Dizemos aos abúlicos: Querer é poder,
25 fevereiro 2009
Dizemos
Dizemos aos abúlicos: Querer é poder,
23 fevereiro 2009
Sobre cães, aniversários e rimas estranhas...
Este blog vai fazer 2 anos!
Embora eu não tenha "comemorado" seu aniversário de 1 ano, vasculhando as postagens antigas, notei que foi justamente no primeiro aniversário que comecei a escrever. Até então eram apenas citações, textos de outras pessoas, já que a proposta inicial da postagem de apresentação era justamente essa.
Timidamente passei a publicar minhas próprias coisas. E eu as chamo assim, de coisas, porque prefiro não nomear essas palavras soltas como poesia ou dar qualquer outra descrição. Não me acho nenhuma escritora ou poeta (apesar de ter encontrado no dicionário "aquele que devaneia" como um dos significados de poeta e ter me identificado muito).
Refletindo sobre o sentido deste espaço pra mim, percebi que escrever aqui proporciona aquilo que eu já citava na minha primeira postagem, de que publicar poderia vir a ser uma forma de organizar pensamentos, idéias e sentimentos.
Mas o diálogo que se dá aqui é sobretudo interno e não uma idéia pronta para ser anunciada. É, antes, algo em andamento e construção, e neste caso novamente fujo às exigências literárias, já que a principal descrição para escritor que encontrei é: autor de obras. Acontece que o que escrevo fica sempre inacabado... e talvez por isso também seja sempre angustiante.
Houve produções sim, mas num outro plano. E descobertas!
A exemplo disso, me ocorreu hoje um fato interessante. Já comentei aqui que o filme 'Mágico de Oz' tem um significado especial na minha história. E como se não bastassem os tornados invadindo meus sonhos, minhas manias com sapatos e pés, as idas e vindas que me apontam uma verdadeira jornada a ser percorrida dentro de mim, e os tantos outros símbolos deste filme que me fazem tanto sentido, me dei conta hoje da semelhança entre Toto (o cachorrinho da Dorothy no filme) e o Zeca, meu novo cãozinho. Segue a história:
Quando meu marido e eu decidimos ter um cachorro, a intenção era adotar uma fêmea. O nome há muito tempo já havia sido decidido: Dorothy, e assim que soubemos que uma ninhada estava pronta fomos lá escolhê-la. Foi então que um sapequinha minúsculo nos escolheu primeiro: um machinho, uma bolinha de pelo que pulava na gente sem parar, lambia os nossos dedos do pé e era a coisa mais fofa. Depois dessa recepção não foi preciso pensar muito pra decidir quem levaríamos.
O Zeca chegou tem quase 1 mês, mas só hoje me dei conta da semelhança com o Toto. Talvez seja exagero meu, mas duvido. A raça nem é a mesma e a semelhança ainda é grande ao meu ver.
Não há nada demais nisso mas a cada dia descubro uma nova “coincidência”, um novo detalhe do filme me influenciando.
Acabei me lembrando também de quando era criança e inventava umas musiquinhas muito sem ritmo que incluíam um cachorrinho que chamava Toto... Nelas eu rimava ‘revólver’ com ‘cadeia’ e ‘Toto’ com "garda-rôpa". Vai entender...
E o que isso tem a ver com o aniversário do blog? Tudo! É por estes “detalhes” tão gostosos (e as vezes sofridos) de serem descobertos (ou paridos) sobre a gente mesmo, e que só vêm à tona quando se põe a investigá-los através da narrativa, que vale a pena continuar a escrever, a buscar e a me encher de coragem para fazer as perguntas certas.
10 fevereiro 2009
Metalinguagem
pensamentos enfileirados
por ordem de tamanho,
obedientes e organizados,
cada um esperando sua vez.
Enquanto o da frente não avança,
os de trás não se adiantam.
Mas há dias em que saltam para fora
de mãos dadas, juntos, muitos,
de uma só vez.
- Com cautela pequeninos! Demais assim é suicídio!
A razão só nasce bem por conta gotas!"
09 fevereiro 2009
se desejas escrever sobre humanos...
a melhor coisa é ter um casal de gatos.”
( Aldous Huxley )
08 fevereiro 2009
"Rótulos são para geléias"
Algumas verdades são duras de se aceitar, e, mesmo consciente delas, demora-se um pouco para permitir que elas façam parte da gente, sejam digeridas, interiorizadas. Para a maioria das pessoas nunca é!
Recentes leituras e experiências me fizeram rever muito de meus conceitos e valores sobre mim mesma e tudo a minha volta, e, chegar a algumas conclusões sobre o sentido da vida (que, passei a crer, é não ter sentido mesmo).
Você não vai mudar o mundo! Você não é mais importante ou especial que o resto das pessoas. Você é mais um!
Você tem o direito de ser respeitado e pode brigar por isso!
VOCÊ É LIVRE!
Entrar em contato com nossos verdadeiros desejos impõe-nos a responsabilidade por nossos próprios atos e experiências. Mas na maioria das vezes nos vemos tentando colocar a culpa de nossos fracassos e dores em alguém ou alguma coisa fora de nós.
Sigo vendo as pessoas se consolarem ou estimularem umas às outras com alguns adjetivos contraditórios: "você é insubstituível", "você é especial" ... Como se fosse mesmo trazer algum benefício.
Para mim, nos sentirmos insubstituíveis só nos faz tentar nos manter no mesmo padrão. Nos implica numa obrigatoriedade, num dever, numa imagem fixa de si mesmo, num sintoma.
O que eu preciso é me livrar dos rótulos "positivos" assim como me livrei dos negativos.
Depois de um tempo adquirimos maturidade para questionar se o que foi aprendido durante a vida é realmente a nossa opção. É chegada a hora das grandes escolhas... e talvez seja preciso fazer algumas mudanças.
Toda mudança é complicada e sofrida, mas mudar permite refazer sua história à sua maneira.
04 fevereiro 2009
Nuance
09 janeiro 2009
Do direito ao grito
Algumas pessoas não aceitam a felicidade, ainda que passageira. Rejeitam qualquer alegria não porque suas tristezas sejam maiores, mas porque não se sentem dignas. Preferem adotar a postura de vítima que acaba por mantê-las na dor e que, embora seja estranho, parece mais confortável do que lutar pelos próprios desejos e realmente viver.
E ainda... que se tornando assim, espontâneas e verdadeiras haverá ainda mais (muito mais) chance de serem aceitas e amadas, mas que, ao mesmo tempo, não é isso que deve realmente importar?
No fundo, se colocar nesta posição desfavorável também é uma forma de se sentir especial, e de ser notado, ainda que a partir da pena do outro.
23 dezembro 2008
Crisálida
Às vezes me sinto descrente delas, mas quando olho para trás vejo o quanto minha história é um tanto emocionante, cheia de mudanças e andanças.
E a gente se transforma mesmo... começa por uma pequena decisão que vai devagar crescendo e dando nova forma à maneira de viver, de ver as coisas e acaba por mudar completamente nosso destino e nossa pessoa.
Ainda bem que houveram mudanças, ainda bem que tenho essa força dentro de mim que me faz romper com meus próprios limites e medos, e crescer.
Por sorte minhas mudanças só me fizeram evoluir, porque sei que nem sempre é assim.
Mas há um momento em que a alma se aquieta, e pede sossego. Talvez porque descobre o que realmente deseja e vê que não é preciso ir tão longe para alcançar. E foca!
Ou talvez porque tenha se deparado com a mudança mais necessária, aquela que vai realmente desnudar a pessoa que se é e dar sentido a todas as mudanças anteriores, toda a história... Ou banalizar toda ela, não se sabe! E esta incerteza é mesmo paralisante...
Talvez esta paralisia, que se disfarça sob um desejo de quietude, seja covardia. Ou talvez seja somente uma exigência da alma para que a decisão da travessia seja o mais consciente possível.
Talvez...
Por Sophia Compeagá
16 dezembro 2008
do que me escapa...
não sei falar do que não me toca,
não sei NÃO falar do que me toca...
Sou toda histérica, tenho um corpo que fala por mim.
Não sei me fazer de forte, não sei estancar ferida.
Minha carne grita, minha dor vaza, meu olhar implora.
Me esparramo pelos olhos, impossível não me ler.
Mas tem sempre um ponto onde me escapo,
alguma coisa de ilegível e inalcançável,
estranho e misterioso que me faz desconfiar
de que seja justamente neste estranho encontro
com o desconhecido de mim
que eu surja de verdade.
02 dezembro 2008
dos caminhos que nos trazem a nós...
Não quero criar muitas expectativas porque certamente este valor todo a que atribuo à descoberta cabe somente a mim!
Sempre tive um verdadeiro encanto por tornados. Sim, estes funis de vento que giram, destróem tudo por onde passam deixando claro que ninguém pode com a força da natureza. Gostaria de me lembrar neste momento qual o psicanalista que afirmou que SE TENS UM MEDO, EIS AÍ SEU DESEJO ou coisa assim... (quando me lembrar, reedito a postagem). Enfim... este encanto, admiração, medo (sei lá como nomear isto) sempre esteve presente em mim... Quando mais nova pesquisava sobre o efeito e as causas dos fortes ventos, assistia a vídeos, buscava por fotos... já nem sei mais quantas vezes assisti ao filme Twister.
E sempre me foi assim mesmo, um medo misturado com uma admiração tremenda!
Foi então que, assistindo a um vídeo do Youtube, encontrei uma cena do filme O Mágico de Oz que já havia assistido quando muito pequena mas não lembrava mais. A cena mostrava a parte em que um tornado invadia a vila e Dorothy era sugada junto com a casa em que estava, ficando suspensos e girando dentro do funil gigante.
Na hora me veio o insight! Quando muito criança assisti a este filme e me lembro de ter me causado grande medo... mas também (suponho) grande interesse já que a cena do tornado acontece no início e me lembro de detalhes que acontecem no meio e no final do filme como por exemplo dos sapatos mágicos de Dorothy que (ao final descobre-se) lhe davam o poder de voltar para casa.
Mais um insight (e um sintoma) sou fanática por pés e sapatos!
Embora este seja um filme infantil, a mensagem que tiramos aponta um conteúdo muito maduro. Três fortes personagens, além de Dorothy, contribuem para as lições da história: o espantalho que desejava ter um cérebro, mas que era inteligente e conseguia dar grandes soluções que salvavam os personagens; o homem de lata que desejava ter um coração, mas era o mais sensível de todos; e o leão que desejava coragem mas que na verdade não conseguia lidar com a coragem que já possuía, e confundia covardia com prudência.
Dorothy por sua vez tinha o desejo de voltar para casa, e junto de seus três amigos passam todo o filme em busca do mágico que lhes realizaria os pedidos.
Juntos, os quatro ilustram a dinâmica humana e os centros de força que mobilizam as pessoas. Pensamento (cérebro), sentimento (coração) e instinto (coragem) são 3 instâncias que, em equilíbrio, permitem a harmonia do corpo na dinâmica do viver. Mas há uma quarta instância tão presente quanto as outras: a tão humana e eterna vontade de voltar pra casa.
Desde o ventre de nossas mães cumprimos o destino de romper barreiras e crescer. E ainda que seja um destino humano e independente da vontade, crescer é um desafio... há que se confrontar com a própria vida e consigo mesmo.
Há em nós, acredito, um impulso de voar, mas também um forte impulso de ficar no ninho. E essas duas pulsões se conflitam continuamente.
A sucessão de enfrentamentos vai depender do contexto e da história de cada um, mas há situações que são bem comuns a todos nós. São elas: o próprio parto, a entrada na escola, nascimento de irmãos, as crises da adolescência, as responsabilidades da vida adulta, o trabalho, os rompimentos, os lutos pelos entes queridos, as enfermidades, a entrada na faculdade, promoções, mudanças, a velhice, etc... Considero enfrentamento toda situação que altera o funcionamento normal da pessoa e que a faz sair desta fase diferente de antes (seja para melhor ou pior). É um caminho desconhecido, imposto pela vida (ou que nos impomos a nós mesmos) em que precisamos percorrer para que o equilíbrio anterior seja retomado.
Estes enfrentamentos nos exigem um sincero encontro consigo mesmo, pois nos põe em contato com o limite de nossas forças e muitas vezes nos obrigam a ir além.
É interessante notar que, embora pareça que a necessidade de enfrentamento se dê à partir da pulsão que nos põe adiante (que nos põe a voar), ela também se dá devido à necessidade de retornar ao ninho, de retomar o equilíbrio, de voltar para casa.
Muitas vezes o caminho do enfrentamento é longo e árduo e ao final descobre-se que a resolução do problema, o Santo Graal, estava mesmo lá atrás, na linha de partida. Talvez já na bagagem do peregrino antes deste iniciar sua jornada em procura de sabedoria. Mas era preciso correr todo o percurso para adquirir a capacidade de percebê-lo. Foi assim com O Alquimista, é assim com todos nós.
No fundo essa eterna vontade de ir pra casa é a voz do nosso desejo se fazendo ouvir.
As duas pulsões, apesar dos conflitos, estão indicando o mesmo caminho, o da descoberta de si mesmo através das experiências.
30 novembro 2008
do que me surge...
23 novembro 2008
da finitude...
Quis escrever um novo post sobre o mesmo assunto que o anterior, mas desta vez com minhas próprias palavras porque este é um tema que, de algum tempo pra cá, tem me intrigado muito.
A vida tem me empurrado para conclusões estranhas sobre ela mesma. Tenho me surpreendido muito com as contradições a que se submetem nossas idéias para alcançar algum amadurecimento.
Tantas vezes temos que rever conceitos, desdizer ditos, mudar pontos de vista… é como se o aprendizado exigisse que experimentássemos vários pontos de vista na ânsia de encontrar uma verdade absoluta, mas no final descobríssemos que a verdade é a soma de todas as coisas.
Isso é arriscado porque tendemos a não nos envolver com afirmações e a duvidar de tudo.
A vida é essa montanha russa, que ora nos coloca lá em cima gozando da maior felicidade, e ora nos põe pra baixo e nos faz querer desesperadamente subir novamente, e para isso, empreender esforços, produzir, mobilizar-nos, até que novamente se alcance o topo...
Clarice se pergunta "... queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois?"
Nossa maior constatação de incompletude é o próprio amor. Ama-se justamente porque é impossível ser feliz por si só. Amar é buscar no outro a resposta da própria angústia.
E um bom relacionamento é aquele desobrigado. Onde não haja garantias de eternidade ou felicidade. E isto é tão verdade que tiveram que inventar dois juramentos para uniões religiosas "na alegria e na tristeza" e "até que a morte nos separe".
Sei que estou misturando as coisas, mas é que para mim elas estão juntas realmente.
Eternidade, assim como felicidade absoluta seriam a maior desgraça dos seres humanos, por mais estranho que isso possa parecer. Viver não teria o menor sentido.
É a finitude das coisas que lhes empresta "eternidade" e valor.
A maior dificuldade está em conseguir enxergar neste vazio a própria plenitude.
Em "da eternidade das coisas findas" , uma postagem antiga, tentei expressar algumas idéias sobre o papel da morte como fundamental para o sentido da vida. Nela quis ressaltar o tempo como resultado da própria finitude dizendo que esta nos coloca diante de um futuro incerto e valioso. Também citei a ausência (morte) como constituinte da própria vida, já que penso que parte da personalidade se cria na tentativa de nos eternizarmos através de nossos feitos. E ao fim, incluí uma frase que, pra mim faz todo sentido neste (con)texto: "Eternos são aqueles que se sabem mortais!"
Tornar-se totalmente consciente da própria finitude é praticamente impossível. Freud já dizia que o inconsciente não "admite" o próprio fim. Mas, me aproximar destas questões me fizeram, aos poucos, rever minhas prioridades, valorizar minha vida e as pessoas que fazem parte dela, assim como desfazer-me de coisas que não me traziam nenhum benefício.
Não, não estou dizendo que resolvi todos os meus problemas. Mas ainda que fosse dolorido pensar nestas coisas, sem perceber, trouxe mais VIDA para minha vida.
A mais carente de vida,
Afinal, não é preciso morrer
19 novembro 2008
da eternidade...
De Clarice Lispector
"Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim."
31 outubro 2008
do discurso...
Tenho dificuldades para conceber um raciocínio mudo.
Também adoro ouvir, aprecio sotaques, reconheço aptidões musicais, ADORO ouvir histórias. Reais ou não. Talvez eu seja mesmo muito "auditiva".
Da mesma forma, as coisas mais irritantes pra mim são as que me chegam pelo som, pela voz, ruídos que tiram o sono, palavras cortantes, músicas ruins...
Falar, pra mim, assim como escrever (e, sim, eu escrevo e leio imaginando vozes) é uma forma de me organizar, me expressar, me construir juntando os fragmentos dos pensamentos que flutuam no meu mundinho aqui dentro.
Nesse sentido, falar é descobrir, desvendar, conhecer... a mim, o mundo, as pessoas.
Acho que falo perguntando.
Inclusive acho que passo a imagem de uma certa insegurança, porque raramente duvido ou discordo das pessoas e dificilmente afirmo uma coisa com ares de certeza. E se digo alguma coisa num tom de muita imposição, logo desconfio de mim mesma.
Não que não tenha meu próprio modo de pensar, ou que mude-o de acordo com o que ouço por aí. Mas acredito e respeito a lógica interna das pessoas. Assim como sou muito grata à quem me critica.
Porque aí está uma das coisas que menos aprecio nas pessoas: a mania de querer impor seu modo de pensar aos outros, seja por prazer ou por necessidade. O mais (ou menos) interessante é que, normalmente, estas pessoas discordam de tudo. Até de quem concorda com elas, porque não param para ouvir a opinião do outro. Falam sozinhas, mas não falam para elas mesmas. Falam somente para (se) afirmar.
Quando disse que desconfiava de mim mesma ao passar perto de ter uma atitude destas, é porque acredito que, afirmar demais uma coisa, é uma forma de apontar o quão frágil me coloco diante daquela questão. Do quanto aquilo me incomoda, e da INcerteza destas afirmações.
O nível de agressividade expressado é equivalente ao grau de ameaça a que se acredita estar submetido.
Pessoas assim têm dois destinos, ou ficam sozinhas - porque não constroem relações de crescimento, aceitação e troca - ou ficam rodeados de gente insegura que mal entendem do que falam, mas lhe dão ouvidos.
Minto, gente assim também atrai gente semelhante... Posso imaginar (ouvindo as vozes, claro) como seria um diálogo desse tipo. Dois monólogos completamente desencontrados, assuntos de naturezas diferentes, como se falassem de política e jardinagem ao mesmo tempo. Ruídos...
Gente assim eu descarto. Mas aprendo com elas.
Acho que acabo de criar minha teoria das grandes discussões. Não acredito em discussões, não gosto de me envolver em grandes debates... a não ser como ouvinte, claro! Porque é impossível chegar a grandes conclusões tendo que mudar de posição sem repetir e repassar a idéia por algumas vezes na cabeça. E isto não acontece num único dia. Envolve descontruir e reconstruir idéias.
Por isso admito que, embora esteja aqui justamente criticando, eu mesma muitas vezes defendi idéias com unhas e dentes, quase que literalmente. Mas depois de um tempo percebi que estava deixando de ser eu, com minha inteligência e capacidade crítica, para adotar uma idéia pronta sem a chance – ou pior, a permissão - de questioná-la ou contrui-la a meu modo.
Hoje procuro ouvir, não só o que as pessoas dizem mas também aquilo que não dizem (não estou falando de analisar e interpretar... coisa de psicólogo, credo! rsrs). Falo de ouvir a emoção que a pessoa traz através do que fala, e, sobretudo, de respeitar seu modo de expressar e pensar.
Porque há uma lógica em cada discurso e uma razão pela qual falam.
18 outubro 2008
Simplificar-se
Sophia Compeagá
14 outubro 2008
O Vazio
(Rubem Alves)
02 outubro 2008
E viveram felizes para sempre...
25 setembro 2008
Ausência
21 setembro 2008
sobre o envelhecer...
15 setembro 2008
alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no meio do caminho...
Sophia Compeagá
07 setembro 2008
do amor e de todas as coisas...
27 agosto 2008
Nasce mais alto!
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
23 agosto 2008
Tristeza doce
uma saudade de não se sabe o que, ou quem (ou se sabe...).
Uma tristeza mansa que às vezes vira angústia intensa,
mas que normalmente é lilás e de águas tranquilas.
Por vezes me sinto atingida por este sentimento
que me acomete normalmente em momentos desacompanhados,
mas nem por isso solitários.
Tristeza doce parece ser a falta daquilo que logo vem,
ou talvez daquilo que já se foi.
Lembrança ou esperança que se traduz num sentimento de gratidão.
Permitir-se inundar de tristeza doce é apropriar-se
da condição de solitário e incompleto mas não fechar os olhos
para o mundo e a vida em suas infinitas possibilidades!
Ao contrário, nestes raros momentos contactamos nossa essência e
nos sentimos parte de Tudo. Plenos!
30 julho 2008
25th...
15 julho 2008
Pertencer
10 julho 2008
dos laços...
As pessoas se vão, de um jeito ou de outro. Algumas se vão antes mesmo de irem de fato!
Estar junto ou separado vai muito além do sacramento, do papel, da lei (que aliás tem percebido a grande complexidade das relações).
Casamento eterno é tratado religioso, que tinha como principal finalidade o acúmulo de bens. Aliás, o casamento passou por uma história interessante ao longo dos anos, sem contar as mudanças que os papéis "marido" e "mulher" sofreram e tem sofrido diante da sociedade.
Sei que com o capitalismo, a contemporaneidade vem marcada por instituições falidas: igreja, estado, família, escola, casamento. Ao contrário do que parece, este texto não vem cooperar com este fenômeno. Não quero apoiar este enorme salto estatístico das separações e divórcios dos últimos anos. Longe de mim MESMO...
Casamento não prende ninguém, filho não prende ninguém! "Prende", que termo estranho...
Já dizia a música: "a nossa liberdade é o que nos prende". Pra mim, casamento ideal é este! A liberdade concedida garante que o parceiro esteja com você realmente por opção!
Nem sempre funciona, mas pra mim o importante da relação é a história que a sustenta. A paixão não dura para sempre mesmo, isso é fato comprovado c-i-e-n-t-i-f-i-c-a-m-e-n-t-e! Mas o que eu também acredito e a ciência não diz é que podemos nos reapaixonar... por um gesto, por uma palavra, por alguma novidade vindo da mesma velha pessoa. Há muito ainda por nos apaixonarmos e relacionar-se exige constante criatividade!
O problema é que acreditamos que a pessoa é mesmo aquilo que nossas primeiras impressões apontaram. E tendemos a negar o restante que nos vai sendo apresentado pouco a pouco. E em pouco tempo estaremos acusando os pobres coitados de nos decepcionarem por não serem os mesmos de quando os conhecemos. O amor é mesmo cego...
E quando nos relacionamos de verdade a paixão constante é possível porque o outro será sempre outro, e estará sempre mudando, como nós também.
Mas colocar tudo isso em prática exige muito esforço... que cabe a cada um julgar se vale a pena ou não! Como tudo na vida, e como a própria vida, relacionar-se intensamente oferece perdas e ganhos. O importante é estar consciente de nossas escolhas. E investigar seus reais motivos...
30 junho 2008
As palavras têm vida
Palavra é "só" representação, mas a necessidade de haver palavras para nomear as coisas significa que as coisas são inatingíveis por elas mesmas.
E a gente vive é mesmo assim... representando... vivendo e convivendo através de imagens irreais... e sem saber! Ainda bem! Afinal, saber, muitas vezes tira o encanto das coisas...
Mas escrevê-las lhes devolve um encanto especial!
E eu escrevo mesmo é sobre coisas que não sei. Só sei falar do que não entendo. Porque o que entendo já não importa, o que já entendo não move nada em mim! É o desconhecido que me instiga!
Viver é isso... as coisas nunca estão prontas, nada nos satisfaz plenamente e a gente nunca está maduro o suficiente.
Portanto sou, eu mesma, desconhecida para mim. Porque não sou, constantemente me torno!
E talvez por isso nunca deixe de escrever...
Quando acabarem os mistérios (e, acredite, nunca vão acabar!) eu mudarei de opinião! E passarei a rever o que já sei... Passarei a dar vida ao que já está morto dentro de mim!
Esta é mais uma das ironias da vida que eu tanto aprecio, um contraste fabuloso: fé é dúvida!
26 junho 2008
Se eu fosse falar de amor
eu iria falar de despedidas,
eu iria falar de desencontros,
eu iria falar de esperas,
eu iria falar de distâncias.
Sim, eu iria falar de dores
porque o amor nasce mesmo é na falta.
Mas eu não sei falar de amor!
Porque o amor não pode ser traduzido.
Falar é explicar,
e o amor só pode ser sentido.
25 junho 2008
da perda...
"Chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação de vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo."
(Carlos Drummond de Andrade)
10 junho 2008
das desconstruções que nos constroem...
27 maio 2008
Meu pecado de pensar
23 maio 2008
Quem tem alma não tem calma
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Como páginas, meu ser.
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo:"Fui eu?"
Deus sabe porque o escreveu."
19 maio 2008
da tua covardia...
03 maio 2008
da eternidade das coisas findas...
O que é um país sem história?
Um povo sem suas tradições?
que não sabe contar histórias de assombrações?
de histórias,
de bons e maus momentos.
de idéias e ideais,
de expectativas e frustrações.
de horizonte que não se alcança,
do ontem que não volta.
no reconhecer de um futuro que se sabe finito.
É quando ela, a mais carente de sentido,
A mais carente de vida,
Afinal, não é preciso morrer
Eternos são aqueles que se sabem mortais!
Sophia Compeagá
18 abril 2008
da presença da ausência...
10 abril 2008
do narcisismo...
04 abril 2008
01 abril 2008
Samba da benção
04 março 2008
da ausência da presença...
02 março 2008
Passageira
Defendi algumas verdades, mas compreendi que toda verdade é passageira, as minhas também foram.
A solidão é inerente ao homem.
Vim pra este mundo só e um dia irei embora dele também só.
29 fevereiro 2008
Tão tão complexo, tão tão confuso...
Talvez porque eu saiba que, independente do assunto,
Mas tenho pensado mesmo nisso... por que não escrever?
Escrever é simbolizar.
Porque, pra mim, escrever é essencialmente procurar.