27 fevereiro 2014

Site novo!




Oi! Tem alguém aí?
Aí vão o endereço do meu site e página do facebook! 
Consultório novo, ideias novas... ;)
Passa lá!


quem dera houvesse destino, e eu não precisasse lidar com a responsabilidade das minhas escolhas. quem dera eu pudesse separar os bons dos maus, e pudesse me posicionar confortavelmente entre os primeiros e com eles apontar dedos sem culpa. quem dera houvesse o diabo, houvesse o inferno, houvesse a maldade, como uma entidade independente que ronda os corações. 
mas não há. existimos nós, existe o agora, existem nossas escolhas, e constantes e infinitas frustrações que nos fazem pensar e pensar e pensar…


05 novembro 2012

sobre crescer II




Crescer é o tema da vez pra mim.
Porque tenho reformulado este conceito de uma forma que me tem feito produzir muito, simplificar as coisas e fazer acontecer. Porque a vida pede isso!
Tenho preferido crescer para dentro. Mas sem alimentar fantasias ou imaginações férteis demais. Somente decantar. E não há nada que represente melhor: separar e reconhecer o sólido e concreto em mim. Me permitir ser. Deixar vir. Mas sem alvoroço. Just let it be.
E neste processo de decantação, não é só o lado de dentro que se define. O lado de fora também vai tomando forma: desidealiza-se o outro. 
Mas não sei ao certo qual dos processos começa primeiro. Nem sei ao certo se há um começo. Só sei que chega um dia em que a vida pede resolutividade. E a realidade exige pés no chão e cabeça em cima do pescoço.


Então quando eu digo que "dentro da gente, o bom e o ruim se confundem e crescer envolve aceitar certas coisas, se conformar com o que se tem de pequeno para então visar a alguma coisa maior", eu também quero dizer que crescer envolve aceitar a realidade de fora também, o outro como ele é. "A vida como ela é". Mas talvez menos Nelson Rodrigues, o eterno menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Porque ser por inteiro e se abrir pro mundo, nada mais é que abrir a porta para amores verdadeiros.

20 outubro 2012

sobre crescer


A gente não devia buscar evolução. A gente devia tentar crescer e se tornar de fato adulto. Dentro da gente, o bom e o ruim se confundem e crescer envolve aceitar certas coisas, se conformar com o que se tem de pequeno para então visar a alguma coisa maior. Penso que acreditar nalgum tipo de transcendência ainda faz parte da onipotência infantil, e tem muita gente assim longe de alcançar a própria altura. O principal objetivo da gente devia ser ser do tamanho da gente mesmo, simples assim! O que, acredite, já dá um trabalhão.

28 setembro 2012


Desconfio de que eu ainda não tenha assimilado de todo a partida da minha vozinha. Não porque esteja negando e evitando enfrentar, mas porque ela ainda está tão viva dentro de mim que, se eu não parar pra pensar, é como se ela não tivesse ido e a gente logo fosse se encontrar.

E ela tinha mesmo disso, de ter presença forte e não passar despercebida na vida de ninguém. Por mais doce e delicada que fosse. Na verdade, exatamente por ser assim.
Tenho as mais vívidas lembranças da voz, do olhar, do sorriso, do abraço quentinho, do cheirinho doce de vó... Que saudade! 
Não queria escrever nada sobre ela. Não quero traduzir nada em palavras porque é reduzir demais uma relação que formou a base do que eu sou e definiu muito do que ainda vou ser. E sempre pude dizer muito do meu amor e gratidão diretamente a ela.
Mas quero registrar esta data porque hoje Vó Maria completaria 79 anos, e, apesar da dor, eu vejo beleza neste dia, e uma parte de mim fica feliz e agradecida, e comemora! 




03 julho 2012

sobre a inveja

Tenho algumas inquietações sobre este assunto, e por isso gostaria de falar um pouco aqui sobre a inveja. 
Até pouco tempo, compreendia pouco sobre as definições do termo e talvez por isso não compreendia também o mistério que as pessoas faziam em torno deste sentimento. Dos sete pecados capitais, este parece ser o mais temido nos outros e menos admissível em si. Eu, particularmente, costumava temer mais a ira dos outros sobre mim que a inveja...
Em francês a palavra inveja também é traduzida como desejo, no Google a inveja é definida como "um sentimento de aversão ao que o outro tem, e a própria pessoa não tem...". São muitos os paradoxos. 
Como inveja pode significar ao mesmo tempo desejo e aversão ao que o outro tem, se estas características se opõem entre si?
Pensava eu que sentir inveja era somente "desejar o que o outro tem e eu não". Mas não é! Talvez, desejar o que o outro tenha, seja simplesmente desejar, mas a inveja vai além.
A origem latina da palavra inveja é "invidere" que significa "não ver", e apesar deste significado ter perdido sua força, a meu ver, ele explica muito.
À medida que percebo e reconheço, ou seja: vejo, minhas próprias capacidades, qualidades e forças, me torno capaz de suportar minhas incapacidades, defeitos e fraquezas. Reconhecer a própria falta e precariedade depende desta suportabilidade. 
Assim, a inveja nasce da incapacidade de suportar a própria  falta diante da completude do outro. Sem este recurso, a dor pode ser tão intensa que se transforma num sentimento raivoso de destruição e ataque ao outro e ao que ele tem. 
Talvez venha daí também a expressão "cego de inveja". Muitas vezes, o invejoso tem a oportunidade de conquistar aquilo que deseja, mas nega ou adia a possibilidade, tamanha sua autodestruição. Aqui passo a entender a contradição entre "aversão" e "desejo". 
Na inveja os sentimentos mais avessos se encontram. Uma transformação de Eros em Tanatos que aponta uma das mais importantes contradições do ser humano. Não é mesmo à toa que este seja um tema tão difícil de se falar, reconhecer e elaborar.


"abre los ojos"

21 junho 2012

assoprando velas e desejando

Ser ou não ser é, realmente, o maior conflito de se ser humano, e de se ser o que quer que seja.
Minha irmã sempre zomba da minha angústia de estar envelhecendo. Todo aniversário reclamo de estar ficando velha mesmo. Mas longe de não querer envelhecer, o que me angustia é a sensação de não ser ainda o que deveria ser. E não falo de alcançar objetivos fora de mim, mas de me sintonizar com o que desejo, e com tudo de bom e ruim que isso possa trazer. É uma batalha, e pede muita coragem. É combater o bom combate, ser seu próprio salvador. Implica perdas e ganhos, um terrível paradoxo: ser alguma coisa, significa deixar de ser todas as outras. É assim ou teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos, como diz Fernando Pessoa. 
Mas não somos encorajados a ser, e a consistir. E a maioria de nós acredita viver de acordo com o que esperam de nós. Acontece que o outro não quer de nós o quanto queremos que ele queira. Em outras palavras: o outro não se importa realmente! É mesmo solitário essa coisa de ser.
Com a proximidade dos 30 anos estas questões têm se imposto. Não quero adiar mais. 
Que o combate seja bom, que minha busca seja honesta, que eu consista e que o amor vença!

05 junho 2012


Diante da maior crueza de se ser humano, da impotência frente à morte e a vida, falar de uma vontade Superior é se conformar demais. E nesse caso, pra mim, se acomodar é o pior dos desesperos.
Que não se perca a razão, mas que também não se negue o sentimento.

01 junho 2012

da sintonia

Sinto que depois de um tempo estou retomando algum equilíbrio interno na vida. Depois de buscar uma mudança profunda em determinados aspectos, acabei me transformando no oposto. Virando do avesso mesmo. A gente muda, é possível, é de verdade, é pra valer! (Salve a psicanálise!) Mas antes de encontrar o nível mais adequado, corre-se esse risco, de se alcançar extremos, mas de também não se adaptar por lá, até ir aos poucos encontrando a frequência certa, sintonizando-se consigo, com o melhor de si.
Eu posso generalizar, e afirmar que todo mundo passa por isso. Desde que a gente sai do útero da mãe e é lançado neste mundo, se lança também na busca por uma vida que represente o estado ótimo de onde viemos, o equilíbrio perfeito entre segurança e liberdade, com temperatura, nutrição e conforto na medida mais adequada. Não encontra, claro! E ainda bem, já que alguma ansiedade e desconforto são bem-vindos porque sem eles não há construção, criatividade, sonho. A busca não para! Eu não paro! Nessa eterna mania de reparar tudo.

25 maio 2012

10 maio 2012




não sinto saudades da minha infância, 
exceto a vontade de crescer.



20 abril 2012

Má-formação


Fiquei intrigada com alguns fatos e reações na semana passada sobre a decisão do STF na legalização do aborto de anencéfalos.
A legalização, a discussão toda e o aborto em si já criam uma situação muito complexa, difícil e sofrida, mas mais do que isso fiquei chocada com as reações e fundamentos que algumas pessoas usaram para defender suas opiniões.
O mais chato disso, quando a gente tenta ouvir as opiniões e tentar formar a nossa é perceber que a maioria absoluta das pessoas que se envolvem nessas discussões são pessoas radicais. Eu tenho pânico disso! De um lado, religiosos e, de outro, feministas. Claro que não é todo mundo, tem muita gente de bom senso, mesmo dentro desses grupos. Mas na maioria ninguém quer discutir, ou pensar, refletindo todos os lados da situação.
Eu ainda não tenho uma opinião, talvez nunca venha a ter. Acho que cada caso é um caso e é muito difícil generalizar. Mas tenho sim minhas tendências. Eu penso na criança! E não consigo considerar outros pontos de vista acima deste. Penso na criança, na sua incapacidade de se defender e decidir o que é melhor pra ela, na sua inocência diante desses fatos e diante da vida.
Eu penso no corpinho que está se formando e nas possíveis dores e sofrimentos dessa vida que já existe. E é por isso tudo que não sei se o melhor é deixar esta criança passar pelo sofrimento de um estado terminal sem nem ter consciência do que se passa e sem poder expressar suas dores. Eu não tenho certeza se deixar de realizar o aborto é poupar a criança. 
Nesses dias também vi um vídeo muito emocionante de um casal com uma filha anencéfala, a Vitória, mas também fiquei pensando que pouquíssimos, e muito raros mesmo, pais seriam assim como este casal, com condições de dar tanto amor, atenção e cuidados de que esta criança vai precisar. Por outro lado também penso no aborto em si. Não sei muito bem como são realizados, e com quantos meses de gestação isso se daria. No final, quanto mais eu penso, menos concluo, e sigo angustiada. Mas definitivamente não penso pelas vias que tenho acompanhado por aí. Infelizmente, ou felizmente (fazer o quê?) são essas pessoas que movem alguma coisa e que fazem acontecer. As decisões mais importantes já tomadas na história da humanidade, muitas vezes, podem estar baseadas em fundamentos ridículos, mas no final o resultado pode ser construtivo, ou, pelo menos,  menos desastroso.

19 fevereiro 2012

Quando o obscuro lampeja

Não é nada grave, mas minha polaridade maníaca tem vindo à tona com força total! Alguns chamam de transtorno, outros de estresse, mas hoje eu vou chamar de força de vida. Quando as coisas não vão bem, e elas não andam mesmo lá aquelas coisas, a vida sempre me surpreende. Uma força de vida que eu nunca me lembro de ter guardada, brota de mim com tamanha força que é um espanto! É como ter uma bateria reserva mil vezes mais potente que a usual.
Todo mundo deve ter uma reserva de vida em algum lugar recôndito dentro de si. Que não é acessada por palavras mágicas, códigos secretos, pensamentos positivos nem nada dessas coisas que encontramos em livros de auto-ajuda. Embora escondida, esta força está tão conectada com a gente mesmo que sabe a hora certa de surgir e se por em ação. E pra mim não há nada mais bonito que isso! É o encontro harmônico entre natureza e humanidade a favor da vida. 
Alguns chamam de transtorno, outros de estresse, mas hoje eu vou chamar de força de vida. Quem sabe um dia eu chame de Deus!

sophia compeagá



05 fevereiro 2012

do Real


debaixo da pele, 
por dentro e do avesso, 
sou a natureza insuportável. 
puro sangue e realidade.
e que coração não sangra?


sem título


sempre tive mania com nomes. meus livros e cadernos, mesmo os mais antigos, estão cheios de rascunhinhos nas bordas com nomes dos mais diversos.
assim que ouço um nome novo e sinto que soa bonito no ouvido, fico por um tempo rabiscando seus rascunhos. se a escrita fica bonita, daí me apaixono mesmo!
tive meu preferido: Laura! e a maioria é mesmo nomes femininos.
são nomes para futuros filhos sim, mas mesmo antes de desejar os filhos, eu já desejava seus nomes.
agora que desejo e planejo os filhos, tenho me preocupado um pouco se a importância que tenho dado aos nomes não se tornará um peso pros meus pequenos.
hoje adoro o meu nome, mas quando criança era ruim ter um nome tão diferente e ainda por cima com "ph". 
o que eu menos quero quando penso num nome para meus filhos é o que eu mais queria para mim quando criança: um nome comum e literalmente descolado. 
tenho pensado em não tomar nenhuma decisão quanto ao nome até bem perto de a criança nascer. e também de não saber seu sexo até que tenha amado suficientemente o "ser humano" que evolui na minha barriga (pois é, tá ficando sério esse papo de ser mãe!) para depois então amar o meninô ou a meniná que vai nascer. 
é, bem provavelmente eu faça mesmo isso...
pensando nisso, me lembrei agora daquela música do Renato Russo que diz "meu filho vai ter nome de saaaantoooo. queeeero o nome maaaais bonitoooo..." mas tive que rir! fala sério, combinação impossível né!
mas tudo isso ainda é pra um certo futuro e está sendo gerado só no campo das ideias... um dia nasce uma decisão! mesmo que seja num susto, tudo bem...

19 janeiro 2012

do verde, amarelo e azul...

aqui o verde é mais verde e desmancha a minha pressa. 
aqui o céu é mais azul, de muitos pássaros gigantes.
e os ventos mais violentos também, é verdade.
aqui falta luz, e demoooora a voltar. aqui a gente brinca no escuro (...) é!
aqui é porto. aqui é a chegada. aqui é espera. 
aqui tem janela aberta, vento no rosto e pão quentinho.
aqui a gente cresce e vira adulto pra só então aprender a brincar. de viver, de sonhar, de ser feliz.

sophia compeagá


Há um vilarejo ali...

21 dezembro 2011



a angústia segue. instável e imprevisível, mas permanente.
os dramas são outros, novos, renovados! ah, essa minha criatividade...
as necessidades também outras.
entre elas a vontade de calar.


17 outubro 2011

seja tolo!

Já falei aqui sobre isso. Às vezes certas ideias me acompanham por um tempo e rondam minha cabeça. Ora passeiam, ora circulam rápido e intenso, lapidando-se e tomando forma. Às vezes se escapa e se ausenta por um tempo. Depois volta. Num susto, numa surpresa, numa identificação. E retoma seu trabalho de me controverter.
"Seja tolo!" Assisti nesta semana ao discurso do Steve Jobs em que ele finaliza com as palavras "tenha fome, seja tolo" e me lembrei do quanto eu pensava nisso há um tempo atrás, e do quanto isso me ajudou, mas que por algum motivo eu acabei me esquecendo.
Seja tolo! é a frase mais genial que já ouvi! Na verdade, não sei bem o que Steve Jobs quis dizer com ela, mas a ideia que vem há tempos é a de que já somos tolos. Ou numa outra expressão que também me agrada: somos ridículos!
Somos ridículos por esperarmos tanto, por nos cobrarmos tanto, por complicarmos demais, por sermos complexos e dramáticos demasiadamente.
A melhor função do autoconhecimento, ao meu ver e por experiência própria, é a de poder rir de si mesmo. Porque autoconhecer-se implica o risco de não se gostar nadinha do que se descobre. Mas também de só então poder se levar menos a sério.
Admitir a própria tolice é uma libertação!
Sejamos firmes, mas sejamos leves! sejamos simples! sejamos tolos legítimos! 
Pronto, criei meu próprio mantra!

s. compeagá

aqui jaz

A escrita é o que sobra, é resto. O contorno de pó que desenha um móvel que depois de muito tempo muda de lugar.
Minha escrita é mentirosa. Não com a intenção de ser, ou de fugir de alguma verdade, mas o que se deixa escrevendo é o que se foi.
A gente escreve é pra abandonar e deixar de ser.
Talvez por isso não gosto de reler o que escrevi. Também porque me critico, e quase sempre quero mudar,
mas principalmente porque não sinto que aquilo faz mais parte de mim.
A gente escreve pra renascer, e renasce. Mas o que fica é o velho, o antigo, o passado.
E que também é bonito, por assim dizer...

s. compeagá

06 outubro 2011

do meu des-espero


Decidi, por um tempo, não me obrigar a fazer "a coisa certa". No fundo, eu sempre soube que as melhores coisas que me aconteceram se deram durante períodos assim. 
Eu insisto nas coisas, não desisto fácil. mas o que eu realmente considero como "realizações" na minha vida nunca foram resultados dessas tentativas. Eu também sei que se não fosse essas buscas, as coisas também não teriam acontecido. Foi preciso um período anterior de inquietação e trabalho. Mas o que me dou conta agora é que as melhores coisas que me aconteceram não foram resultados, mas coisas inesperadas. 
Eu não vou cruzar os braços, nem tampouco correr atrás. Também não vou esperar ou deixar de esperar, e muito menos desesperar.

Se é que isso é concebível, por um tempo eu quero inesperar!

s. compeagá