisas nunca estão prontas, nada nos satisfaz plenamente e a gente nunca está maduro o suficiente.

Portanto sou, eu mesma, desconhecida para mim. Porque não sou, constantemente me torno!

E talvez por isso nunca deixe de escrever...

Quando acabarem os mistérios (e, acredite, nunca vão acabar!) eu mudarei de opinião! E passarei a rever o que já sei... Passarei a dar vida ao que já está morto dentro de mim!

Esta é mais uma das ironias da vida que eu tanto aprecio, um contraste fabuloso: fé é dúvida!





Sophia Compeagá



εϊз...

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26 Junho 2008

Se eu fosse falar de amor

Se eu fosse falar de amor
eu iria falar de despedidas,
eu iria falar de desencontros,
eu iria falar de esperas,
eu iria falar de distâncias.
Sim, eu iria falar de dores
porque o amor nasce mesmo é na falta.
Mas eu não sei falar de amor!
Porque o amor não pode ser traduzido.
Falar é explicar,
e o amor só pode ser sentido.

Sophia Compeagá

ઇ‍ઉ...

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25 Junho 2008

da perda...


"Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação de vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo."

(Carlos Drummond de Andrade)

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10 Junho 2008

das desconstruções que nos constroem...

Aprender a desconstruir é de longe a mais difícil de todas as aprendizagens.

Desconstruir compreende desfazer-se, desprender-se, abandonar, abandonar-se talvez.
E é diferente de destruir.
Desconstruir é um processo, exige consciência e vontade, e não é possível a qualquer um - e talvez nem necessário, afinal só desconstrói quem construiu.

Ao longo da vida construímos "verdades"... nos apegamos a idéias, pessoas, valores; formamos laços, adquirimos conhecimento. E estas aquisições definem grande parte do que somos.

Mas há momentos em que aquilo que temos como verdade não é suficiente para dar sentido aos novos acontecimentos e não se integra às novas verdades e aos novos valores. Normalmente estes momentos vêm acompanhados de dor, frustração, confusão e luto.

Algumas pessoas, quando este conflito lhes acomete, tendem à se apegar ainda mais às antigas verdades, declaram-na para si mesmas, impõe-nas aos outros. Natural! Suas verdades são sua base, seu norte, aquilo através dos quais filtram o mundo e se colocam nele. (como já disse, constitui-nos!).

Mas ao fim descobrimos que são eles que nos possibilitam o crescimento e a maturidade. É este movimento de se abrir para o novo que nos dá maior amplitude para compreender a vida e a nós mesmos.
Desconstruir é deixar para trás o que já não faz sentido agora, mas guardar conosco aquilo que de positivo aprendemos.
Uma nova etapa é sempre precedida de outras não menos importantes. Por isso é imprescindível reconhecer que o que vivenciamos numa determinada época era exatamente o que precisávamos para seguir evoluindo, assim a vida foi se revelando aos poucos para nós.

Acolha com carinho sua história e aquilo que outrora fora. Foram eles que possibilitaram ser o que é hoje e o que será amanhã.
Da mesma forma, dê espaço para que é novo (e mesmo estranho), e desconfie daquilo que mais lhe incomoda e ameaça, estes podem já fazer mais parte de você do que se supõe.


Sophia Compeagá

ઇ‍ઉ...



"Justamente sempre acontecia uma pequena coisa que a desviava da torrente principal. Era tão vulnerável. Odiava-se por isso? Não, odiar-se-ia mais se já fosse um tronco imutável até a morte, apenas capaz de dar frutos mas não de crescer dentro de si mesma. Desejava ainda mais: renascer sempre, cortar tudo o que aprendera, o que vira, e inaugurar-se num terreno novo onde todo pequeno ato tivesse um significado, onde o ar fosse respirado como da primeira vez."
(Clarice Lispector em 'Perto do Coração Selvagem')

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27 Maio 2008

Meu pecado de pensar

"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar."


Clarice Lispector

Ѽ ...


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23 Maio 2008

Quem tem alma não tem calma

"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.


Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso alheio vou lendo
Como páginas, meu ser.

O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo:"Fui eu?"
Deus sabe porque o escreveu."

(Fernando Pessoa)

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19 Maio 2008

da tua covardia...

Eu deveria te dizer para que se calasse por não saber do que diz! Mas te digo: fale! Fale o quanto pode, porque se te incomoda tanto é porque tem algo em você que quer sair. Sua necessidade em se manifestar indica que tem muito a dizer, talvez mais até que eu! Ah, e eu tenho muito... Mas isso não me mata, não me consome! Isso me faz VIVA, me faz melhor, me estimula a prosseguir! Talvez um dia você entenda! E eu desejo mesmo que entenda, porque não sabe ainda a nobreza que há em se pensar assim... Precisa ler, precisa ouvir, mas vejo que também precisa falar! Pois então que fale, se tem tanto a elaborar, se tem tanto a expressar, ainda que a partir da crítica... que assim seja! É teu primeiro passo! A crítica nada mais é do que aquilo que transborda em teu coração! Pois projete em mim tuas angústias... Eu te acolho!



Sophia Compeagá

εϊз...





"Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante.

Eu vos digo: há ainda caos dentro de vós"

(Nietzsche)
.
.

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03 Maio 2008

da eternidade das coisas findas...


O que seria do mundo sem as memórias?
O que é um país sem história?
Um povo sem suas tradições?
O que seria de um neto sem um avô
que não sabe contar histórias de assombrações?
Eu sou feita de lembranças,
de histórias,
de bons e maus momentos.
Eu sou feita de sonhos,
de idéias e ideais,
de expectativas e frustrações.
Sou feita de matéria que não se toca,
de horizonte que não se alcança,
do ontem que não volta.
Eu sou feita de muitos tempos,
todos refletidos no hoje.
O tempo está em mim enquanto estou em tudo!
Entretanto me constituo sobre a minha própria ausência,
no reconhecer de um futuro que se sabe finito.
E meu fim então me cria num tempo que não é o seu.
É quando ela, a mais carente de sentido,
dá sentido a todas as coisas.
A mais carente de vida,
dá vida a todas as coisas.
Afinal, não é preciso morrer
para nascer-se denovo.
Eternos são aqueles que se sabem mortais!

Sophia Compeagá
εϊз...

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18 Abril 2008

da presença da ausência...

"Eu já não me importo
se você vem
ou não.
Cansei de
esperar por alguém
cuja ausência me faz
companhia."


(Martha Medeiros )

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13 Abril 2008

da natureza das coisas II...




Um cãozinho acaba de nascer, um bezerrinho acaba de nascer...

deixe-os sós e eles sobreviverão!


Um bebezinho acaba de nascer... Ops! Nem pense nisso!

Esta é só uma pequena diferença!


E o homem ainda nessa ânsia de humanizar tudo.

Temos mesmo muito que aprender...
Sophia Compeagá
εϊз...

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10 Abril 2008

do narcisismo...


"E um dia os homens descobrirão
que esses discos voadores
estavam apenas estudando
a vidas dos insetos..."

(Mário Quintana)

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04 Abril 2008

Fabuleux Destin

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01 Abril 2008

Samba da benção

É melhor ser alegre que ser triste

Alegria é a melhor coisa que existe

É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba um samba com beleza

É preciso um bocado de tristeza

Senão não se faz um samba, não

(...)

Fazer samba não é contar piada

Quem faz samba assim não é de nada

O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança

E a tristeza tem sempre uma esperança

De um dia não ser mais triste não...


Ponha um pouco de amor numa cadência

E vai ver que ninguém no mundo vence

A beleza que tem um samba não

Porque o samba nasceu lá na Bahia

E se hoje ele é branco na poesia

Se hoje ele é branco na poesia

Ele é negro demais no coração.

(Vinícius de Moraes)

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04 Março 2008

da ausência da presença...


"Saudade é um pouco como fome.

Só passa quando se come a presença.

Mas às vezes a saudade é tão profunda

que a presença é pouco:

quer-se absorver a outra pessoa toda.

Essa vontade de um ser o outro

para uma unificação inteira

é um dos sentimentos mais urgentes

que se tem na vida."


(Clarice Lispector)

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02 Março 2008

Passageira




Ando e a solidão me acompanha.
Assim cheguei a este mundo. Sem memória e só...
Por sorte encontrei pessoas muito especiais que cuidaram de mim, protegeram, alimentaram, amaram...Mas ainda estava só.
E assim vaguei por muitos caminhos, me perdendo e me encontrando. Em mim e nos outros.

Defendi algumas verdades, mas compreendi que toda verdade é passageira, as minhas também foram.
Atualmente acredito que cada um acredita na verdade que lhe convém, consciente disso ou não. (Esta É a MINHA verdade!)
Mas também aprendi o quanto é importante ter algo em que acreditar... Sonho, fé, esperança e amor são alimentos para a alma. São o que dão sentido à vida.Este mesmo sentido que vivi e vivo a buscar.

A solidão é inerente ao homem.
Cada ser humano é essencialmente só, e por isso é, também, único!
Se sou passível de companhia, isto só se dá porque sou um ser só!
Tenho necessidades, logo sou incompleto. Esta é a solidão de que falo, a que move o ser!

Vim pra este mundo só e um dia irei embora dele também só.
Mas o que me permite permanecer aqui por um tempo é o meu desejo de companhia e, por vezes, minha ilusão de estar acompanhada.
E esta busca me proporciona momentos por demais especiais... O mágico encontro com o outro!

No fundo este encontro é o reconhecimento do meu sentimento de solidão presente no outro também.
Todos estamos sós. Abandonados não sei, mas sós!
E a trajetória da vida, seus obstáculos e lições teremos que atravessá-los sós.
Porque cada mérito também recebo só.
(E é por isso também que o ensinamento dessas lições é tão difícil. Uma tentativa quase inútil, já que nada substitui a experiência)
E toda experiência é individual! Cada um a sente à sua maneira e absorve o necessário para sua evolução.

Contudo descobri que a melhor companhia é a solidão do outro! Porque não há nada mais irritante e descartável que a companhia de alguém que acredita-se auto-suficiente...
.
Fala-me da tua história, fala-me da tua vida, fala-me da tua angústia, ofereça-me a tua solidão, e então teremos verdadeiramente um encontro, e serei verdadeiramente tua amiga.
Porque é justamente o que falta em ti que quero ter a ilusão de poder te oferecer.
Mesmo que seja simplesmente ouvir-te, olhar-te ou estender-te a mão.

Somos todos anjos de uma asa só.





Sophia Compeagá...

εϊз...

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29 Fevereiro 2008

Tão tão complexo, tão tão confuso...


Por que me é tão difícil escrever?
Talvez porque eu saiba que, independente do assunto,
será de mim mesma que estarei falando.
Poderia falar de filosofia, política, sentimentos, futilidades...
de uma forma ou de outra lá estará a minha pessoa retratada, escancarada.
Desde a escolha do título até o último ponto final.

Mas tenho pensado mesmo nisso... por que não escrever?
Escrever produz idéias, organiza as idéias.
A escrita exige elaboração, e a exposição
faz com que eu me implique ainda mais neste trabalho mental.
Antes de ser um diálogo com o outro é um diálogo comigo mesma.
É um escarafunchar de alma e um desabrochar de vida.

Escrever é simbolizar.
É dar sentido - muitas vezes até ao que não tem.
E na busca do sentido nos perdemos, nos encontramos,
nos refazemos, nascemos denovo, morremos às vezes.
É um constante ir e vir, de si, pra si.
Porque, pra mim, escrever é essencialmente procurar.
.
Sophia Compeagá
εϊз...

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28 Fevereiro 2008

da natureza das coisas...

"...Nunca se apaixone por uma coisa selvagem, Sr. Bell - Holly aconselhou-lhe. - E foi esse o erro de Doc. Ele estava sempre abrigando coisas selvagens em casa. Um gavião com a asa ferida. Uma vez um puma crescido com a pata quebrada. Mas você não pode entregar o coração a coisas selvagens: quanto mais você dá, mais fortes ficam. Até que ficam bastante fortes para correr para o mato. Ou voar para uma árvore. Então uma árvore maior. Então o céu. É assim que se termina, Sr. Bell. Se a gente se deixa amar uma coisa selvagem. Acaba-se olhando para o céu."

(Truman Capote - Histórias Maravilhosas)



*patinha do Doug.

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21 Fevereiro 2008

Traduzir-me

Como eu os admiro, vcs escritores, que com poucas palavras e aparentemente sem muito esforço traduzem sentimentos antes tão confusos de se explicar.
Lê-los me traz companhia, mais que isso... me sinto compreendida. Muitas vezes desconfio que é de mim mesma que falam.
Pura transferência...
Ah, como eu gostaria de poder traduzir-me desta forma! Mas não tenho esta clareza, esta concordância, esta ordem.
Sou toda desordem, sou toda embaraço, sou toda complexa. Faço ganchos e me perco, dou ênfase no que não tem. Psicose pura, loucura total!
Mas que arte não a é?

Por enquanto desisti de escrever...


Sophia Compeagá

εϊз...






"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo -
quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo,
não sei me entregar à desorientação."

Clarice Lispector (A Paixão Segundo G.H.)

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d'angústia...

"Em todos nós, no mais profundo da alma,
há uma subterrânea inquietação,
o desejo daquilo que parece sempre escapar-nos,
a dor por qualquer coisa que não sabemos bem o que seja.


Até quando estamos apaixonados e somos correspondidos,
no momento em que nos vamos embora ou o nosso amado parte,
mesmo numa seperação breve,
aquele sofrimento profundo reaparece.

Por vezes reaparece até num momento de felicidade
porque aquela felicidade se nos revela fugaz.


Nós olhamos para o céu, um pequeno pedaço de céu azul,
como que para concentrar nele toda a nossa felicidade
e sentimos tristeza porque poderemos recordar aquele céu
mas não podemos prolongar esse instante.

Experimentamos este sofrimento à noite,
sem motivo, de manhã ao acordar sem saber porquê.
A nossa alma está construída para desejar algo absoluto
e, portanto, inefável e inacessível.

Quando estamos ocupados não nos apercebemos disso (…)
mas toda a nossa vontade está orientada para a meta
e é ela que se ilumina com aquilo que procuramos sempre…"

(Francesco Alberoni in “A árvore da vida”)



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19 Fevereiro 2008

O VALOR DA VIDA

S. Freud: Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.
.

(Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos. Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou. Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação).
S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.
Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos. (Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.)
Por que (disse calmamente) deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas - a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?
George Sylvester Viereck**: O senhor teve a fama. Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo - com exceção da sua própria Universidade.
S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos e, francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não é virtude.
George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?
S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não é certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis.
Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liqüidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.
(Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia).
S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.
George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?
S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.
George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?
S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem constituir uma exceção?
George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?
S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar à vida; movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro. Pelo que me toca, estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.
George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.
S. Freud: É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição. Do mesmo modo como um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.
No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da "febre chamada viver", anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
George Sylvester Viereck: Isto é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.
S. Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.
Neste sentido (acrescentou Freud com um sorriso) pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.
(Estava ficando frio no jardim. Prosseguimos a conversa no gabinete. Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud).
George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?
S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopolizá-la.
George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?
S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.
George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?
S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente. Minha filha também é psicanalista, como você vê... (Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud, acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônicas).
George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?
S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.
George Sylvester Viereck: Minha impressão é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristã. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. "Tout comprec'est tout pardonner".
S. Freud: Pelo contrário (bravejou Freud - suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu), compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não é de maneira alguma um corolário do conhecimento.
(Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, porque ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça). Minha língua é o alemão. Minha cultura, minha realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu. (Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças, que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava-o mais atraente como ser humano. Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!)
George Sylvester Viereck: Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!
S. Freud: Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza; mas, com freqüência, são também a fonte de nossa força.
George Sylvester Viereck: Imagino, observei, quais seriam os meus complexos!
S. Freud: Uma análise séria dura ao menos um ano. Pode durar mesmo dois ou três anos. Você está dedicando muitos anos de sua vida à "caça aos leões". Você procurou sempre as pessoas de destaque para a sua geração: Roosevelt, o Imperador, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre, Georg Bernard Shaw...
George Sylvester Viereck: É parte do meu trabalho.
S. Freud: Mas é também sua preferência. O grande homem é um símbolo. A sua busca é a busca do seu coração. Você está procurando o grande homem para tomar o lugar do seu pai. É parte do seu "complexo do pai". (Neguei veementemente a afirmação de Freud. No entanto, refletindo sobre isso, parece-me que pode haver uma verdade, ainda não suspeitada por mim, em sua sugestão casual. Pode ser o mesmo impulso que me levou a ele. Gostaria, observei após um momento, de poder ficar aqui o bastante para vislumbrar o meu coração através do seus olhos. Talvez, como a Medusa, eu morresse de pavor ao ver minha própria imagem! Entretanto, receio ser muito informando sobre a psicanálise. Eu freqüentemente anteciparia, ou tentaria antecipar suas intenções).
S. Freud: A inteligência num paciente não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes facilita o trabalho. (Neste ponto o mestre da psicanálise diverge de muitos dos seus seguidores, que não gostam de excessiva segurança do paciente sob o seu escrutínio).
George Sylvester Viereck: Ás vezes imagino se não seríamos mais felizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossos pensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu último encanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo de complexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todos abrigamos o criminoso e o animal.
S. Freud: Que objeção pode haver contra os animais? Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.
George Sylvester Viereck: Por quê?
S. Freud: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais agradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão (acrescentou Freud pensativamente) lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis antigos como Aquiles e Heitor.
George Sylvester Viereck: Meu cachorro é um doberman Pinscher chamado Ajax.
S. Freud: (sorrindo) Fico contente de que não possa ler. Ele certamente seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir sua opinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!
George Sylvester Viereck: Mesmo o senhor, Professor, sonha a existência complexa demais. No entanto, parece-me que o senhor seja em parte responsável pelas complexidades da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise, não sabíamos que nossa personalidade é dominada por uma hoste beligerante de complexos muito questionáveis. A psicanálise torna a vida um quebra-cabeças complicado.
S. Freud: De maneira alguma. A psicanálise torna a vida mais simples. Adquirimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise reordena um emaranhado de impulsos dispersos, procura enrolá-los em torno do seu carretel. Ou, modificando a metáfora, ela fornece o fio que conduz a pessoa fora do labirinto do seu inconsciente.
George Sylvester Viereck: Ao menos na superfície, porém, a vida humana nunca foi mais complexa. E a cada dia alguma nova idéia proposta pelo senhor ou por seus discípulos torna o problema da condução humana mais intrigante e mais contraditório.
S. Freud: A psicanálise, pelo menos, jamais fecha a porta a uma nova verdade.
George Sylvester Viereck: Alguns dos seus discípulos, mais ortodoxos do que o senhor, apegando-se a cada pronunciamento que sai da sua boca.
S. Freud: A vida muda. A psicanálise também muda. Estamos apenas no começo de uma nova ciência.
George Sylvester Viereck: A estrutura científica que o senhor ergueu me parece ser muito elaborada. Seus fundamentos - a teoria do "deslocamento", da "sexualidade infantil", do "simbolismo dos sonhos", etc. - parecem permanentes.
S. Freud: Eu repito, porém, que nós estamos apenas no início. Eu sou apenas um iniciador. Consegui desencavar monumentos soterrados nos substratos da mente. Mas ali onde eu descobri alguns templos, outros poderão descobrir continentes.
George Sylvester Viereck: O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo no sexo?
S. Freud: Respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman: "Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo" ("Yet all were lacking, if sex were lacking"). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfase quase igual naquilo que está "além" do prazer - a morte, a negociação da vida. Este desejo explica por que alguns homens amam a dor - como um passo para o aniquilamento! Explica por que os poetas agradecem a Whatever gods there be, That no life lives forever And even the weariest river Winds somewhere safe to sea. ("Quaisquer deuses que existam/ Que a vida nenhuma viva para sempre/ Que os mortos jamais se levantem**/ E também o rio mais cansado/ Deságüe tranqüilo no mar".)
George Sylvester Viereck: Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, mas à diferença do senhor, ele considera o sexo desinteressante.
S. Freud: (sorrindo) Shaw não compreende o sexo. Ele não tem a mais remota concepção do amor. Não há um verdadeiro caso amoroso em nenhuma de suas peças. Ele faz brincadeira do amor de Júlio César - talvez a maior paixão da História. Deliberadamente, talvez maliciosamente, ele despe Cleópatra de toda grandeza, reduzindo-a uma insignificante garota. A razão para a estranha atitude de Shaw diante do amor, para a sua negação do móvel de todas as coisas humanas, que tira de suas peças o apelo universal, apesar do seu enorme alcance intelectual, é inerente à sua psicologia. Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatiza o traço ascético do seu temperamento. Eu posso ter errado em muitas coisas, mas estou certo de que não errei ao enfatizar a importância do instinto sexual. Por ser tão forte, ele se choca sempre com as convenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em uma espécie de autodefesa, procura negar sua importância. Se você arranhar um russo, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualquer emoção humana, não importa quão distante esteja da esfera da sexualidade, e você certamente encontrará esse impulso primordial, ao qual a própria vida deve a perpetuação.
George Sylvester Viereck: O senhor, sem dúvida, foi bem sucedido em transmitir esse ponto de vista aos escritores modernos. A psicanálise deu novas intensidades à literatura.
S. Freud: Também recebeu muito da literatura e da filosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É surpreendente até que ponto a sua intuição prenuncia as novas descobertas. Ninguém se apercebeu mais profundamente dos motivos duais da conduta humana, e da insistência do princípio do prazer em predominar indefinidamente. O Zaratustra diz: "A dor grita: Vai! Mas o prazer quer eternidade Pura, profundamente eternidade". A psicanálise pode ser menos amplamente discutida na Áustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, a sua influência na literatura é imensa, porém. Thomas Mann e Hugo von Hofmannsthak muito devem a nós. Schnitzler percorre uma via que é, em larga medida, paralela ao meu próprio desenvolvimento. Ele expressa poeticamente o que eu tento comunicar cientificamente. Mas o Dr. Schnitzler não é apenas um poeta, é também um cientista.
George Sylvester Viereck: O senhor não é apenas um cientista, mas também um poeta. A literatura americana está impregnada da psicanálise. Hupert Hughes Harvrey O'Higgins e outros fazem-se de seus intérpretes. É quase impossível abrir um novo romance sem encontrar referência à psicanálise. Entre os dramaturgos, Eugene O'Neill e Sydney Howard têm profunda dívida para com o senhor. AThe Silver Cord@, por exemplo, é simplesmente uma dramatização do complexo de Édipo.
S. Freud: Eu sei e apresento o cumprimento que há nessa constatação. Mas tenho receio da minha popularidade nos Estados Unidos. O interesse americano pela psicanálise não se aprofunda. A popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem no teatro ou na imprensa. Pensam compreender algo da psicanálise porque brincam com seu jargão! Eu prefiro a ocupação intensa com a psicanálise, tal como ocorre nos centros europeus. A América foi o primeiro país a reconhecer-me oficialmente. A Clark University concedeu-me um diploma honorário quando eu ainda era ignorado na Europa. Entretanto, a América fez poucas contribuições originais à psicanálise. Os americanos são julgadores inteligentes, raramente pensadores criativos. Os médicos nos Estados Unidos, e ocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si a psicanálise. Mas seria um perigo para a psicanálise deixá-la exclusivamente nas mãos dos médicos, pois uma formação estritamente médica é, com freqüência, um empecilho para o psicanalista. É sempre um empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro estudioso.
(Freud tem que dizer a verdade a qualquer preço! Ele não pode obrigar a si mesmo a agradar a América, onde está a maioria de seus admiradores. Apesar da sua intransigente integridade, Freud é a urbanidade em pessoa. Ele ouve pacientemente cada intervenção, não procurando jamais intimidar o entrevistador. Raro é o visitante que deixa sua presença sem algum presente, algum sinal de hospitalidade! Havia escurecido. Era tempo de eu tomar o trem de volta à cidade que uma vez abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos. Acompanhado da esposa e da filha, Freud desceu os degraus que levavam do seu refúgio na montanha à rua, para me ver partir. Ele me pareceu cansado e triste, ao dar o seu adeus).
S. Freud: Não me faça parecer um pessimista (disse ele após o aperto de mão). Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou um pessimista, não, enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz - ao menos não mais infeliz que os outros.
(O apito de meu trem soou na noite. O automóvel me conduzia rapidamente para a estação. Aos poucos o vulto ligeiramente curvado e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram na distância).
.
*Entrevista com Freud ( Concedida ao jornalista George Sylvester Viereck Alpes Austríacos - 1926 )
Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut** número especial do "Journal of Psychology", de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português. Tradução de Paulo César Souza
Ei-lo! O grande INSIGHT da humanidade... Dr. Sigmund Freud

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18 Fevereiro 2008

Clube da Luta



“O desastre faz parte da NOSSA evolução natural rumo à tragédia e à dissolução.

Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais,

porque só destruindo a mim mesmo vou descobrir a força superior do meu espírito(...)

As coisas que você possui acabam te possuindo.

Você só é realmente livre após perder tudo.

Pois aí nao terá o que perder, e, enfim, encontrar-se-á livre."

.
CLUBE DA LUTA

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17 Fevereiro 2008

acabar ou transcender? ou será tudo a mesma coisa?




"Pensa num rio, denso e majestoso,
que corre por milhas e milhas entre robustos diques,
e tu sabes onde está o rio, onde o dique, onde a terra firme.
A certa altura, o rio, cansado,
porque correu por demasiado tempo e demasiado espaço,
porque se aproxima do mar,
que anula em si todos os rios,
já não sabe o que é.
Torna-se o seu próprio delta.
Permanece talvez um braço maior,
mas muitos outros se ramificam, em todas as direcções,
e alguns confluem uns nos outros,
e já não sabes o que está na origem do que é,
e por vezes não sabes o que ainda é rio e o que já é mar..."


(Umberto Eco - 'O Nome de Rosa')

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15 Fevereiro 2008

O homem, as viagens...





O homem, bicho da Terra
tão pequeno chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua
desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.


Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte
com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto — é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol,
falso touro espanhol domado.

Restam outros sistemas fora do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem (estará equipado?)
a dificílima DANGEROSÍSSIMA VIAGEMde si a si mesmo:
pôr o pé no chão do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria de conviver.



.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
.

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14 Fevereiro 2008

da sublimação...


"O homem constrói casas porque está vivo, mas escreve livros porque se sabe mortal. Ele vive em grupo porque é gregário, mas lê porque se sabe só. Esta leitura é para ele uma companhia que não ocupa o lugar de qualquer outra, mas nenhuma outra companhia saberia substituir. Ela não lhe oferece qualquer explicação definitiva sobre o seu destino, mas tece uma trama cerrada de conivências entre a vida e ele. Ínfimas e secretas conivências que falam da paradoxal felicidade de viver, enquanto elas mesmas deixam claro o trágico absurdo da vida. De tal forma que nossas razões para ler são tão estranhas quanto nossas razões para viver. E a ninguém é dado o poder para pedir contas dessa intimidade."





(Daniel Pennac, 'Como um Romance')

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11 Dezembro 2007

da fé...


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13 Setembro 2007

Metade...



"Que a força do medo que eu tenho, não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio... .


Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade. .


Que o medo da solidão se afastee que o convívio comigo mesmose torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei..


Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção..


E QUE a MINHA LOUCURA SEJA PERDOADA.

Porque METADE DE MIM é AMOR,

e A OUTRA METADE...

TAMBÉM.".


(Oswaldo Montenegro)

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27 Agosto 2007

Clarice...


"Não entendo.
Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.
Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras.
Sinto que sou muito mais completa
quando não entendo.
Não entender, do modo como falo,
é um dom.
Não entender, mas não como um simples de espírito.
O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha,
como ter loucura sem ser doida.
É um desinteresse manso,
é uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação:
quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

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17 Agosto 2007

da morte...


"Death is a continuation of my life without me..." (Sartre)


Vc é capaz de suportar essa verdade????

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21 Julho 2007

do equilíbrio...


“Quem não sabe chorar de todo o coração
também não sabe rir”

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥


(Golda Meir ex-primeira ministra israelense)

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04 Julho 2007

da sustentação...


"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.
Nunca se sabe qual é o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro."
(Clarice Lispector)

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25 Junho 2007

Contra o especismo...

"Somente renovando a língua é que se pode renovar o mundo. "
(Guimarães Rosa)
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20 Junho 2007

Quando me amei de verdade






"Quando me amei de verdade, compreendi
que em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome...Auto-estima.


Quando me amei de verdade, pude perceber
que minha angústia, meu sofrimento emocional,
não passam de sinais de que estou
indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é...Autenticidade.


Quando me amei de verdade, parei de desejar
que a minha vida fosse diferente
e comecei a ver que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de... Amadurecimento.


Quando me amei de verdade, comecei a perceber
como é ofensivo tentar forçar alguma situação
ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo,
mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa
não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é... Respeito.


Quando me amei de verdade comecei a
me livrar de tudo que não fosse saudável...
pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa
que me pusesse para baixo.
De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama... Amor-próprio.


Quando me amei de verdade,
desisti de querer sempre ter razão e,
com isso, errei muito menos vezes.
Hoje descobri a... Humildade.


Quando me amei de verdade, desisti
de ficar revivendo o passado e de
me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente,
que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é...Plenitude.


Quando me amei de verdade,
percebi que minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando a coloco a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é... Saber viver!!!"




(Charles Chaplin)


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19 Junho 2007

Teus pés...



"Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem".


(Pablo Neruda )

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31 Maio 2007

Nada é por acaso

“Dizem que o que procuramos é um sentido para a vida.
Penso que o que procuramos são experiências que nos
façam sentir que estamos vivos.” (J.Campbell)
Deepak Chopra escreveu:
"Seja qual for o relacionamento que você atraiu
para dentro de sua vida, numa determinada época,
ele foi aquilo de que você precisava naquele momento."
À medida que ganhamos experiências, um pouco mais nos é revelado.
A vida vai dando coisas com que você consegue lidar,
conforme você vai aprendendo a lidar com elas.
É assim que a vida funciona. Evoluimos através dos relacionamentos.
Ninguém é igual a ninguém e ninguém é perfeito. Abra-se!
"Você não consegue mudar o que não consegue encarar" (James Baldwin)
εϊз...

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08 Março 2007

Ora (direis), ouvir estrelas!


Via láctea, XIII

“Ora (direis), ouvir estrelas!
Certo perdeste o senso!”
E eu vos direi, no entanto,
que, para ouvi-las,
muita vez desperto
e abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite,
enquanto a Via Láctea,
como um pálio aberto,
cintila.
E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi:
“Amai para entendê-las!
pois só quem ama pode ter ouvido
capaz de ouvir e de entender estrelas.”

( Olavo Bilac )

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07 Março 2007

Clarice Lispector


"Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita,
prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso
da solidão no meio de outros."

εϊз εϊз εϊз

"...estou procurando, estou procurando.
Estou tentando me entender.
Tentando dar a alguém o que vivi
e não sei a quem,
mas não quero ficar com o que vivi.
Não sei o que fazer do que vivi,
tenho medo dessa desorganização profunda."

εϊз εϊз εϊз

"Mas é que a verdade nunca me fez sentido.
A verdade não me faz sentido!
É por isso que eu a temia e a temo.
Desamparada, eu te entrego tudo
- para que faças disso uma coisa alegre.
Por te falar eu te assustarei?
Mas se eu nunca falar eu me perderei,
e por me perder eu te perderia."

εϊз εϊз εϊз

"Lóri, disse Ulisses,
e de repente pareceu grave embora falasse tranqüilo,
Lóri: uma das coisas que aprendi
é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer.
Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes
é o próprio apesar de
que nos empurra para a frente.
Foi o apesar de que me deu uma angústia
que insatisfeita foi a criadora
de minha própria vida."

εϊз εϊз εϊз

"A vida me fez
de vez em quando pertencer,
como se fosse para me dar
a medida do que eu perco
não pertencendo.
E então eu soube:
pertencer é viver.
Experimentei-o com a sede
de quem está no deserto
e bebe sôfrego os últimos goles
de água de um cantil.
E depois a sede volta
e é no deserto mesmo que caminho."

εϊз εϊз εϊз

"É difícil perder-se.
É tão difícil que
provavelmente arrumarei depressa
um modo de me achar,
mesmo que achar-me seja
de novo a mentira de que vivo."

εϊз εϊз εϊз

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Insights...


Ter um insight quer dizer ter uma experiência subjetiva, um tipo de revelação do inconsciente que acontece meio que subitamente em momentos muitas vezes estranhos e muitas vezes quando menos se pensa sobre a idéia em questão! Idéia! Essa é a palavra... Insight é uma idéia! Não necessariamente no sentido de criação, mas de elaboração, e elucidação (tornar lúcido).
Mas voltemos a questão da subjetividade... Antes de tudo, insight é uma experiência pessoal e impossível de ser transmitida literalmente ao outro como tudo que é sentido, pensado e vivenciado interiormente!
Minha intenção aqui não é postar meus insights (embora tenha nomedo este blog como "insights"). Eles são tão tão pessoais e tão tão complexos que certamente não haveria lógica nenhuma pra quem os lesse! Minha intenção então é postar escritos, poemas, músicas que me causam insights hoje ou causaram algum dia e que certamente são frutos de insights de quem os fez.
Se você que os lê sentir um "click", uma vontade de dizer "eureka!", ou que alguma coisa fez sentido, vai saber, você acaba de ter um insight!


Sophia Compeagá
εϊз...

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