21 julho 2010

férias...

hoje eu tirei o dia pra ver filmes melosos, ficar de pijama e meia, ler poesias, escrever cartas de saudade.
mas meu vizinho insiste com esse samba que cutuca (não cutuca?) a alegria que hoje resolvi esconder. 
meu corpo vibra e quase bato com os pés. 
ninguém pode com a alegria de um samba, mesmo nesses dias hibernosos de chuva.



20 julho 2010

afins

Até os mais extremamente opostos
estão ligados pelos aspectos em que se opõem.
Quanto mais forem os aspectos,
mais afinidades terão.

12 julho 2010

Hello, Stranger!


"Intimacy is a lie we tell ourselves. If you believe in love at first sight, you'll never stop looking."

do filme Closer - Perto Demais (que eu não canso de assistir...)




08 julho 2010

eu sinto muito.


Estou tentando, juro que estou, transcrever em palavras doces e legíveis (digeríveis?) os sentimentos atravessados no meu peito. Sinto que (e eu sinto tanto, eu sinto muito...) preciso dar nome à tudo isso e também sinto, meio intuitivamente, que, por tamanha força, jorrarão palavras por todos os lados e será um trabalho árduo organizá-las no papel. Mas nem digeríveis, nem mastigáveis, daqui só saem palavrões. 
Há muito nó por desatar...e os nós são a base dos laços. Quando um laço se desfaz sempre ainda sobra um nó. 
Acabo de cometer um ato falho, por pouco não escrevo dó ao invés de nó. Me faz pensar...
E o dó seria de quem? Quem estou poupando quando seguro estas palavras entre os dentes impedindo que escapem boca afora? 
Não seria esta a razão de haver tanta coisa atravessada e acumulada, por talvez nunca terem tido vazão? 
Por que será que a gente tende à pensar que quem dá vazão perde a razão? 
Talvez não haja mesmo palavras ou nomes, talvez seja só ele: o grito. 

Sophia Compeagá

03 julho 2010

pensava eu

pensava eu que todo abraço era bom.
não penso mais.
tem abraço que acolhe. mas tem abraço que sufoca sentimento.
tem beijo que substitui palavras. mas tem beijo que cala a expressão.
às vezes o silêncio é a melhor forma de intimidade.
não o silêncio pela ausência de palavras somente, mas o silêncio da entrega.
é preciso uma certa distância para olhar olhos alheios e ser refletida por eles.

sophia compeagá

29 junho 2010

ócios do ofício

estive bastante agitada. comecei um trabalho e saí, comecei a escrever o tcc e desisti, comecei a curtir a nova casa e soube que vamos nos mudar.
de todos, o menos frustrante foi a mudança. talvez porque já esteja acostumada, talvez porque a ficha não tenha caído ainda, pois a mudança será somente no final do ano. muito provavelmente seja mesmo este último!
além disso tem a formatura se aproximando. tudo caminhando pra que também seja no final deste ano! outra ficha que está por cair...
nessa agitação, parece que tenho pensado muito pra fora, sentido pra fora e vivido pra fora. é bom, produzo também, mas falta esse tempo de voltar para o casulo e recuperar as energias.
e não sei escrever sem esse tempo. preciso de um mínimo de ócio para me conectar comigo, e mesmo pra elaborar estas vivências tão externas, trazendo-as pra mais dentro de mim. 
sem isso as fichas não caem mesmo. não há preparo para acolher mais fatos. 
acho necessário contar o vivido. para a gente mesmo. pra poder assentar estas coisas dentro da gente, dar nome e lugar para cada uma delas. e meus últimos vividos tem sido bastante intensos. aliás, pouco me lembro de ter tido algum período de calmaria na vida. nem minha infância se salvou disso.
às vezes escrevo para dar sentido às coisas, às vezes para despi-las de significado. às vezes para encaixar as peças, às vezes pra partir tudo em miúdos, e reconstruí-las do meu jeito depois.
quando conto, brinco com a realidade. com toda a seriedade que isso merece e exige. mas muitas vezes sem me dar conta de que o que eu conto muda o conto no final das contas.

sophia compeagá



"mas é que também não sei dar forma ao que me aconteceu. e sem dar uma forma, nada me existe."
(Clarice Lispector in A paixão segundo G.H)

15 junho 2010

pausa

tenho andado um pouco ausente. na verdade tenho rascunhado muito, mas não postando nada. é que postar, pra mim, passou a ter o efeito de "ato", enquanto rascunhar tem me oferecido a elaboração de qualquer coisa que não precise ser editada.
estou nos bastidores. na escrita sem compromisso. não que o blog tenha se tornado um compromisso, mas de repente deixou de ter  a função organizadora de antes.
não vou parar de postar, logo estarei de volta.
é só um tempo. precioso e preciso.

26 maio 2010

um doce, uma dança, paixão, dormir cedo

Na eterna propaganda da rede de supermercados Pão de Açúcar, Arnaldo Antunes canta aquela musiquinha do Seu Jorge "o que faz você feliz?". Enquanto morei em Fortaleza e ia ao supermercado, esta musiquinha tocava todo-santo-dia-toda-santa-hora. Era quase insuportável. Ficava imaginando que cada funcionário deveria usar aqueles protetores auditivos, e deviam odiar Os Tribalistas. Cada um lida com as frustrações de um jeito. Bruno por sua vez inventava paródias engraçadas. Eu, ria.
Hoje achei a musiquinha no youtube. A propaganda toda, com videozinho e imagens fofinhas. Deu saudade. E parei pra pensar no que realmente era insuportável. Talvez fosse não ter a resposta para a pergunta que insistia: O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? 




No princípio era o Verbo...

Foi meio de repente que decidi fazer minha tatuagem. Saí de casa para tatuar um tornado com pequenas borboletinhas em volta, voltei com uma borboleta apenas e uma frase. Gostei demais! O tornado vai ficar pra outra hora...
Quis registrar aqui porque tem muito a ver com as elucubrações desse meu mundo fantástico e lilás.
E por hoje é só...


"Por hoje é só
Vou deixar passar a ventania
talvez amanhã
vento, vela e velocidade"

(Pouca Vogal)

28 abril 2010

mais uma sobre miopia


sou uma míope que resiste às lentes. prefere andar aos tropeços, não reconhecer as pessoas e se passar por mal-educada, não conseguir ler a tempo os itinerários e perder alguns ônibus à ter de carregar o peso dos óculos sobre o nariz.

queria mesmo era poder diminuir o grau da lente. assim, apenas para sobreviver sem ter que enxergar muito mais do que já vejo.
é estranho enxergar demais... quando boto os óculos penso que assim então estou enxergando como todo mundo, como deve ser, como dita a normalidade.
não quero enxergar como todo mundo. não que esteja evitando a realidade, não é isso. e ninguém garante que a melhor das visões humanas não seja limitada e deixe muito por escapar.
é que sempre reservei a mim uma discreta anormalidade no observar. porque o modo de perceber define o que eu sou, quem eu sou. e quando deixo de ver o que todo mundo vê, reparo o detalhe, não raro, essencial.




sophia compeagá








obs.: caros pedestres de Canoas e Porto Alegre, cabe observar que, embora não conste na minha habilitação que devo fazer uso das lentes quando ao volante, sim, eu uso óculos quando dirijo!



02 abril 2010

da maturidade

o problema não é a idade não, doutor! não é disso que estou reclamando.
as rugas contam histórias e elas são até bem-vindas.
o problema é que tenho notado que elas só têm aparecido aqui nestas listras da testa, vê!? como quem viveu uma vida de preocupações.
não doutor, não é botox que eu quero, me deixe explicar! eu preciso que o senhor encontre aqui no canto dos olhos pelo menos um pezinho de galinha que também conte dos sorrisos e momentos de alegria.
eles deveriam estar aqui em algum lugar...

sophia compeagá

21 março 2010

Mais uma primavera

E o blog completou 3 anos de letrinhas e insights...
É engraçado, mas eu nunca li uma definição teórica para o que é insight. Esta que criei para o blog é a minha forma particular de compreender, que acredito não se distanciar muito da forma teórica oficial.
Ter um insight é como acender uma chama que pode se manter acesa ou não. O que mantém uma chama acesa é o que chamamos de combustível, e existem combustíveis dos mais diversos tipos. Para os insights também... Existem combustíveis para insights que são como a palha, fazem um fogaréu no começo, mas se apagam rapidamente... Penso que o melhor combustível para o insight é a dúvida, e a motivação para se seguir questionando. 

Ontem revi O Guia do Mochileiro das Galáxias. Já tinha assistido mas não me lembrava de alguns detalhes como a cômica resposta para a "pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais", que era um simples número. Engraçado mesmo foi terem de esperar milhões de anos para que o computador tivesse esta resposta. Diante da frustração do povo, o "pensador profundo", como é chamado o computador, justifica então que não lhe haviam feito realmente uma pergunta. A partir daí o filme se desenrola na busca pela pergunta que resolveria a "questão fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais" cuja resposta era o número 42.

As vezes eu acho que a questão crucial da nossa vida, a pergunta maior da qual a resposta resolveria nossos conflitos interiores é aquela que nunca ousaremos fazer. Vem daí minha desconfiança de que as perguntas que tanto me rodeiam, que insisto em repetir mesmo sem esperanças de respostas, sejam na verdade formas de evitar a pergunta maior. Mas acho também que as perguntas menores possam ser pequenos ensaios, ainda que defensivos.
A resposta talvez seja simples, não tão simples quanto 42, mas a dificuldade reside mesmo em se saber qual é a pergunta certa e se ter a coragem de fazê-la.

Sempre achei a dúvida mais produtiva que a certeza e a resposta dada. Prefiro conversas abertas do que combates intelectuais estéreis. Fujo de diálogos assim, que nem diálogos são, mas monólogos paralelos. Infelizmente, poucos entendem esta diferença. Me apaixonei pelo psicanalista Contardo Calligaris quando numa entrevista ele disse que não gosta de ter nem manifestar opiniões, pois não suporta a idéia de induzir alguém a pensar como ele. Calligaris é o máximo!

Então o que eu quero mesmo é que o blog seja como um jardim. De dúvidas, insights, contradições e idéias em construção. Que mesmo que murchem e morram, nasçam de novo quantas vezes forem necessárias, conduzindo sempre a desafios maiores.
E que aconteçam muitas mais primaveras por aqui...

Sophia Compeagá


05 março 2010

da memória







o fim é relativo 
quando eternizar é-ter-na-mente 
aquilo que pode durar para sempre 
dentro da gente 
mesmo que acabe. 



sophia compeagá







24 fevereiro 2010

Uma porção de eus


Foi desde que eu entendi que ser humano não evolui que eu me decidi por buscar, ao invés de evoluir, expandir.
Eu não sei viver sem aspirar alguma coisa, ainda não aprendi a aceitar as coisas como são e a não querer mudar o mundo...
Quem sabe repetindo isso algumas vezes eu entenda.
Eu sei, pessoas não são como pokemons ou como os digimons que "digivoluem". Pessoas vivem, crescem, reproduzem (ou não) e morrem. Tão simples...
E entre uma coisa e outra criam. 
Nestas descobertas eu também abandonei esta busca desenfreada pelo auto-conhecimento, pelo menos da forma como fazia. É, porque essa coisa de buscar a si passou a me parecer tão retrógrada, como caminhar pra trás em busca de alguma coisa que foi perdida. Eu não quero encontrar o perdido, eu quero criar o novo, reinventar a vida, quantas vezes for preciso. 
Renascendo todos os dias vou ter uma porção de eus. E no final vou morrer de verdade, pois já terei vivido tanto que não vou caber em mim, que nem vou caber no mundo. 


Sophia Compeagá

"Todas as formas de vida são igualmente espantosas e miraculosas,
e não há tendência em direção a formas superiores" (Jacques Lacan).

14 fevereiro 2010

Born to be uai


A gente só entende o que é cultura quando se distancia da sua, quando sai do território conhecido e sente falta daquilo que nem tem nome ou consistência mas que te faz ser mais você. Fica dentro de cada um, mas não individualmente. É o plural que fica dentro da gente quando a gente se faz singular. É a sensação de se ter sempre pra onde voltar, mesmo que seja pra um lugar que só exista na lembrança...

Impossível se ensinar sobre cultura, definir ou descrever sem experimentar e sem se falar através da sua própria cultura.
Cultura é linguagem, e linguagem é tudo. Mesmo que haja muitos universos além desse "tudo". A linguagem é o nosso universo. E é a forma com que descobrimos e damos sentido e signicado ao próprio existir.

Conheço uma pessoa que ensinava sobre folclore contando lendas e historinhas do povo antigo. Não vejo melhor forma que esta. É um pouco como Lacan falava a respeito da psicanálise: ela não se ensina, se transmite!

Acabo de voltar das férias em Minas. Fui rever os familiares que há muitos meses não via. Foi daí que tirei essa coisa toda sobre cultura na qual tenho pensado...
Estava cheia de saudades das pessoas, do clima, do sotaque, do sabor das comidas típicas, do cheirinho de fogão à lenha, do feijão vermelho e de muitas outras coisas... Impossível enumerar a lista, sinto saudades de coisas estranhas tipo um velho portão que tinha na casa da minha mãe, da textura, do cheiro de madeira úmida, do barulho que fazia quando, empenado, se arrastava no chão... Eu sei, sou mesmo - estranhamente - nostálgica. 

Talvez por ter ficado um tempo razoável sem voltar, estava me sentido meio sem pátria. O sotaque já virou uma mistura danada, e eu estou mesmo cada dia mais apaixonada pelo Rio Grande do Sul, assim como também me apaixonei por outros lugares onde morei. E é impossível não carregar pelo menos um pouquinho conosco de cada lugar e de cada gente...
Mas foi só voltar pras Gerais que me encontrei de novo com o 'uai' perdido do meu vocabulário.

É muito bom voltar pra casa, é muito bom sentir que ainda se tem um cantinho reservado no coração invisível de um lugar que já foi seu.
Acho que agora entendo quando alguém pergunta de onde a gente é.
Um dia questionei: como assim o lugar é dono da gente? Que se sabe são as pessoas que compram e possuem as terras e lugares, não o contrário...
Mas agora eu sei. A gente só é mesmo feliz quando possui aquilo que já nos possuiu primeiro, e não há preço que pague o pertencer.

D'Oncosô? Sô di Minas, uai!


Sophia Compeagá









"mineiro tem um quê de passageiro, tem um tudo de inteiro e um certo charme pra escrever..."



Aos leitores, um beijo e um queijo, com carinho! =)

13 fevereiro 2010

identidade

afirmou para si mesma uma porção de vezes: eu sou, eu sou! como se assim delimitasse uma linha imaginária em torno dela definindo o que era ela e o que não era.
difícil ser alguma coisa quando se quer ser tudo. ser tudo é como não ser nada.
a gente começa a ser quando olha pra fora e reconhece a diferença.
descobriu o outro, fez nascer a si. quando passou a negar, passou a existir.

sophia compeagá

26 janeiro 2010

Sobre andanças e mudanças II


estive bem ocupada com nossa mudança nos últimos dias, e já estamos na casa nova. agora é casa mesmo, não mais apê.
viva! temos um quintal! e um universo de outros seres com quem teremos que conviver.
ontem uma não-muito-simpática formiga veio me dar as boas vindas. tive que lançar mão do meu bom e velho anti-alérgico. aff...
mas estamos muitíssimo felizes! zeca nem se fala... já pulou três vezes o muro pra ir cumprimentar os novos vizinhos caninos. quase surtei quando vi ele cheirando o traseiro de outro cachorro quase dez vezes maior que ele. felizmente os vizinhos parecem ser de paz, embora mesmo assim eu desconfie de que eu não esteja utilizando os melhores instrumentos para conquistá-los, furadeira e martelo não me parecem muito agradáveis... mas pode ser só impressão.

mudar tem muitas vantagens, a gente se desafia, se sente gente grande, é uma aventura! tem que carregar móveis, se desfazer de algumas coisas, tomar decisões importantes, ponderar, e pechinchar. inclusive estou desenvolvendo esta habilidade...
mudando, a gente acaba se descobrindo um pouco engenheiro, arquiteto, eletricista, encanador... e, quem morre de medo de que os outros risquem seus móveis e quebrem suas louças, também se descobre um pouco halterofilista. e haja fôlego!

com essa idéia de mudanças reais, externas e estéticas me inspirei pra mudar a cara do blog também. já vi que foi aprovado por alguns e fiquei feliz. achei engraçado o márcio, depois de elogiar, me dizer discretamente que só não tinha entendido a razão da cereja. na verdade não tem muita explicação mesmo, a não ser o fato de eu amarrrr cerejas. mas até tem uma simbologia interessante por detrás da imagem da cereja pelo que andei vendo...
ao que parece, a cereja representa movimento (coincidentemente mudanças) e é adotada pela filosofia dos samurais como representante da brevidade da vida por causa da curta vida de suas flores que são levadas com facilidade pelo vento. também encontrei a cereja representando paixão, desejo e fertilidade. gostei destes últimos, não há nada mais fértil que o desejo, e há muito em que falo sobre desejo aqui no blog.
como disse hegel: "o desejo é imparável". e, pensando bem, no final, todas as representações não deixam de remeter a uma coisa só: movimento, mudança e transformação.
é, talvez a cerejinha tenha sido uma boa escolha, mesmo sem me dar conta...

mas, sabe... agora tô mais pro que é sólido, concreto e duradouro. tenho voo marcado para daqui uma semana e por enquanto não quero pensar em nada que me lembre movimento. sem falar que estou "por aqui" de mudanças...
que haja desejos sim, mas que sejam muito profundos...
por agora quero me preocupar com meu quintal. se as formiguinhas permitirem, vou andar descalço sobre a grama assim que a chuva parar e quem sabe receber um pouco da energia estável da terra.
estável, claro, até o próximo terremoto!


sophia compeagá

17 janeiro 2010

da miopia

Todo dia essa miopia vem me lembrar de reparar nos detalhes e dar uma esquecida do que está distante.
Na última consulta a doutora disse que 'pra perto' minha vista é perfeita, e eu confesso que senti um certo orgulho disso.
Mas a miopia vem... especialmente de tardezinha, mais pro final do dia, quando os olhos estão cansados de tentar enxergar além, que é quando também vem a saudade... E a miopia diz: 'aproveite o agora, o que está longe é pra depois'.

sophia compeagá





09 janeiro 2010

Sansões e Dalilas

nunca imaginei que a sensibilidade de um cachorro fosse tão longe...
zeca foi tosado pela primeira vez e voltou todo deprimido do pet, de cabeça baixa e quase sem reação. morri de pena.
realmente ficou muito diferente e temi que ele lesse nos meus olhos o quão estranho ele estava.
a depressão dele durou um dia, assim como a minha tendo que ver ele naquele estado.
sem sucesso tentei animá-lo, brincando e fazendo bagunça, até que desisti, me deitei do lado dele e apagamos juntos...
ele já melhorou e agora está todo serelepe, talvez ainda mais que antes porque está todo leve e sem pelos nos olhos. agora vê tudo com esses olhos arregalados que eu nem sabia que ele tinha. e está mto fofo. inclusive acho que o pelo já cresceu um pouco.
é engraçado porque eu tenho toda uma história com cabelos. minha família toda tem.
hoje todo mundo lá em casa é cabeleireiro, mas antes era só minha avó. o que já era suficiente para minha tortura.
já fui cobaia de vários experimentos bizarros... só eu sei. eu que sofro do terrível azar de ter o cabelo fino que acaba por se render facilmente aos desejos de mãos sádicas no manuseio de tesouras e químicas diversas.
sabe aquela história de a mãe não deixar a filha pintar o cabelo antes dos 15? não aconteceu comigo... quando eu tinha 9, minha mãe e avó fizeram permanente no meu cabelo. dá pra imaginar? já tive o cabelo de várias cores e tamanhos, e os cortes mais bizarros. isso sem contar que quando eu tinha 2 anos e os cachinhos começaram a aparecer (sim porque nasci totalmente careca), meu pai que queria que meu cabelo fosse liso igual ao da minha mãe, ignorando qualquer conhecimento sobre genética, cortou todos os fios na esperança de vê-los nascer novamente lisos. virei um joãozinho. (valeu pai!)
com todo esse estímulo me senti com total autonomia para, aos 13 anos, comprar um alisador químico na farmácia e pedir para passarem no meu cabelo. acontece que eu não sabia que escova também alisava, ainda que provisoriamente, e a cabeleireira então (minha prima) aplicou o alisador e em seguida fez uma super escova no meu cabelo. desconhecendo que o efeito liso perfeito era do secador, tive o dia mais feliz da minha vida achando que aquilo ia durar "para sempre". aliás, as horas mais felizes da minha vida, porque naquele mesmo dia resolvi nadar em uma cachoeira, molhando as lisas madeixas que logo em seguida voltaram ao estado normal, com a diferenciação de estarem ressecadas e quebradiças. que decepção!
enfim, as experiências não foram poucas... e em quantidade e exagero só perco para minha irmã.
mas realmente não imaginei que isso iria se repetir com meu cachorro. até penso que quando tiver uma filha, vou cuidar do cabelo, evitar qualquer atitude extrema e protegê-la dos avós, tios, primos, etc...
definitivamente os cães e outros animais são muito mais sensíveis e inteligentes do que pensamos. há quem traduza isso em termos de 'humanidade'. me adianto em dizer que está longe disso... nada se compara à espontaneidade dos animais em expressar o que lhes desagrada. diferentemente de nós que expressamos nosso lado selvagem de formas tão inadequadas justamente pela tentativa de ignorarmos nossa truculência. somos muito mais animais do que nossos animais são humanos, e quanto antes nos dermos conta da selvageria que nos habita melhor lidaremos com ela. 
sophia compeagá


"A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também".

(Clarice Lispector)

03 janeiro 2010

do que ficou de 2009...

"Aprendi que música não tem pressa (...) que música é outra maneira de dizer silêncio." (Marco Polo)


...e que felicidade é música, a mais ensurdecedora, com toda contradição que há nisso.
porque a felicidade é contraditória!

Que 2010 seja um ano repleto de contradições, dúvidas e desejos
que instiguem a busca de mais compreensão, conhecimento e realizações!





Sophia Compeagá

21 dezembro 2009

sobre o natal e essa minha 'saudade lilás'


hj acordei chorosa. segundo o bruno, estou com o espírito natalino.
saravá!
na verdade é saudade. este é o segundo ano consecutivo em que passo o natal longe dos parentes.
pais, irmãos, avós, tios e primos a muitos quilômetros de distância... e a cada visita noto o efeito do tempo, as crianças já não não são mais crianças, a família envelhece, alguns já não estão mais entre nós...
(as reticências são mesmo pra representar meu estado de espírito: inconclusivo.)
sempre gostei de natal. sempre anunciei meu prazer pelas festas, pelas reuniões familiares, pela casa cheia e bagunçada, pela falação, pelos amigos secretos que muito antes da revelação deixam de ser secretos, pelos movimentos solidários, e até mesmo pelos ritos religiosos.
ao mesmo tempo nunca compreendi muito bem as pessoas que se diziam avessas ao natal mesmo que se festeje, esteja em família, e em aparente harmonia. a razão de não se gostar, dizem, é a melancolia que a data gera.
percebo agora que também sinto a mesma coisa, uma tristeza adocicada, mas gosto! eu realmente gosto deste clima reflexivo que o natal oferece. e desconfio de que não seja a qualquer um.
tem que ter sensibilidade e tem que estar em contato consigo mesmo para se deixar tocar por este 'sei lá o quê' que tanto mexe com nossas questões, principalmente no que diz respeito às relações.
talvez o clima melancólico do natal se reforce pela proximidade com o ano novo e, claro, pela mensagem de nascimento. a proposta talvez então seja transformar a tristeza em esperança.
concordo que a mensagem é um pouco fantasiosa e romântica. mas se eu realmente puder tirar alguma coisa positiva disso tudo, qual o problema?

eu acredito na força do natal, e se tivesse escolha ainda acreditaria em papai-noel.

sophia compeagá


feliz natal à todos nós,
e um ano novo cheio de insights!




25 novembro 2009

Rita Apoena

Me encanto profundamente com o que Rita Apoena escreve. Mal tenho palavras... mas ela tem! E são palavras que vão tão direto ao coração que a gente lê quase que com todos os sentidos e não somente a visão. Toca na gente como um carinho, soa como música, tem cheirinho de infância e gosto de descobertas. E aguça essa curiosidade infantil de sempre se ler mais de Rita.


"Eu sei que quando um paizinho dorme para sempre, ele não atende mais o telefone, não aparece mais no portão. Não adianta chamá-lo pelo nome ou dizer que é dia de futebol. É que quando um paizinho dorme para sempre, ele fica assim, espalhado no mundo, em todas as coisas pequeninas, e a gente precisa de muita delicadeza para encontrá-lo de volta.

No começo, a gente só o encontra nos suspiros da mãe, nos olhos do cachorro esperando no portão, na cadeira vazia, no remendo dos armários, nos pregos segurando os quadros, na garrafa de vinho, pela metade. Aos pouquinhos e devagar, a gente começa a encontrá-lo nas alegrias do mundo, no vôo das cotovias, no desenho das nuvens formando barquinhos e caravelas, numa pessoa sem mágoa, nas toalhas sem nódoa, e até quando felizes nossos olhos vão se enchendo d'água... "

18 novembro 2009

Duvido de quem não alimenta dúvidas...


"Duvido de quem não alimenta dúvidas,
de quem nunca quis fugir,
dos que não se escondem,
dos que sempre dão a cara pra bater.
Há algo profundamente triste
em não sentir falta
de alguém que não vai voltar...".

(Mário Bortolotto)

13 novembro 2009

Sobre andanças e mudanças

Nesta semana comemoramos o aniversário do Zeca.
Faz tempo que não posto nada sobre ele aqui, e relendo a última postagem, dei algumas risadas. Tamanha era minha ansiedade com a história de levá-lo comigo no voo. Tamanho meu engano querendo atribuir um medo meu à ele.
Não estou “curada”, nem estou tocando neste assunto novamente por estar prestes a tomar um avião - embora minhas férias estejam se aproximando e seja fato que eu vá ter de voar em poucos dias. Também não sei dizer exatamente porque estou escrevendo sobre isso, mas sei que muita coisa mudou, sim.
Nenhuma boa e concreta mudança acontece de uma hora para a outra. É preciso tempo, um tempo interno para vivências, um tempo para a elaboração dessas vivências, um tempo para ir se permitindo, aos poucos, renascer. É mesmo como uma gestação, e um parto... um doloroso parto.
E certas mudanças têm disso, mesmo as mais evidentes. Não se sabe bem onde ela está, onde começou, como ou quando, mas sabe-se muito bem que ela aconteceu.
Eu mudei! E não foi através de propostas milagrosas, revoluções espirituais, ou qualquer outro tipo de pressão. Pelo contrário, mudei justamente quando aprendi a ceder e me dei conta de que quando a luta é interna não há vencedores.
Muito se fala em psicanálise sobre não ceder do próprio desejo, e bancá-lo, confrontando os obstáculos necessários para isso, inclusive os medos.
O que talvez eu tenha aprendido seja, não a ceder DO desejo, mas AO desejo.
Acredito que aquilo que nos causa medo esconde muito do nosso desejo, e não deve ser à toa que “elegemos” certas coisas para temer.
Esse tal medo de voar me obrigou a refletir sobre seus significados e sentidos e pude concluir, não há bater de asas que sustente o peso do medo de sair do ninho. O que eu não sabia era que ao invés de tentar enfrentar o medo, precisava antes, entender o que era criar asas e alçar voo. Precisava saber do meu desejo.

Sophia Compeagá








Zeca fez aniversário dia 10, no mesmo dia em que o 'avô', meu pai.
Claro, com o 'avô' paraquedista e o 'pai' piloto, achar que ele teria qualquer medo ao embarcar no avião só poderia ser neurose de 'mãe'...

30 outubro 2009

silêncio con-sentido


deve haver dois tipos de silêncios. eu, pelo menos, assim os separo. o primeiro representa o vazio real e improdutivo da falta de sentido. faz-se silêncio porque realmente não há o que ser dito. e existe o segundo. o que evita a banalização do sentido através da palavra. longe da falta de racionalidade ou de capacidade de simbolizaçao, mas um desejo puro de não arriscar o que cuidadosamente se construiu e hoje se acomoda carinhosamente nas melhores recordações.
transformar o indizível em palavras é arriscar reduzi-lo ao tamanho da nossa ignorância. às vezes há que se aquietar as palavras para não emudecer o coração.

sophia compeagá

23 outubro 2009

we're all in the dance



Até que enfim assisti Paris, Je t'aime. Simplesmente lindo! Simples e lindo. Daqueles que nos chacoalha praquelas coisas simples da vida que, talvez justamente por serem fugazes, sejam tão especiais.
O filme apresenta várias histórias curtas -mas de infinitos significados- do cotidiano de pessoas que moram em Paris, e nos revela a cidade de um jeito diferente do que se está acostumado, muito singular, desprovido de fantasia e nostalgia, mas sem deixar de falar de amor.
Penso que muitas vezes tentamos dar sentido à nossa vida esperando um fato grandioso e surpreendente como se este fosse imprescindível para se sentir que valeu a pena viver. E muita coisa é sacrificada em função desta espera que às vezes se faz em vão. Claro que existem os sonhos, e sonhar nunca é em vão, mas quando falo dos sacrifícios falo de como nos cegamos para o que está perto, e às vezes para o que está dentro, e deixamos de viver pequenos grandes momentos.
Nossa vida é feita de pequenas histórias, e não adianta tentar encaixá-las na história maior enquanto elas acontecem. A amarração e atribuição de sentido só é possível depois. Por isso de nada adianta controlar os fatos, a única garantia de estarmos na história certa é atentarmos para o que sentimos. Acredito que, tendo o coração como norteador, qualquer história valerá a pena ser vivida. Mesmo que doa.
Mas acima de tudo acredito que as histórias ainda estão sendo escritas, e no final estaremos todos "dans la même histoire". Na mesma história.

Sophia Compeagá




18 outubro 2009

A antipalavra



"Jantaram, subiram para o quarto, fizeram amor. Em seguida, no limiar do sono, as idéias começaram a se embaralhar na cabeça de Franz. Lembrou-se da música barulhenta do restaurante e pensou: "O barulho tem uma vantagem. No meio dele não se ouvem as palavras". Desde sua mocidade, não fazia outra coisa senão falar, escrever, dar cursos, inventar frases, procurar fórmulas, corrigi-las, de maneira que as palavras nada mais tinham de exato, o sentido delas se apagava, perdiam seu conteúdo sobrando apenas migalhas, partículas, poeira, areia, que flutuava no seu cérebro dando-lhe enxaqueca, e que era sua insônia, sua doença. Teve então a vontade confusa e irresistível de uma música enorme, de um barulho absoluto, uma bela e alegre algazarra, que englobaria, inundaria, esmagaria todas as coisas, que anularia para sempre a dor, a vaidade, a mesquinharia das palavras. A música era a negação das frases, a música era a antipalavra. Tinha vontade de ficar com Sabina num longo abraço, de calar-se, nunca mais pronunciar uma só frase, deixar o prazer confluir com o clamor orgiástico da música. Dormiu nessa bem-aventurada algazarra imaginária."



(Milan Kundera in 'A insustentável leveza do ser')

10 outubro 2009

Ensaio sobre a miopia


Hoje estive ausente de mim.
Não consegui me concentrar em nenhuma tarefa a que me propus.
Estive alheia o tempo todo, num mundo paralelo. Mas um mundo de nada.
Fuga de não sei o quê, ou talvez saiba, mas não queira lembrar.
Fuga de mim.

Quando me sinto assim parece que a qualquer momento vou me desintegrar, partir em pedaços, desaparecer...
Por um lado o desejo da fuga, dessa desaparição. Por outro o desespero.
É quando vem a necessidade de escrever. Numa tentativa talvez de me estruturar, de me refazer, de existir, de não d'existir.
Penso que escrever é, não uma espécie de loucura, mas fruto dela.

De todas as minhas formas de salvação, a escrita é a mais verdadeira.
Porque é o que realmente me aproxima de mim. Sou eu estendendo os braços para mim mesma.
De outro modo estaria ligando para amigos, marcando sessão extra de análise, abrindo uma garrafa de vinho.
Escrever me ajuda a enxergar-me melhor mas de modo que eu vá me apresentando aos poucos, sem sustos. Talvez com surpresas, mas na medida e tempo equivalentes ao que eu possa suportar e que me sejam necessários enxergar.

Hoje me esforcei por enxergar.
Nunca os uso dentro de casa, mas hoje decidi colocar os óculos.
Um recurso prático (já que a pauta aqui é a objetividade), na tentativa de me aproximar um pouco mais da realidade.
Realidade, a partir do meu míope ponto de vista, é aquilo que a maioria das pessoas diz que é, mesmo que cada um nem sempre a veja como diz, mas acredita que os outros a vejam, e portanto a adota como verdade.
Já a miopia, por sua vez, é aquela cegueira (leve, severa ou moderada a depender da necessidade) para o que é externo e está fora, e longe; é a tendência inconsciente à introspecção, a olhar para dentro de si, e a ignorar todo o resto.

Não sei ao certo se a realidade é objetiva ou subjetiva, talvez existam várias realidades, talvez não exista nenhuma.
Descobrir esta resposta não vai fazer diferença... E já nem sei mais se quero respostas. Vou manter meu silêncio. Hoje, além de muda, estou cega e surda
.

Sophia Compeagá

07 outubro 2009

o luxo de meu silêncio



"Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas – escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."


Clarice Lispector in 'Água Viva'

01 outubro 2009

(in)quietude

Silenciosa mas inquieta, assim tenho estado. Sem palavras mas com muito o que dizer.
Nunca o silêncio me falou tanto como agora.
Estranho ter que conter para me sentir inteira, consistente. Como se a palavra tivesse peso. Como se precisasse segurá-la para não perdê-la para sempre de mim. Para que eu não me esvaia junto dela escorrendo por entre a fala, sobrando o vazio.
Sempre acreditei no contrário, que para existir precisasse dizer, contradizer e traduzir, por acreditar que 'aquilo que chamo de eu' fosse essencialmente pensamento e linguagem.
De repente me dou conta: tenho um corpo! E descubro nele um mundo de linguagens e símbolos comunicando vida!
E não podia ser diferente, foi através dessa mesma linguagem que o insight se deu.
Tudo faz sentido agora, "no princípio era o verbo" não no sentido de palavra, mas no sentido de ação.


Sophia Compeagá





"Tenho um corpo, e tudo que eu fizer é continuação do meu começo"
(Clarice Lispector)

22 setembro 2009

Desconhecidos íntimos

Amo Clarice, amo a simplicidade com que escreve que como ela mesma diz é uma simplicidade conquistada através de muito trabalho.
Seu jeito de escrever, que ao mesmo tempo questiona a própria linguagem, nos convida a fazer os mesmos questionamentos e aos poucos nos vai introduzindo na leitura como se nós mesmos a tivéssemos produzido.
Às vezes ler Clarice é quase terapêutico. Recorro a ela quando não compreendo algumas coisas, como quando algum intruso e desconhecido sentimento me invade e não consigo compreendê-lo, quando faltam-me os insights.
Existem mistérios que teimam em seguir sendo mistérios. Difícil pra mim que sempre quero resposta pra tudo.
Às vezes a resposta é o próprio silêncio. E frequentemente a resposta é a própria pergunta, sem o ponto de interrogação no final.






"Estou desorganizada {…}
É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira que vivo.
{…}Se tiver coragem, eu me deixarei continuar perdida. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo. Quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra como se antes eu tivesse sabido o que era! Por que é que ver é uma tal desorganização?”
(Clarice Lispector - 'A Paixão Segundo G.H.')

13 setembro 2009

Mais do mesmo

Tinha dado um tempo. Tinha desistido de insistir em falar, estudar, tentar entender, me questionar, provocar, me intrigar com a morte e tudo que a rodeia: perdas, luto, sofrimento, superações e principalmente vida! Vãs tentativas...
Tinha decidido que não era um assunto que me interess
ava realmente, mas que era antes uma intimidade 'herdada' com relação ao tema.
Aprendi com meu pai a respeitar a morte, a estar consciente dela, a falar livremente sobre ela, e que a morte dói. Graças à Deus nunca m
e obrigaram a ser forte, a ignorar qualquer perda, a tocar em frente quando o mundo desabava. As pessoas mais importantes da minha vida, aquelas com quem eu contei, quando precisei se doeram comigo, choraram comigo e me ajudaram a reconstruir respeitando meu ritmo.
Por estas e outras razões, o tema da morte sempre me foi muito presente, e interessante. Por um tempo achei que fosse uma questão
mal elaborada justificando a insistência e curiosidade. Talvez tenha sido, mas já não é mais.
De qualquer forma não adianta fingir desinteresse se a coisa lateja.
O que acontece é que novamente me vi diante dessas questões, num contexto mais formal, mas ainda assim diante, defronte, sem me deixar proteger pelo ilusório escudo da teoria, ou do jaleco branco.
Acredito que hoje esteja mais madura pra lidar com isso. Mas minha confiança vem mais da humildade e simplicidade conquistadas do q
ue do conhecimento adquirido. Afinal, nunca se está totalmente preparado pra enfrentar tais coisas, assim como o sol, a morte nos impede de olhá-la fixamente e decifrar sua beleza. Sim, beleza...

Sophia Compeagá

27 agosto 2009

27 de agosto, dia do psi!

Hoje é o dia do Psicólogo! Venho comemorando esta data há vários anos, e a cada ano que passa sinto que me aproprio de um novo sentido para a profissão.
Ontem saí com as colegas da faculdade pra comemorar a data e quase não consegui chegar até o lugar marcado. Me perdi em Porto Alegre (o que tem se tornado frequente nos últimos meses), mas ao final, com as mil e uma coordenadas recebidas pelo celular encontrei o bendito lugar. Aliás, "Santíssimo" lugar, esse era o nome do pub.
E acabei por concluir: psicólogo é aquele que vai na contra-mão, literalmente!

De presente o novo samba da Zélia, "Tô". Perfeito pra ocasião!
Beijos e abraços para meus futuros colegas de profissão!



"Tô estudando pra saber ignorar...
Eu tô te explicando pra te confundir,
Tô te confundindo pra te esclarecer
Tô iluminado pra poder cegar,
Tô ficando cego pra poder guiar...
Suavemente para poder rasgar
Olho fechado pra te ver melhor..."

(Tom Zé)

22 agosto 2009

Quando passei a respeitar o que sentia




Odeio me confundir,
preciso sempre me iludir com a crença
de que entendo o que se passa,
como se fosse possível absorver tudo por inteiro.
Crio teorias, analiso situações,
pessoas, atitudes, falas.
Fantasiosamente controlo todos,
desejando, sem saber, controlar a mim mesma.
Quando passei a respeitar o que sentia,
nada mais importava.
Eu que sempre me importei em ser compreendida
e não suportava ser mal interpretada.
Quando se aprende a respeitar os próprios sentimentos
é mais fácil conduzi-los.
E pensar que era só uma questão de silêncio e entrega...
tão mais simples!




Sophia Compeagá

19 agosto 2009

TCC




Estou decidindo meu tema de TCC, e não estou achando nada fácil. Sempre preferi pensar que nossas escolhas deviam se basear no que realmente nos interessa, num tema com o qual nos identifiquemos e que faça sentido debruçar-se a estudá-lo.
Quero que seja assim, visceral. Quero me lançar no desbravamento de teorias e me deparar várias vezes comigo mesma. Quero que mexa comigo, que confronte minhas idéias, quero criar uma coisa realmente nova, nem que seja apenas dentro de mim.
Meio dramático, eu sei, mas sempre sonhei com esse momento na minha formação. Mesmo que ainda não tenha decidido o tema.
Não sei me interessar pelo desinteressante. Preciso sempre encontrar um sentido naquilo que faço.
Tem gente que prefere o contrário. Escolhe um tema neutro, e consegue se dar muito bem. Justamente porque não se envolveu emocionalmente. E tem gente que sugere mesmo isso!
Já tentei, não vai!
Estou dividida entre dois temas que sempre foram presentes na minha formação, ou além dela, na minha vida.
Talvez eu precise acalmar os ânimos, lembrar que isso é só mais um trabalho de faculdade, e com esse olhar menos deslumbrado conseguir escolher o que me agrade mas não esteja tão latejante.
Mesmo que eu saiba que aquilo que lateja aponta o latente, o urgente, escondido dentro da gente.



Sophia Compeagá

desabafo

Hoje uma coisa me aborreceu um pouco. Mas só um pouco. Ou talvez não tão pouco, mas por pouco tempo.
Notei que alguns textos meus estavam sendo exibidos no orkut como sendo de outra pessoa. Então investi na pesquisa para tentar entender melhor o que estava acontecendo.
"Criaram" um texto com três parágrafos, entre eles usaram um texto meu mas assinaram como se quem o tivesse escrito fosse uma pessoa que desconheço. Encontrei o blog da tal pessoa e notei que ela não tinha copiado nada, mas que realmente parte daquela montagem era do blog dela.
Menos mal. Mas ainda assim é chato ver uma coisa sua ser publicada com nome de outra pessoa. Já vi diversas vezes pessoas usarem textos meus daqui do blog em suas páginas na internet. A maioria respeita os créditos, bota lá um 'Sophia com PH', 'Sophia Vieira', às vezes 'Sofia Sempeagá' mesmo, mas nem todo mundo credita, alguns deixam em branco por tentarem fazer se passar por seus ou, sei lá, de repente por não saberem que ao citar um trecho escrito por outra pessoa têm que se respeitar algumas regrinhas...
Sinceramente, nesses casos eu não me importo muito, isso aqui para mim é um passatempo, um desabafo.
Ninguém nunca vai saber de fato o que sinto enquanto escrevo. À essência disso aqui só eu tenho acesso.
E fico realmente feliz quando vejo alguém citar os textos. De alguma forma se identificaram, e de alguma forma devo ter me feito entender.
Não pretendo publicar livros (não sobre o que escrevo aqui), não pretendo ganhar dinheiro (com isso, repito!), não vou registrar nada - contrariando os conselhos que recebi, e muito menos reclamar com as pessoas que estão fazendo circular por aí os textos sem os devidos créditos, embora não tenha sido agradável ver, entre pessoas próximas a mim, meus textos com autoria de outros.
Como tudo que posto aqui, isto foi só mais um desabafo. E já passou...




"Escrevo porque é a maneira mais barata, mais divertida e mais impune de ser clandestino."
(Alan Pauls)

18 agosto 2009

Selo

Tirando o atraso dos selos e memes, tô eu aqui de novo pra postar sobre um selinho que recebi da Janaína.
O selo se trata de uma homenagem para os blogs que gostamos e, além de repassá-lo, temos que apontar 5 coisas que adoramos, o que não é fácil.
Nunca acho essas tarefas fáceis... a gente acaba se expondo mais do que em postagens de cinco páginas. Diferente das postagens livres, os memes nos obrigam a dar respostas curtas e objetivas, nos dão um limite, literalmente. Mas eu topo o desafio! E esse é bem rápido.


As 5 coisas que mais gosto são:

estar com pessoas divertidas e engraçadas
sentir que estou em dia com meus afazeres (o que é muito raro)
descobrir novas possibilidades quando as coisas não estão bem
ajudar alguém a enxergar estas mesmas novas possibilidades
aprender coisas novas que me confrontem e me façam rever tudo de novo e lembrar que a vida é esse mistério infinito.

Repasso para eles:

13 agosto 2009

por um triz...

"De ontem em diante serei o que sou no instante agora".

(O Teatro Mágico)

Recebi há uns dias um meme da Vanessa com perguntas e respostas e estou respondendo agora...




Regras:
1) Responder a verdade.
2) Repassar aos blogueiros que conhece.
3) Não esquecer do recadinho para quem te convidou.




Perguntas:

1) Onde está seu celular? não sei. mesmo! pela casa...

2) E o [marido] namorado? no trabalho.

3) Cor do seu cabelo? loiro com luzes e um pouco natural. (deixei as mesmas palavras da vanessa, só que o meu natural é preto, muito preto).

4) O que mais gosta de fazer? me divertir de alguma forma, mesmo com coisas sérias. realizar uma tarefa com prazer pra mim é diversão.

5) O que você sonhou na noite passada? não lembro, mas muito provavelmente com algum tornado ou tempestade... é o que mais acontece.

6) Onde você está agora? em casa, curtindo as férias forçadas em função da gripe. tá tudo parado por aqui.

7) Onde você gostaria de estar agora? hoje saiu um solzinho... me lembrou a praia. gostaria de estar em fortaleza, na praia do futuro, na barraca vira verão, numa mesa que fique tão pertinho da água que no final da tarde tenha que recuar por causa da maré. bem ali.

8) Onde você gostaria de estar em seis anos? aqui.

9) Onde você estava há seis anos? em minas, começando a faculdade.

10) Onde você estava na noite passada? num pub com amigos.

11) O que você não é? o que não sou agora posso ser daqui há pouco.

12) O que você é? um monte de coisa junto e misturado.

13) Objeto do desejo? tá ficando muito difícil isso aqui... seria um desejo material? quero uma mini-academia pra começar a malhar. mas não hoje! quem sabe amanhã... ou depois.

14) O que vai comprar hoje? nada. no máximo alugar um filme.

15) Qual sua última compra? uma jarra de clericot!

16) A última coisa que você fez? um sanduíche.

17) O que você está usando? pijama. haha. claro! e pantufas!

18) Quem está com você agora? ninguém.

19) Seu cachorro? o zeca, tá pela casa.

20) Seu computador? sei lá, sei q funciona.

21) Seu humor hoje? tô com o humor: "sei lá". mas até que feliz porque comecei a ler um livro muito legal e isso mexeu muito comigo de manhã.

22) Com saudades de alguém? ô!

23) Seu carro? esse tem histórias... já andou em dunas e atravesou o país. guerreiro!

24) Perfume que está usando? um creme de vinho que ganhei de aniver.

25) Última coisa que comeu? o tal do sanduíche que falei.

26) Fome de quê? de nada. absolutamente.

27) Preguiça de… ? de tudo. absolutamente.

28) Próxima coisa que pretende comprar? que questionário consumista! sei lá, uma passagem de trem.

29) Seu verão? ah, o verão...

30) Ama alguém? pra caramba.

31) Quando foi a última vez que deu uma gargalhada? agora há pouco no msn.

32) Quando chorou pela última vez? sei lá. no meu aniver semana passada eu acho, com algumas mensagens.


Repasso para os blogueiros vizinhos que queiram se aventurar:




"Onde estou não é sempre e o que sou é por um triz"

(Cleonice Braz)


11 agosto 2009

requintadas harmonias




Estou cheia de sentimentos não elaborados e momentos não terminados. Eu mesma sou uma pessoa inacabada, indefinida. De infinitos 'ins'.
É possível a própria indefinição definir a pessoa?
Sou o retrato do instante agora, e quando me defino sou apenas uma pessoa que se define. É sempre movimento, e mesmo aquele milésimo de segundo que a câmera registra, é movimento.
Sou um conjunto de retratos antigos, mofados e revirados, mas que agora descansa numa caixa qualquer que eu embalei com cuidado no canto da sala. E que só é lembrada quando é preciso tirar o pó. Não, nunca tiro a poeira da caixa pela caixa em si, como se ela tivesse uma importância maior que os outros objetos da sala. Tiro a poeira da caixa quando os outros objetos requerem limpeza e organização, e então a caixa se beneficia da faxina para harmonizar-se com todo o resto.
O passado não me diz quem sou ou quem posso ser. Nem o presente. Por isso não há definições nem previsões.
Definir é delimitar, e dar fim, e eu sou feita de recomeços.

Sophia Compeagá

"mas não é difícil congelar a cena,
é quando as folhas não pousam no chão,
e os braços ficam suspensos no ar,
num abraço que ela não terminou".
(Rita Apoena)

08 agosto 2009

equilíbrio distante



toda força que coopera para o desequilíbrio traz consigo a proporção necessária, ainda que potencialmente, para seu reverso. a doença e sua cura, o trauma e sua superação, o enigma e seu segredo, o problema e sua solução, a dúvida e sua resposta. mas é preciso atuar sobre todos eles, repassá-los, tocá-los, explorá-los para que se dissolvam e desapareçam. e então, quem sabe, deixem atrás de si algum aprendizado.
mas há experiências a partir das quais nunca mais se volta ao estado anterior. elas te expõem a tantas verdades antes escondidas, que o equilíbrio anterior se torna muito distante, quase inalcançável. é quando a realidade mais assustadora vem à tona. quem se é.

sophia compeagá


03 agosto 2009

do que cala

às vezes as palavras falham mas o silêncio não basta.
é o coração que aponta a inutilidade de se nomear
o que nem ao menos se pode descrever.

sophia compeagá


'tem certas coisas que eu não sei dizer...'

27 julho 2009

26th

aniversário chegando. o vigésimo sexto.
aquela idade em que saímos dos 'vinte e poucos' e saltamos pros 'vinte e tantos'.
ou 'quase trinta'...
e tudo que mais desejo é manter viva em mim a capacidade de me surpreender. especialmente com o que é mais lógico e banal das coisas diárias. o que talvez seja um grande desafio.
se conseguir enxergar os novos detalhes de cada momento então vivenciarei a travessia do tempo e saberei conceber o presente como tal, um presente.

sophia compeagá



"eu gosto de viver.
já me senti ferozmente, desesperadamente,
agudamente feliz,
dilacerada pelo sofrimento,
mas através de tudo ainda sei,
com absoluta certeza, que estar viva é sensacional."

(agatha christie)

14 julho 2009

há muitas distâncias em mim

"Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas".
(Rita Apoena)

06 julho 2009

decola... dê-colo?



passagens compradas. zeca vacinado (sim, ele vai). malas idealizadas.
é que eu monto a mala na minha cabeça antes de começar a arrumá-la de verdade...
coleiras do zeca, shampoozinhos, ração, bifinhos, remédios (ele enjoa na viagem).
e eu tô realmente preocupada por ter de deixar ele no porão do avião. se fosse pela outra empresa aérea, ele poderia vir comigo no colo, mas nessa é proibido. tadinho...

hoje vou na análise. claro, também me preocupo comigo.
além disso já fui no psiquiatra também. semana passada. pela primeira vez.
porque tive que me deparar com uma coisa que parece absurda, mas é real. meu medo de voar que eu nem sabia que tinha.

provavelmente hoje na análise eu não faça como na outra sessão em que falei do zeca, dos medos do zeca, dos enjoos do zeca, das consultas do zeca, da nova case do zeca que é uma graça.
e só depois de me enrolar, no final, tocar no assunto emergente, esse medo de voar...

na verdade adoro voar, e acho o máximo ver daqui de baixo os aviões pousando e decolando, mas adoro a vista lá de cima também. meu maior problema é o pouso.
a trepidação, o chão chegando, a incerteza da desaceleração, o barulho do reverso... pânico total!

semana passada, assim que saí da análise entrei no ônibus (e em Porto Alegre os ônibus são interessantes, eles têm várias poesias pelas janelas, algumas conhecidas, mas a maioria não), e me deparei com esta:

"biruta: a intensidade dos ventos se mede pela vontade de ficar". (de paulo madureira)

minha paranóia quase me permitiu achar que a minha analista tinha ido lá mais cedo colar aquele cartaz, bem em cima do meu assento, onde meus olhos não podiam evitar ver.

já contei que tenho (pavor e) paixão por tornados? na verdade qualquer vento ameaçador me amedronta. e fascina... é coisa de gente biruta mesmo.
mas dessa vez não é o vento, é o pouso...

demorei mas entendi a pergunta que ela me fez pouco antes do final de uma das últimas sessões... qual é mesmo o nome da cidade pra onde você está indo?
é Pouso Alegre, Minas...


sophia compeagá





03 julho 2009

2 inteiros



não quero metade nem resto,
quero o todo, quero tudo.
teu riso, tua lágrima,
teu choro e gargalhada,
teu silêncio, sussuro e grito
qualidades e defeitos...
tua doçura e até o humor mais rude,
tuas manias e loucuras,
tuas obsessões e teu lado avesso, travesso...
tuas dúvidas, e mesmo aquilo onde você menos está:
nas tuas certezas.
e quero caminhar contigo,
mesmo que às vezes um vá na frente,
as mãos se separem, voltem a se entrelaçar,
um se enrosque, o outro se atrase,
um desande, o outro se perca,
um cambaleie, o outro siga ziguezagueando...
linhas paralelas nunca se cruzam.


por sophia compeagá

30 junho 2009

Lista dos desejos





Este selinho, oferecido pela Janaína do Mais Um , é como uma corrente entre os blogs e quem recebe deve passar adiante...

As regras dele são:
1) A pessoa selecionada deve fazer uma lista com oito coisas que gostaria de fazer até o fim da vida;
2) É necessário que se faça uma postagem relacionando estas oito coisas e é necessário que a pessoa explique as regras do jogo;
3) Ao finalizar, devemos convidar oito blogs;
4) Deixar um comentário para quem nos convidou.

Então vamos lá com a lista...
Parece simples mas não é, principalmente pra mim que não sou de fazer planos.

Acho que o primeiro deles é terminar bem minha faculdade, tendo aproveitado tudo que ainda está por vir na minha formação, os estágios, as aulas, toda e qualquer experiência;

Segundo é curtir muito a região sul, onde moro agora. Sabe-se lá, nessa nossa vida nômade, até quando vamos ficar por aqui. Mas espero que por uns bons anos ainda;

Em terceiro, e à longo prazo, é ter um filho. E tempo pra cuidar dele;

Em quarto, trabalhar. Muito! E continuar meus estudos sempre;

Em quinto, e bem subjetivamente falando, quero me sentir útil. Não só no trabalho, mas em qualquer atividade ou relação. Quero, no final de tudo, sentir que vivi intensamente. E acredito que isso se valha mais das pequenas coisas do dia a dia do que de um grande feito;

Em sexto quero conhecer alguns países. Sei que não vai dar pra dar a volta ao mundo, mas um que tenho certo como escolha é a França;

Em sétimo desejo longa vida aos meus;

Em oitavo quero uma bota nova e um chinelo, porque o Zeca destruiu todos...

Os blogueiros para quem repasso o selo são:
Amanda Soares
Márcio Beckman
Bruna Matos
Dani Cabrera
Sara
Vanessa

26 junho 2009

bem concreta e verde...

estou feliz. uma alegria mansa, clara, calma, quase um suspiro.
não uma alegria eufórica, gritante, confusa, advinda das coisas que surpreendem e desorganizam, mesmo em função de um grande acontecimento!
mas sim, estou vivenciando um grande momento. e sinto a alegria de alguém que fez por merecer, de alguém que construiu aos poucos a obra que agora observa ao longe. e reconhece.
buscar reconhecimento demais fora de si, é ter falta de reconhecimento dentro. pois então é chegada minha vez de contemplar...
e estar feliz por saber que o melhor ainda está por vir, e que toda a paciência que cultivei será recompensada.
estou feliz. quieta, cá, no meu canto. mas feliz. (assim, sem exclamações...)



sophia compeagá


p.s.: uma de minhas violetas floresceu esta semana... depois de 1 ano, agora que o sol voltou a nascer na janela da cozinha e bater nelas de manhã. não é uma graça?

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"aqui em casa pousou uma esperança. não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. mas a outra, bem concreta e verde: o inseto"
(clarice lispector em 'felicidae clandestina').