02 dezembro 2008

dos caminhos que nos trazem a nós...


Há pouco tempo fiz uma grande descoberta sobre parte da minha história. Foi um dos maiores insights que já tive, mas ainda não entendi por completo sua influência na minha vida porque a cada dia descubro um detalhe novo.
Não quero criar muitas expectativas porque certamente este valor todo a que atribuo à descoberta cabe somente a mim!

Sempre tive um verdadeiro encanto por tornados. Sim, estes funis de vento que giram, destróem tudo por onde passam deixando claro que ninguém pode com a força da natureza. Gostaria de me lembrar neste momento qual o psicanalista que afirmou que SE TENS UM MEDO, EIS AÍ SEU DESEJO ou coisa assim... (quando me lembrar, reedito a postagem). Enfim... este encanto, admiração, medo (sei lá como nomear isto) sempre esteve presente em mim... Quando mais nova pesquisava sobre o efeito e as causas dos fortes ventos, assistia a vídeos, buscava por fotos... já nem sei mais quantas vezes assisti ao filme Twister.
E sempre me foi assim mesmo, um medo misturado com uma admiração tremenda!
Foi então que, assistindo a um vídeo do Youtube, encontrei uma cena do filme O Mágico de Oz que já havia assistido quando muito pequena mas não lembrava mais. A cena mostrava a parte em que um tornado invadia a vila e Dorothy era sugada junto com a casa em que estava, ficando suspensos e girando dentro do funil gigante.
Na hora me veio o insight! Quando muito criança assisti a este filme e me lembro de ter me causado grande medo... mas também (suponho) grande interesse já que a cena do tornado acontece no início e me lembro de detalhes que acontecem no meio e no final do filme como por exemplo dos sapatos mágicos de Dorothy que (ao final descobre-se) lhe davam o poder de voltar para casa.
Mais um insight (e um sintoma) sou fanática por pés e sapatos!

Embora este seja um filme infantil, a mensagem que tiramos aponta um conteúdo muito maduro. Três fortes personagens, além de Dorothy, contribuem para as lições da história: o espantalho que desejava ter um cérebro, mas que era inteligente e conseguia dar grandes soluções que salvavam os personagens; o homem de lata que desejava ter um coração, mas era o mais sensível de todos; e o leão que desejava coragem mas que na verdade não conseguia lidar com a coragem que já possuía, e confundia covardia com prudência.
Dorothy por sua vez tinha o desejo de voltar para casa, e junto de seus três amigos passam todo o filme em busca do mágico que lhes realizaria os pedidos.
Juntos, os quatro ilustram a dinâmica humana e os centros de força que mobilizam as pessoas. Pensamento (cérebro), sentimento (coração) e instinto (coragem) são 3 instâncias que, em equilíbrio, permitem a harmonia do corpo na dinâmica do viver. Mas há uma quarta instância tão presente quanto as outras: a tão humana e eterna vontade de voltar pra casa.

Desde o ventre de nossas mães cumprimos o destino de romper barreiras e crescer. E ainda que seja um destino humano e independente da vontade, crescer é um desafio... há que se confrontar com a própria vida e consigo mesmo.
Há em nós, acredito, um impulso de voar, mas também um forte impulso de ficar no ninho. E essas duas pulsões se conflitam continuamente.
A sucessão de enfrentamentos vai depender do contexto e da história de cada um, mas há situações que são bem comuns a todos nós. São elas: o próprio parto, a entrada na escola, nascimento de irmãos, as crises da adolescência, as responsabilidades da vida adulta, o trabalho, os rompimentos, os lutos pelos entes queridos, as enfermidades, a entrada na faculdade, promoções, mudanças, a velhice, etc...
Considero enfrentamento toda situação que altera o funcionamento normal da pessoa e que a faz sair desta fase diferente de antes (seja para melhor ou pior). É um caminho desconhecido, imposto pela vida (ou que nos impomos a nós mesmos) em que precisamos percorrer para que o equilíbrio anterior seja retomado.
Estes enfrentamentos nos exigem um sincero encontro consigo mesmo, pois nos põe em contato com o limite de nossas forças e muitas vezes nos obrigam a ir além.
É interessante notar que, embora pareça que a necessidade de enfrentamento se dê à partir da pulsão que nos põe adiante (que nos põe a voar), ela também se dá devido à necessidade de retornar ao ninho, de retomar o equilíbrio, de voltar para casa.
Muitas vezes o caminho do enfrentamento é longo e árduo e ao final descobre-se que a resolução do problema, o Santo Graal, estava mesmo lá atrás, na linha de partida. Talvez já na bagagem do peregrino antes deste iniciar sua jornada em procura de sabedoria. Mas era preciso correr todo o percurso para adquirir a capacidade de percebê-lo. Foi assim com O Alquimista, é assim com todos nós.
No fundo essa eterna vontade de ir pra casa é a voz do nosso desejo se fazendo ouvir.
As duas pulsões, apesar dos conflitos, estão indicando o mesmo caminho, o da descoberta de si mesmo através das experiências.
Tavez o Mágico de Oz seja meu grande conto de fadas! Certamente haverá muito mais ainda por descobrir da aventura de Dorothy... e de mim.


Por Sophia Compeagá

8 comentários:

Marcella Castro disse...

Também penso assim, que as coisas que tem amendrontam de certa forma te atraem...não tudo, lógico! Afinal baratas não me atraem rsrsrs
Beijos querida! Obrigada pela visita em meu blog! Volta sempre!

Anônimo disse...

Pensamos muito em comum, Sophia. Poxa, adorei seu blog!

Alê Quites disse...

recíprocidade eu diria.
Salve!
Deixo beijos e doces

. fina flor . disse...

tão bom perceber isso tudo, não?

e siiiiim, é preciso coragem sincera para vencer barreiras.

beijos, flor

MM.

Unknown disse...

Amore...

Vc me fez pensar!!! Talvez alguns medos realmente tenham significado em minha vida , pq me sinto araida por eles.

SABE TB GOSTO DO MAGICO DE OZ, ENGRAÇADO QUE QUANDO EU ERA PEQUENA TINHA MEDO DOS PERSONAGENS,RSRSR!!
BEIJO BEIJO BEIJO

DaniCabrera disse...

Oi Sophia,

Olha, adorei o assunto dessa postagem. E te confesso que acabei de entrar num período de auto-análise por conta dele. Tenho medos também... normal! rs
Todos temos. Assim como temos outras coisas típicas de nós, e me deu muita vontade de desvendar essas coisas de mim.

Gostei muito mesmo da postagem.
Tenho certeza que vou passar alguns dias voltando pra relê-la.


Um beijo pra você,

Da tua visitante número 1000! :D



Dani.

Unknown disse...

Sô!!!
Adorei o texto e toda interpretação decrita nele!
Me fez pensar em muitos medos que me afligem...quem sabe um dia eu consiga entender o porquê deles! Acho que vou reler umas várias vezes pra clarear as ideias que vem surgindo!!!

Andre Martin disse...

Outro personagem de muita importância, mas que só aparece no final, é o próprio Mágico de Oz, aquele vozeirão, senhor de tudo, a quem todos procuram para resolver seus próprios problemas, a quem o têm como um deus, um mago, um todo-poderoso, perfeito prefeito de OZ, e que no final se revela um grande embuste, um canastrão que faz uso da engenhosidade para conseguir prestígio. A revelação, no final do filme, chega a ser chocante, pois afinal ELE não resolveria o problema da volta da Dorothy, que era o que ela mais queria. Ele NÃO deu um coração de verdade para o homem de ferro, nem um cérebro novo para o espantalho nem tornou o leão valente. Mas soube, com psicologia, convencê-los que foram todos atendidos (com medalhas, diplomas e relógios! hahaha). Todos, menos Dorothy, a personagem principal do filme... Ele nem sabia onde ficava Kansas!!

Outro aspecto que me chamou muito a atenção no filme, é que ele começa e termina em preto-e-branco! A fantasia, o sonho, é colorido! A realidade é tons de cinza! Sutil! Genial!

PS: Já estive em Kansas, a trabalho, em 2007, e lá eles se auto-vangloriam como sendo "A terra do Mágico de Oz" e você encontra um monte de lembrancinhas no aeroporto e lojas turísticas.